26 de maio de 2014
A ladainha da Tainha
Durante 2 meses (até o dia 15 de julho) o surf e os demais esportes náuticos estão proibidos em muitas praias de santa Catarina por causa da temporada de pesca da tainha.
Clique aqui e entenda um pouco mais sobre esse polêmico assunto.
12 de maio de 2012
SURF PROIBIDO - TEMPORADA DE PESCA DA TAINHA
Esta proibição tem alguma base legítima? Por que os pescadores não respeitam o acordo firmado? É justificavel que um grupo de pessoas tenha o poder de evacuar as praias para que eles possam pescar? O que fazer em caso de ameaças e agressões? São muitas as perguntas dos surfistas que são obrigados a sair correndo da praia para não apanhar na praia. Por isso reescrevemos essa matéria que fala da temporada de pesca da tainha.
Oficialmente, começa dia 15 de maio a temporada de pesca da tainha em todo o litoral catarinense. O período de pesca, que vai até o dia 15 de julho, durante dois meses deixa quase todas as praias do Estado fechadas para a prática do surf e demais esportes aquáticos. Os pescadores dizem que os surfistas e turistas espantam o peixe. Os surfistas querem aproveitar o mar e suas ondas, que durante o inverno ficam maiores e melhores. Com interesses conflitantes, os atritos, as ameças e as agressões, infelizmente são bastante comuns.
Para que todos possam entender um pouco mais sobre a questão, segue abaixo alguns fatos e algumas visões sobre o tema.
1. Mais do que um praticante esportivo, o surfista é um apaixonado pelo oceano. Um esporte saudável, ecológico, popular, que também a profissão de muita gente, principalmente em Santa Catarina, onde vivem muitos atletas. Os surfistas (e nessa categoria entra o surf, o kiteSurf, WindSurf, BodyBoard, BodySurf, KayakSurf, o LongBoard, o Tow-In, o StandUp Paddle ou qualquer outra modalidade de esporte aquático no mar), querem garantir o acesso às praias e às ondas, que são território livre em todo o planeta, menos aqui em Santa Catarina. Existem surfistas e existe a pesca em quase todas as praias e oceanos do mundo. E em nenhum outro lugar do planeta o surf é proibido por espantar os peixes. Não existe nenhum estudo que diga que os surfistas na linha da arrebentação afugentem os cardumes.
2. Surfistas e pescadores são dois grupos de pessoas que vivem do mar, com o mar, e para o mar. É muito comum acontecer a inter-relação entre as atividades (o surfista também ser pescador, e os pescadores também serem surfistas, ou pai de surfistas). Uma atividade complementa a outra e pode (e deve) transcorrer de forma tranqüila e amistosa. Os surfistas admiram e respeitam a pesca e convivem de forma tranqüila com os pescadores. O contrário é que parece não acontecer. Para os pescadores os surfistas não passam de um bando de desocupados e que só atrapalham a pesca, o que não é verdade.
3. Todo sujeito que surfa no sul do Brasil sabe muito bem que o surfista não espanta a tainha ou os outros peixes. Os cardumes passam no meio do crowd chegando a bater nas pernas e nas pranchas, demonstrando que não sentem medo de nós surfistas. Sem falar que os surfistas não matam e não são predadores dos peixes, nem representam qualquer ameaça de perigo às tainhas, que convivem com os surfistas em praticamente todas as praias do Brasil, justamente por não oferecermos perigo algum aos peixes.
4. Além de achar uma injustiça essa "lei" imposta pelos pescadores, os amantes das ondas são hostilizados, humilhados e até agredidos, muitas vezes por pessoas alcoolizadas e que em bando ficam perigosas. Os surfistas entendem que é muito mais fácil e cômodo para o pescador brigar na beira da praia com os surfistas do que lutar em Brasília contra seus representantes, que autorizam a pesca industrial próxima à praia, o maior responsável pela diminuição dos cardumes de tainha. Pranchas quebradas e destruídas a golpes de facão, surfistas humilhados, agredidos e expulsos da praia são atitudes que sempre existiram e que deveriam ser tratadas como caso de polícia. Os surfistas estão levando a fama de espantar os peixes quando é obvia e notória a presença dos imensos e numerosos barcos pesqueiros com seus motores, sonares, barcos de apoio e todos os equipamentos da pesca industrial, essa prática sim é que acaba com a tainha. Existem ainda as redes de pescas de arrastão não registradas e uma atividade pesqueira que desrespeita o período de desova. Estas atividades obviamente são muito mais danosas ao peixe e ao meio ambiente do que os surfistas.
5. Autorizar a pesca no período de desova da tainha não é autoriza a pesca em período de piracema? Pescar e matar tainhas ovadas é certo?
6. Nos ranchos de pesca, além dos pescadores, encontram-se também, muitas pessoas que passam o dia bebendo e jogando carta. Nem tudo mundo é pescador, mas na hora de cercar ou ameaçar o surfista, todo mundo vira pescador profissional e quer exercer o seu "direito" de mandar na praia. Mais do que pescar.
7. Os pescadores não podem prender, agredir, ofender ou executar a sentença de um surfista. Pescador não é oficial, não é polícia e nem juiz para ter esse poder. Ninguém pode ter tanto poder e muito menos ser um ditador das praias. A época do coronelismo já não acabou e o que todos querem hoje, é respeito.
8. Atletas profissionais e amadores sobrevivem de contratos de patrocínio e das premiações dos campeonatos que participam. Com as praias fechadas, não podem treinar, não podem se preparar para as competições e nem mostrar o seu trabalho, justamente na melhor época de ondas do ano.
9. Os surfistas aceitam e respeitam a tradição da pesca, atividade cultural e tradicional de Santa Catarina, mas também ressaltam que aqui existe também um esporte grande, popular e com força crescente, que também tem o direito ao seu espaço. Não é porque a pesca da tainha é tradicional e centenária que ela não possa ser ajustada para uma realidade atual, tanto ecológica quanto social.
10. Existe um "acordo de cavalheiros" , entre surfistas e pescadores, de quando o mar subir e as canoas não puderem entrar, os pescadores abrem as praias para os surfistas. Mas esse acordo nem sempre funciona. São muitos os dias de ondas grandes e mar grosso que passam sem aproveitamento algum para a pesca e que o surf fica proibido. O problema é que não existe acordo nenhum para os pescadores. Ano passado, em Garopaba, eles nao abriram as praias mesmo nos dias de ondas acima de 2 metros, e esse ano já falaram que também não vão abrir.
A pesca é uma das atividades mais tradicionais do Estado de Santa Catarina. Tanto que muitas de cidades litorâneas de Santa Catarina foram criadas e desenvolvidas a partir da pesca artesanal. Em teoria, os pescadores são pessoas simples, que vivem quase que exclusivamente da pesca, de onde tiram o sustento de suas próprias famílias, além de colaborarem para a indústria da pesca da pesca em todo Brasil. Os pescadores pertencem a uma classe de trabalhadores que deve sempre ser escutada e até protegida. A portaria que determina o período da pesca da tainha apenas faz valer essa proteção aos pescadores que têm na safra sua maior fonte de renda, sendo esse o maior motivo para defenderem tanto a pesca da tainha.
Rodrigo Pereira Medeiros, surfista, oceanógrafo com mestrado em ecologia e doutorado em sociologia política, disse no site www.waves.com.br que "a pesca da tainha é muito mais que um processo produtivo-econômico, é um momento de manifestação do “território da pesca artesanal”. Porém, não deixando de lado a dimensão econômica, numa pesquisa que realizei no Pântano do Sul, os pescadores chegam a quadruplicar a sua renda durante esses dois meses. E isso tem uma importância muito grande, pois é o momento onde ele pode melhorar a sua casa, ou fazer uma reserva para os “meses de miséria”, quando a produção é baixa.
A grande reclamação dos pescadores é que a prática do surfe espanta os cardumes e prejudica a pesca nas praias onde são usadas redes de pesca. Eles defendem também, que as pessoas respeitem uma tradição de gerações, e acreditam ser justo, deterem o direito sobre as praias para poderem pescar em paz, tendo em vista que são pessoas nativas, que mantém a tradição e que tiram seu sustento do mar. Além disso, o período de pesca da tainha ocorre somente durante dois meses. Os surfistas têm 10 meses com 100% de liberdade. E mesmo durante os meses da tainha, algumas praias ficam liberadas, ou parcialmente liberadas, para a pratica do surf. Não é um período de total proibição mesmo porque, muitos pescadores têm o costume de liberar o surf quando o mar sobe e as grandes ondas não deixam as canoas entrarem.
Os pescadores dizem que mesmo com todas essas discussões, não há o que reclamar. Além de acontecer por um período curto de tempo, existem as bandeiras informativas (que dizem se a praia está liberada ou não para o surf) e existem muitas praias alternativas. A maioria dos casos de confusão é gerada por pessoas que não moram na praia e chegam em nosso litoral sedentas por ondas e não querem nem saber se existe pesca ou não. O pessoal que mora na praia entende e respeita essa prática. Muitos surfistas inclusive ajudam os pescadores a puxar as redes e aproveitam pra comer uma tainha na brasa com os amigos.
O surf é um dos esportes mais praticados no Brasil e no mundo, sendo o principal esporte aquático do país, junto com a natação. As viagens em busca de boas ondas é um dos principais e mais constantes movimentos turísticos em direção a costa catarinense. No verão e no inverno, calor ou com frio, faça chuva ou faça sol, centenas de surfistas com suas namoradas, amigos ou famílias, partem em direção as praias de Santa Catarina, deixando seu dinheiro nos postos de gasolina, supermercados, farmácias, pousadas, hotéis, padarias e no comércio local, gerando uma renda bem distribuída nas comunidades pesqueiras.
Vale salientar que durante os meses de inverno, quando nossas praias ficam vazias, a economia das cidades e das famílias sofre uma queda brusca. A situação piora ainda mais quando se proíbe o surf e muitas pessoas deixam de vir para as praias de Santa Catarina por causa da pesca da tainha. Sem falar que algumas dezenas ou centenas de sites (e em diversas idiomas), relatam que durante os meses da pesca da tainha as praias catarinenses estão fechadas para a prática do surf e dos esportes aquáticos. Muitos desses sites, inclusive, comentam sobre a agressividade dos pescadores com quem tenta entrar na água durante a época de pesca. É o tipo de propaganda que não ajuda muito no turismo e na economia das cidades costeiras.
Todos esperam que o bom senso e a boa relação entre surfistas e pescadores prevaleçam sobre a ignorância, e que os dois lados envolvidos tenham os seus direitos assegurados. Que todos os surfistas e que todos os pescadores possam praticar seu esporte/profissão com liberdade, já que de ambos os lados temos amadores apaixonados e também gente profissional, que sobrevive dessas atividades.
A proibição ao surf é um crime que fere o direito de ir e vir de qualquer cidadão, ainda mais nas praias, que são públicas e considerados território livre em qualquer lugar do mundo (exceto nas áreas militares). Essa “lei” deve acabar em breve, visto que não possui grandes fundamentos: Existe mais interesse por votos nessa questão, do que necessidade real de fechar ou evacuar qualquer praia. A mentalidade turística e esportiva deve prevalecer nesse sentido liberando as praias e as ondas para todos.
A grande maioria dos problemas acontece com os surfistas de final de semana e com os turistas, que desconhecem as regras locais, chegam à praia com uma “fome de ondas” maior do que o respeito aos nativos e aos locais. Do outro lado, os pescadores abusam da “autoridade” e agem como polícia e como juiz, apontando, prendendo, julgando e executando suas leis diante de surfistas encurralados. O que não pode continuar acontecendo são as ameaças e as agressões físicas e morais, visto que isso é uma atitude criminosa.
A grande luta deve acontecer mesmo, é contra a poderosa indústria pesqueira. Os pescadores artesanais sofrem para conseguir as sobras da pesca industrial e em breve não restará nada para eles. Enquanto os pescadores artesanais ainda utilizam técnicas rudimentares para identificar os cardumes no mar, as grandes embarcações utilizam sonares que localizam os cardumes a cinco milhas de distância. Uma concorrência bastante injusta.
O futuro da pesca artesanal depende da ajuda de todos. A atividade está quase desaparecendo e deve ser incentivada e promovida, caso contrário corre o risco de desaparecer. Pescadores e surfistas, juntos, podem lutar contra a pesca industrial da tainha e assegurar o futuro desse tipo de pesca exclusivamente para o pescador artesanal. Sem brigas, sem proibições e sem discriminação.
Se essas duas categorias parassem de brigar e passassem a se unir para lutar a favor de nossas praias e do nosso mar, muita coisa poderia mudar, e para melhor. E precisa mudar! A preservação e o uso inteligente dos recursos do mar devem ser urgentemente reavaliados e evoluídos, caso contrário a pesca pode realmente acabar.
Independente de tudo isso, o que não pode mais acontecer, é o clima de agressividade e essa guerra (as vezes fria e as vezes bem quente) entre surfistas e pescadores. A realidade atual, com surfistas sendo ameaçados e até apanhando na beira da praia, com pranchas sendo destruídas sem piedade, é totalmente inaceitável. Durante os melhores meses do ano (para a pesca e para o surf) um clima chato de ameaças e agressões ainda impera em u ma grande parter das praias catarinenses. A radicalidade e o coronelismo nativo não podem mais prevalecer sobre o bom senso e sobre as leis, muito menos contra um esporte saudável e ecológico. Surfistas e pescadores são os dois grupos de pessoas que mais tem contato, respeito e amor ao oceano. E devem achar um meio pacifico de lidar com a questão.
Esperamos que todas entidades envolvidas (IBAMA, Capitania dos Portos, Ministério da Pesca, Fecasurf e Associações de Pesca) acabem de vez com essa situação ridícula de proibir as praias para as pessoas de bem e que se acabe esse “apartheid da parafina”. E que as autoridades legais, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal e Ministério Público ajudem a reestabelecer a paz.
FIQUE LIGADO!
Atualmente, as praias são liberadas ou proibidas de acordo com cada região. Algumas praias sinalizam se haverá pesca ou surf através de bandeiras de sinalização. Quando há cardumes na região, bandeiras são hasteadas informando a proibição do surf. Com o mar grande, quando sair de barco torna-se perigoso, as bandeiras são baixadas e a praia liberada para o surf. Em outros locais rola um sistema de cores: bandeira branca: surf; bandeira vermelha: pesca.
Se você for ameaçado ou agredido física ou moralmente, procure seus direitos de cidadão. Vá até a delegacia de polícia e registre um Boletim de ocorrência. Se a delegacia se negar a registrar o B.O., procure o Ministério Público, a Polícia Federal e ligue para a imprensa. Só não fique calado, pois esse tipo de atitude só contribui para que a violência seja perpetuada. Como diz o ditado “ninguém vai subir em cima de você, a menos que você se deite.”
9 de junho de 2011
Mais uma manhã nas ondas do Rosa
Quinta-feira, 9 de junho.
O dia amanheceu com uma brisa de sul e swell de sudeste. Na Praia da Silveira, em Garopaba (SC) as direitas de um metro e meio marchavam perfeitas em direção a praia. E para o desespero dos surfistas locais e dos turistas, a praia estava fechada para o surf.
Pela terceira vez esse ano, o “acordo” está sendo desrespeitado pelos pescadores. Explico: Mesmo não existindo lei alguma que proíba as pessoas de entrar no mar, por causa da pesca da tainha, existe um acordo onde ficou acertado que com ondas de até meio metro, o mar é dos pescadores e os surfistas não podem entrar na água. E com as ondas passando de meio metro, o mar é dos surfistas, já que as canoas não conseguem entrar no mar. Mas como bem sabemos, algumas pessoas dotadas da “autoridade” de liberar ou não a prática do surf, abusam dessa autoridade. Aqui em Garopaba os pescadores é que mandam nas praias (que deveriam ser um território livre), e atletas profissionais e amadores ficam sem poder surfar e sem treinar. Esportistas (praticantes de surf, body board, stand-up, kite, longboard, body surf, etc) ficam prejudicados em nome da “tradição” de fechar as praias só para os pescadores na época da pesca da tainha. Em dias de ventos do quadrante sul, quem quer surfar, tem que sair da cidade. E foi o que fizemos.
Depois de rodar alguns quilômetros, gastando uma gasolina que anda bem cara, fomos novamente para Imbituba onde encontramos boas condições de surf na Praia do Rosa: ondas de 3 a 6 pés, lisas e proporcionando belos drops no canto sul da praia. É bem verdade que as ondas estavam cheias e fechando um pouco, mas durante toda a manhã, verdadeiros expressos foram surfados.
Parabéns a Imbituba, que sabe muito bem quanto dinheiro representa suas praias cheias de surfistas durante o inverno. E quantos votos os surfistas representam.













8 de junho de 2011
Enquanto isso, na Praia do Rosa



9 de abril de 2011
Aviso aos surfistas do Sul
O tempo passa, o tempo voa, mas a vida do pescador displicente continua numa boa.. Enquanto isso, pessoas jovens, inocentes e felizes, morrem na praia, pescadas como se fossem peixes.. É triste, é bizarro, mas é realidade.
Mal acabou o verão, e os primeiros ventos mais gelados na região sul do Brasil trazem de volta uma velha preocupação: é época de se cuidar com as redes de pesca. Já durante o outono, muitas redes foram avistadas em toda a costa do Rio Grande do Sul, algumas abandonadas na praia, outras presas nos pilares da plataforma ou ainda o tipo de rede mais perigosa, as que arrebentam e ficam vagando com as correntes marinhas. Esse tipo de pesca, antiquada e perigosa, é o pesadelo de milhares de cidadãos, que querem praticar o surf e outros esportes aquáticos e não podem. Isso porque essa prática da pesca com redes de calão, que faz com que surifistas fiquem presas às redes, já matou 49 pessoas no Estado do Rio Grande do Sul, o que torna essa região, a mais perigosa do mundo para a prática do surf.
O surf no Rio Grande do Sul já matou muito mais gente do que os ataques de tubarão do nordeste, e ninguém fala nada. Os pescadores são muito organizados politicamente continuam praticando essa modalidade de pesca antiquada e perigosa porque sabem mostrar aos políticos quantos votos representam.
A única alternativa que se espera, é que o governo mande retirar as redes do mar. Se esse tipo de pesca está matando pessoas inocentes, e já matou 49, deve-se sim acabar com esse tipo de pesca. Pelo menos nas praias mais movimentadas. É o mínimo que se espera do poder público.
ALGUMAS REGRAS BÁSICAS DE SEGURANÇA
1. SURFE APENAS EM ÁREAS SEGURAS E NAS PRAIAS MAIS MOVIMENTADAS.
2. CONHEÇA O MAR, AS CONDIÇÕES E A CORRENTEZA QUE VOCÊ VAI ENFRENTAR
3. PERGUNTE AOS LOCAIS SOBRE A LOCALIZAÇÃO DAS REDES
3. FAÇA UM RECONHECIMENTO DA ÁREA DE SURF CAMINHANDO NA PRAIA A FAVOR DA CORRENTEZA, PROCURANDO POR REDES E CABOS.
4. LEASH SEMPRE REVISADO.
5. PROCURE ENTENDER O FUNCIONAMENTO DAS REDES E DA PESCA COM CALÃO.
6. PROCURE NÃO SURFAR SOZINHO.
7. MATENHA A CALMA NOS MOMENTOS DE RISCO.
8. DENUNCIE QUANDO AVISTAR REDES ABANDONADAS NA PRAIA
O surf é profissão, carreira, esporte e o hobby de centenas de milhares de pessoas e merece o devido respeito. Se você é surfista, se você eventualmente surfa no Rio Grande do Sul ou se simplesmente se importa com esse assunto, procure participar do movimento contra as redes de pesca, pressione o poder público, denuncie, pressione as autoridades e representantes e mostre sua força política. Não fique alienado a esse problema, pois eu, você ou nossos amigos podem ser as próximas vítimas. Sem pressão, as mortes vão continuar.
3 de novembro de 2010
Triste dia de finados
Terça-feira, 2 de novembro. Feriado de Finados.
Um dia de sol, água limpa e transparente. Um dia lindo para homenagear as pessoas queridas que foram desta para uma melhor. Meu dia começou cedo e fui surfar. Depois de duas quedas, uma delas bem demorada, passei na Praia da Vigia para lançar ao mar algumas flores, cheias de saudade, dedicadas a pessoas muito queridas que se foram.
Cheguei em casa exausto, mas feliz.
Até ligar a internet.
MORRE ANDY IRONS, O GRANDE CAMPEÃO DE SURF
A primeira notícia caiu como uma bomba: Andy Irons morreu. Parecia pegadinha, trote ou algum vírus de computador. Um dos maiores e melhores surfistas do mundo, o único cara que não se rendeu a dinastia Slater, um havaiano que surfou como ninguém as maiores e mais perigosas do mundo, noticiado como morto pelo mosquito da dengue. Não podia ser verdade. Andy era novo (32 anos), forte, um atleta de alto desempenho. Não fazia sentido.
Andy Irons sempre colocou muita paixão em tudo o que fez. Sua atitude, sua técnica, seu estilo e seu power surf o colocaram num patamar nunca antes alcançado. Andy foi tão bom, que motivou Kelly Slater a voltar a competir. Aliás, os dois foram grandes rivais. A mídia surf adorava ressaltar essa rivalidade. Enquanto Kelly era o mocinho, Andy foi o “bandido” sedutor e talentoso. Um matador nato! Por 3 vezes campeão mundial de surf pela ASP, Andy significou muita coisa para muita gente: foi competidor, foi ídolo, foi marido, foi um monstro e foi um ícone. Poucos surfistas na história tiveram tanta força e tanto poder como o havaiano A.I., que influenciou de maneira muito forte o surf mundial. Sua carreira foi meteórica até que em 2009, Andy se afastou do tour devido a um suposto problema com drogas. Ele queria colocar a cabeça no lugar e recuperar seu foco.
Hoje, 3/11/2010, uma noticia de que teria sido encontrado em seu quarto alguns remédios a base de methadone. Segundo os profissionais da saúde, uma medicação errada pode piorar ainda mais o quadro de uma pessoa doente. Mas enfim, ainda não sabemos o que realmente aconteceu, só sabemos que essa perda foi muito grande. A notícia ainda dói. Principalmente sabendo que Andy deixa sua mulher Lyndie grávida de 8 meses.
A segunda notícia me deixou muito triste, e muito indignado.
MORRE MAIS UM SURFISTA EM REDES DE PESCA NO RIO GRANDE DO SUL
Thiago Rufatto, 18 anos, foi o 49° surfista morto em redes de pesca no Rio Grande do Sul.
Desculpem o desabafo, mas PQP!! 49 pessoas mortas e ninguém faz nada???
Que governo é esse que aceita que pessoas jovens, de bem, que saem alegres para pegar algumas ondas e fazer um esporte sadio e popular, morrem em redes de pesca que ficam abandonadas na praia???? Que políticos são esses??
E vocês sabem por que? Porque os pescadores se organizam, mostram quantos votos representam e, assim, convencem nossos políticos a deixar as redes na praia. Parece surreal, mas é verdade.
Surfista não é peixe, e não pode ser pescados e mortos por redes de pesca. Isso é bizarro, é primitivo, e é um crime contra a vida de pessoas inocentes. Os pescadores e as cidades litorâneas podem e devem ser processados e punidos por isso. Pescar e matar gente não é pesca, é assassinato.
A prática de pescar com redes de calão é arcaica, antiga e ultrapassada, onde os pescadores cravam um calão (um pedaço de madeira) na praia, e jogam suas redes ao mar, na zona de arrebentação, e as amarram nesse calão na areia. Depois vão pra casa, ver TV, enquanto as redes ficam esticadas por dias e acabam matando pessoas inocentes.
Segundo pesquisas realizadas pelos surfistas, 99% de todos os pescadores que pescam com rede de calão não são profissionais da pesca. Eles tem outras atividades e não sustentam suas famílias exclusivamente da pesca.
Eu já fui em passeata, já fui na assembléia legislativa do RS e em diversas reuniões com surfistas, empresas e entidades, e posso lhes dizer; a briga é injusta e os resultados idem.
Primeiro, porque os surfistas são incapazes de se organizar e mostrar quantos votos representam. Na grande maioria, são pessoas egoístas, que só querem pegar suas ondas (ou tirar onda) e que não lutam nem pela saúde de suas praias e nem pela segurança do seu esporte. A verdade é essa, doa a quem doer.
Enquanto os pescadores mandam representantes de cada região do estado, com pastas contendo a quantidade de votos diretos e indiretos gerados pela tribo dos pescadores, da tribo dos surfistas aparecem uma meia dúzia super bem intensionada, mas incapaz de vencer a organização dos pescadores. Alguns nem se expressar direito sonseguem.
É quase a história da formiga e da cigarra. Um grupo trabalha e se garante (os pescadores) e o outro fica só tirando onda e no final se fode (os surfistas).
E aqui eu não falo da entidade FGS ou das pessoas que estão indo na Assembléia. Essas pessoas brigam pelo surf e pela nossa segurança a muitos anos. São guerreiros e são heróis. Eu falo é da grande massa do surf: os surfistas, o mercado, as empresas. Cadê o esforço conjunto?
Eu respeito demais o trabalho incansável dessa galera que luta para acabar com essa prática (Virgilio Panzini de Matos, Orlando Carvalho – FGS e a galera do surf seguro), mas ainda precisamos de mais representação (Número de votos) na mão dessas pessoas para finalmente extinguir essa prática assassina de nossos mares. Sem isso, nossos guerreiros ficam desarmados diante do arsenal de votos trazidos pelos pescadores. Não queremos áreas de surf, queremos o fim dessa atividade sem sentido e assassina.
Porque vamos ser sinceros, delimitar áreas de surf e de pesca não adianta nada quando temos um litoral de mar aberto e com fortes correntezas. No litoral gaúcho, num dia de mar grande, com vento sul e swell de sul, você pode facilmente atravessar diversas áreas e até passar por várias diferentes praias, sendo levado pela corrente marítima. Lá no outside, ninguém consegui enxergar o pedaço de pau cravado na areia (que delimitam a áreas de surf, banho e pesca). e nem consegue sair do mar a tempo de chegar numa área de risco, pois os surfistas são arrastados pelas correntes.
Vale lembrar que as redes de pesca no litoral do Rio Grande do Sul são as responsáveis pelo maior índice de mortes relacionadas ao surf. Mais do que tubarões, ondas gigantes ou corais afiados ao redor do mundo.
Mas enfim, paro por aqui porque a tristeza é grande. E a indignação também.
Mas fica a mensagem: Ou nos organizamos, ou vamos continuar perdendo essa guerra para os (pseudo) pescadores.
Esse dia de finados foi realmente um dia muito triste para o surf gaúcho, brasileiro e mundial. E por isso estamos de luto.
Dadá Souza
SurfOnLine







