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26 de maio de 2014

A ladainha da Tainha


Durante 2 meses (até o dia 15 de julho) o surf e os demais esportes náuticos estão proibidos em muitas praias de santa Catarina por causa da temporada de pesca da tainha.

Clique aqui e entenda um pouco mais sobre esse polêmico assunto.

12 de maio de 2012

SURF PROIBIDO - TEMPORADA DE PESCA DA TAINHA




Nem bem começou a temporada de pesca da tainha e o surf já está proibido em diversas praias de Garopaba e de Imbituba. E o pior, surfistas e praticantes das mais diversas modalidades de esportes aquáticos estão sendo ameaçados desde o primeiro momento em que colocam os pés na areia, principalmente nas praias de Garopaba, onde se localiza uma das melhores ondas do Brasil, a Silveira.

Esta proibição tem alguma base legítima? Por que os pescadores não respeitam o acordo firmado? É justificavel que um grupo de pessoas tenha o poder de evacuar as praias para que eles possam pescar? O que fazer em caso de ameaças e agressões? São muitas as perguntas dos surfistas que são obrigados a sair correndo da praia para não apanhar na praia. Por isso reescrevemos essa matéria que fala da temporada de pesca da tainha.

Oficialmente, começa dia 15 de maio a temporada de pesca da tainha em todo o litoral catarinense. O período de pesca, que vai até o dia 15 de julho, durante dois meses deixa quase todas as praias do Estado fechadas para a prática do surf e demais esportes aquáticos. Os pescadores dizem que os surfistas e turistas espantam o peixe. Os surfistas querem aproveitar o mar e suas ondas, que durante o inverno ficam maiores e melhores. Com interesses conflitantes, os atritos, as ameças e as agressões, infelizmente são bastante comuns. 

 As regras da temporada de pesca e a proibição dos esportes aquáticos mudam um pouco em cada região do Estado, que determina se haverá ou não praias ou trechos liberados para a prática do surf.  Em lugares como Florianópolis e Laguna esses problemas quase não existem mais, mas nas praias do sul do Estado a situação anda mais quente do que nunca.

Apesar da falta de um embasamento que justifique a evacuação do mar, essa determinação vem funcionando até hoje mais pelo fato de os pescadores serem um grupo muito mais organizado do que os surfistas, do que por alguma real necessidade de proibir o surf. 

Na visão dos surfistas e dos turistas, a proibição é puro exagero, mas os pescadores estão todos registrados, aparecem nas votações com seus títulos de eleitor na mão, dizem quantos votos representam e fazem valer seus direitos. A pesca é uma atividade tradicional, milenar, e seus trabalhadores são pessoas simples, que dependem da pesca para sobreviver. Como os surfistas não se unem para lutar por seus direitos, acabam tendo que aceitar as regras dos pescadores, protegidos pelos políticos que estão sempre de olho nos votos que essa categoria representa. Mas o surf é um esporte que movimenta milhões de dólares e que tem milhares de praticantes e admiradores em toda Santa Catarina. Seus números são ainda maiores do que a pesca artesanal, sem falar que o esporte convive de forma exemplar com a praia, com o meio ambiente e com as espécies marinhas. 

Para que todos possam entender um pouco mais sobre a questão, segue abaixo alguns fatos e algumas visões sobre o tema.



O LADO DOS SURFISTAS


O surf é o terceiro esporte mais praticado no Brasil. Possui milhares de praticantes em todo o território nacional, tornando-se mais do que um simples esporte, mas a diversão e a profissão de muitas pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais. Principalmente em Santa Catarina, Estado que possui um litoral privilegiado para a prática do surf e com forte tradição no esporte. 

O litoral catarinense recebe etapas dos circuitos brasileiro e mundial, possui atletas renomados, campeões em todas as categorias e até campeões mundiais amadores e profissionais (WQS), sem falar no turismo bastante representativo em torno desse esporte. Como mercado, o surf movimenta bilhões de dólares a cada ano. Como promotor do turismo, o surf  (ou até mesmo uma única onda específica) movimenta milhões de reais por ano em deferentes cidades ou regiões costeiras. Como esporte, Temos um dos circuitos profissionais mais bem pagos do mundo e uma estrutura organizada com federação, associações, fábricas, marcas, atletas e todo um universo voltado para o esporte surf, o que faz gerar muitos empregos, movimentando a economia nacional. São muitas as pessoas, entre praticantes, atletas amadores e profissionais, e gente que trabalha na industria do surf, que vivem em Santa Catarina exclusivamente por causa do surf.
 As principais visões e reclamações dos surfistas:

1. Mais do que um praticante esportivo, o surfista é um apaixonado pelo oceano. Um esporte saudável, ecológico, popular, que também a profissão de muita gente, principalmente em Santa Catarina, onde vivem muitos atletas. Os surfistas (e nessa categoria entra o surf, o kiteSurf, WindSurf, BodyBoard, BodySurf, KayakSurf, o LongBoard, o Tow-In, o StandUp Paddle ou qualquer outra modalidade de esporte aquático no mar), querem garantir o acesso às praias e às ondas, que são território livre em todo o planeta, menos aqui em Santa Catarina. Existem surfistas e existe a pesca em quase todas as praias e oceanos do mundo. E em nenhum outro lugar do planeta o surf é proibido por espantar os peixes. Não existe nenhum estudo que diga que os surfistas na linha da arrebentação afugentem os cardumes.

2. Surfistas e pescadores são dois grupos de pessoas que vivem do mar, com o mar, e para o mar. É muito comum acontecer a inter-relação entre as atividades (o surfista também ser pescador, e os pescadores também serem surfistas, ou pai de surfistas). Uma atividade complementa a outra e pode (e deve) transcorrer de forma tranqüila e amistosa. Os surfistas admiram e respeitam a pesca e convivem de forma tranqüila com os pescadores. O contrário é que parece não acontecer. Para os pescadores os surfistas não passam de um bando de desocupados e que só atrapalham a pesca, o que não é verdade.

3. Todo sujeito que surfa no sul do Brasil sabe muito bem que o surfista não espanta a tainha ou os outros peixes. Os cardumes passam no meio do crowd chegando a bater nas pernas e nas pranchas, demonstrando que não sentem medo de nós surfistas. Sem falar que os surfistas não matam e não são predadores dos peixes, nem representam qualquer ameaça de perigo às tainhas, que convivem com os surfistas em praticamente todas as praias do Brasil, justamente por não oferecermos perigo algum aos peixes. 
 
4. Além de achar uma injustiça essa "lei" imposta pelos pescadores, os amantes das ondas são hostilizados, humilhados e até agredidos, muitas vezes por pessoas alcoolizadas e que em bando ficam perigosas. Os surfistas entendem que é muito mais fácil e cômodo para o pescador brigar na beira da praia com os surfistas do que lutar em Brasília contra seus representantes, que autorizam a pesca industrial próxima à praia, o maior responsável pela diminuição dos cardumes de tainha. Pranchas quebradas e destruídas a golpes de facão, surfistas humilhados, agredidos e expulsos da praia são atitudes que sempre existiram e que deveriam ser tratadas como caso de polícia. Os surfistas estão levando a fama de espantar os peixes quando é obvia e notória a presença dos imensos e numerosos barcos pesqueiros com seus motores, sonares, barcos de apoio e todos os equipamentos da pesca industrial, essa prática sim é que acaba com a tainha. Existem ainda as redes de pescas de arrastão não registradas e uma atividade pesqueira que desrespeita o período de desova. Estas atividades obviamente são muito mais danosas ao peixe e ao meio ambiente do que os surfistas.

5. Autorizar a pesca no período de desova da tainha não é autoriza a pesca em período de piracema? Pescar e matar tainhas ovadas é certo?

6. Nos ranchos de pesca, além dos pescadores, encontram-se também, muitas pessoas que passam o dia bebendo e jogando carta. Nem tudo mundo é pescador, mas na hora de cercar ou ameaçar o surfista, todo mundo vira pescador profissional e quer exercer o seu "direito" de mandar na praia. Mais do que pescar.

7. Os pescadores não podem prender, agredir, ofender ou executar a sentença de um surfista. Pescador não é oficial, não é polícia e nem juiz para ter esse poder. Ninguém pode ter tanto poder e muito menos ser um ditador das praias. A época do coronelismo já não acabou e o que todos querem hoje, é respeito.

8. Atletas profissionais e amadores sobrevivem de contratos de patrocínio e das premiações dos campeonatos que participam. Com as praias fechadas, não podem treinar, não podem se preparar para as competições e nem mostrar o seu trabalho, justamente na melhor época de ondas do ano.

9. Os surfistas aceitam e respeitam a tradição da pesca, atividade cultural e tradicional de Santa Catarina, mas também ressaltam que aqui existe também um esporte grande, popular e com força crescente, que também tem o direito ao seu espaço. Não é porque a pesca da tainha é tradicional e centenária que ela não possa ser ajustada para uma realidade atual, tanto ecológica quanto social.

10. Existe um "acordo de cavalheiros" , entre surfistas e pescadores, de quando o mar subir e as canoas não puderem entrar, os pescadores abrem as praias para os surfistas. Mas esse acordo nem sempre funciona. São muitos os dias de ondas grandes e mar grosso que passam sem aproveitamento algum para a pesca e que o surf fica proibido. O problema é que não existe acordo nenhum para os pescadores. Ano passado, em Garopaba, eles nao abriram as praias mesmo nos dias de ondas acima de 2 metros, e esse ano já falaram que também não vão abrir.  
11. Nas praias funciona o sistema de bandeiras, que sinaliza se o surf está ou não liberado. Porque essas bandeiras SEMPRE e em TODAS AS PRAIAS, são controladas pelos pescadores? O certo não seria uma pessoa neutra? Nas praias onde há existem atritos a bandeira nunca muda, é sempre proibido o surf.
12. Na maioria das pequenas cidades litorâneas, os pescadores anotam suas compras nos  “caderninhos” dos bares, mercados, farmácias e padarias, enquanto os surfistas, em número muito maior, pagam em dinheiro. Se os surfistas é que impulsionam a economia das cidades litorâneas no inverno, porque estes é que são banidos das praias?

13. Os surfistas constantemente se reúnem para participar de movimentos de proteção e de limpeza das praias, realizam mutirões de coleta de lixo e são sempre muito interessados na saúde das praias. Os pescadores, por outro lado, não participam desses movimentos e ainda constroem barracos de pesca em cima das dunas, dos sambaquis e da vegetação de restinga, o que é um crime ecológico grave.  A lei não deveria valer para todos?

12. Proibir o surf e os esportes náuticos e proibir as pessoas de usufruírem da praia não seria um ato inconstitucional?


O LADO DOS PESCADORES




A pesca é uma das atividades mais tradicionais do Estado de Santa Catarina. Tanto que muitas de cidades litorâneas de Santa Catarina foram criadas e desenvolvidas a partir da pesca artesanal. Em teoria, os pescadores são pessoas simples, que vivem quase que exclusivamente da pesca, de onde tiram o sustento de suas próprias famílias, além de colaborarem para a indústria da pesca da pesca em todo Brasil. Os pescadores pertencem a uma classe de trabalhadores que deve sempre ser escutada e até protegida. A portaria que determina o período da pesca da tainha apenas faz valer essa proteção aos pescadores que têm na safra sua maior fonte de renda, sendo esse o maior motivo para defenderem tanto a pesca da tainha. 

Durante os meses de maio a julho, os cardumes de tainha sobem pela costa brasileira para fazer sua desova e os pescadores utilizam essa oportunidade para garantir uma boa pesca e o seu sustento. Para alguns pescadores, essa tradição é sua única forma de sustento, para a maioria, um bom incremento em suas rendas. É a famosa “Tainha das Ovas de Ouro”, como alguém já disse anteriormente.

Rodrigo Pereira Medeiros, surfista, oceanógrafo com mestrado em ecologia e doutorado em sociologia política, disse no site www.waves.com.br que "a pesca da tainha é muito mais que um processo produtivo-econômico, é um momento de manifestação do “território da pesca artesanal”. Porém, não deixando de lado a dimensão econômica, numa pesquisa que realizei no Pântano do Sul, os pescadores chegam a quadruplicar a sua renda durante esses dois meses. E isso tem uma importância muito grande, pois é o momento onde ele pode melhorar a sua casa, ou fazer uma reserva para os “meses de miséria”, quando a produção é baixa.


Nessa ótica, "Os surfistas são os “haoles” neste momento, pois atrapalham aquele momento comunitário, que pertencem aos pescadores e não aos surfistas. Além disso, eles esperam pelo peixe, e não buscam pelo peixe, capacidade que nós surfistas, em geral temos na nossa busca. É muito mais fácil para nós buscarmos ondas em outras praias, do que para os pescadores buscarem peixes em outras praias. Nossa forma nômade de surfar muitas vezes não respeita os processos comunitários que acontecem nas praias catarinenses", conclui Rodrigo Medeiros.

A grande reclamação dos pescadores é que a prática do surfe espanta os cardumes e prejudica a pesca nas praias onde são usadas redes de pesca. Eles defendem também, que as pessoas respeitem uma tradição de gerações, e acreditam ser justo, deterem o direito sobre as praias para poderem pescar em paz, tendo em vista que são pessoas nativas,  que mantém a tradição e que tiram seu sustento do mar. Além disso, o período de pesca da tainha ocorre somente durante dois meses. Os surfistas têm 10 meses com 100% de liberdade. E mesmo durante os meses da tainha, algumas praias ficam liberadas, ou parcialmente liberadas, para a pratica do surf. Não é um período de total proibição mesmo porque, muitos pescadores têm o costume de liberar o surf quando o mar sobe e as grandes ondas não deixam as canoas entrarem.

Os pescadores dizem que mesmo com todas essas discussões, não há o que reclamar. Além de acontecer por um período curto de tempo, existem as bandeiras informativas (que dizem se a praia está liberada ou não para o surf) e existem muitas praias alternativas. A maioria dos casos de confusão é gerada por pessoas que não moram na praia e chegam em nosso litoral sedentas por ondas e não querem nem saber se existe pesca ou não. O pessoal que mora na praia entende e respeita essa prática. Muitos surfistas inclusive ajudam os pescadores a puxar as redes e aproveitam pra comer uma tainha na brasa com os amigos.



O LADO DA TAINHA


A tainha sempre foi uma espécie abundante em nosso litoral. A grande maioria delas sai das inúmeras lagoas de água doce do suldo Brasil para desovar no mar, principalmente da Lagoa dos Patos. É uma espécie comum em todo o litoral brasileiro.

Andando sempre em grandes cardumes, as tainhas passeiam próximas as praias e nessa época do ano viram um grande e lucrativo negócio para as empresas de pesca industrial e também para os pescadores artesanais. É a chamada "tainha dos ovos de ouro", que carregadas de ovas, passam a ser agressivamente perseguidas, pois além de lucrar com a venda dos peixes, os pescadores lucram também vendendo as ovas. O problema é que a pesca nessa época vem aniquiliando os cardumes. As tainhas antes mesmo de largarem suas ovas, são mortas pelos pescadores. A grande questão aqui é como a tainha vai conseguir se reproduzir se são pescadas ainda com suas ovas? Como a espécie vai continuar alimentando e abastecendo as famílias de pescadores artesanais, se a pesca industrial continuar tão agressiva e predatória?

O Ibama, órgão que regulamenta a pesca no litoral brasileiro, determinou um período de defeso em favor da Tainha, onde ficou decidido que até o dia 15 de maio, os pescadores não podem pescar a espécie devido ao período de desova da espécie. 


Antigamente, a pesca artesanal correspondia a quase 100% da pesca da tainha. Hoje, 90% da pesca da tainha correspondem à pesca industrial, que está acabando com os cardumes. Os pescadores artesanais, que esperam o peixe na beira da praia, usam redes de arrasto e claro, a cada ano matam menos tainhas próximo a praia. Os grandes barcos pesqueiros estão cada vez mais próximos da costa, pegando tudo que aparece na frente, e todos perdem com esse tipo de pesca. Principalmente a tainha.


 O LADO DO TURISMO



O surf é um dos esportes mais praticados no Brasil e no mundo, sendo o principal esporte aquático do país, junto com a natação. As viagens em busca de boas ondas é um dos principais e mais constantes movimentos turísticos em direção a costa catarinense. No verão e no inverno, calor ou com frio, faça chuva ou faça sol, centenas de surfistas com suas namoradas, amigos ou famílias, partem em direção as praias de Santa Catarina, deixando seu dinheiro nos postos de gasolina, supermercados, farmácias, pousadas, hotéis, padarias e no comércio local, gerando uma renda bem distribuída nas comunidades pesqueiras.

Uma região com ondas de qualidade pode ter uma receita de milhões de reais por ano, gerados diretamente por esse grupo de surfistas-turistas. Sempre acontece da mesma maneira: atrás de uma onda de qualidade vêm os surfistas, as namoradas, os amigos, as famílias, a mídia e mais surfistas, aumentando cada vez mais o volume de dinheiro circulando, o que torna mais sadia a vida financeira das cidades costeiras.

 Vale salientar que durante os meses de inverno, quando nossas praias ficam vazias, a economia das cidades e das famílias  sofre uma queda brusca. A situação piora ainda mais quando se proíbe o surf e muitas pessoas deixam de vir para as praias de Santa Catarina por causa da pesca da tainha. Sem falar que algumas dezenas ou centenas de sites (e em diversas idiomas), relatam que durante os meses da pesca da tainha as praias catarinenses estão fechadas para a prática do surf e dos esportes aquáticos. Muitos desses sites, inclusive, comentam sobre a agressividade dos pescadores com quem tenta entrar na água durante a época de pesca. É o tipo de propaganda que não ajuda muito no turismo e na economia das cidades costeiras.

Do ponto de vista das cidades litorâneas, basicamente dependentes da atividade turística, tanto o turismo gerado pelo surf, como aquele baseado na pesca são importantes e valiosos na vida e na economia de cada uma das cidades costeiras. E sob essa ótica, todas as ações para atrair e agradar esses turistas devem ser promovidas em prol do desenvolvimento sustentável de cada cidade ou região.

O LADO DA LEI


Não sou advogado e não entendo muito de leis, por isso vou ser bem breve. De fato, e qualquer leigo sabe, não existe uma lei que proíba as pessoas de entrarem no mar. Isso seria absolutamente inconstitucional. 

E aqui existem muitos pontos a serem considerados. Primeiro, é que a Portaria da Capitania dos Portos que proibia o surf foi revogada com o surgimento da Instrução Normativa número 171, de 9 de maio de 2008, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A instrução normativa aborda a pesca da tainha, e segundo o IBAMA não há nenhuma especificação quanto à proibição da prática do surf. Desta forma, a proibição de pessoas livres entrarem no mar para pegar ondas, é ilegítima. 

Vale lembrar também que mesmo que essa lei fosse legítima, ela deveria ser executada por agentes públicos responsáveis, e nunca pelos próprios pescadores, como vem acontecendo. Com base nesses dados, o ato de proibir alguém de usufruir da praia e ameaçar ou agredir essas pessoas, isso sim é caracterizado como crime. Se houver constrangimento ou violência, as penas podem aumentar ainda mais. O mais certo a se fazer, em caso de violência ou de ameaças, é procurar a polícia e fazer valer o seu direito de cidadão. Se ninguém denunciar, os abusos contra os esportistas continuarão. 

Os surfistas estão impedidos de entrar no mar porque são acusados de espantar o peixe, acusação essa que não tem lógica ou comprovação científica. 

O que existe hoje em Santa Catarina é um acordo, que foi realizado em Florianópolis, onde o Presidente da Federação Catarinense de Surf se reuniu com as autoridades e representantes da pesca e firmou um termo de compromisso entre surfistas e pescadores. Nesse acordo ficou determinado que durante os dois meses da pesca, o surf ficaria restrito às praias ou áreas liberadas pelos pescadores, e que nas ocasiões em que o mar realmente subisse (acima de 1 metro) o surf seria liberado já que as canoas não conseguiriam entrar no mar. Esse acordo foi firmado e os surfistas (na verdade da Federação Catarinense de Surf)  aceitaram essa condição em respeito à cultura da pesca. Em Florianópolis, por exemplo,  esse acordo vem funcionando e muito bem, sem maiores atritos.  Muitas praias e cidades já não fazem mais a tal proibição: Quando tem peixe, os surfistas inclusive saem e ajudam a puxar a rede.Em Garopaba, por outro lado, esse acordo não vem sendo respeitado pelos pescadores e o surf fica proibido mesmo quando o mar passa dos 2 metros. Nas praias de Garopaba, o acordo nãovem sendo respeitado e em dia de ondas grandes nem as canoas entram no mar, e nem os surfistas.

Os pescadores, claro, esperam que haja a colaboração dos surfistas para que a pesca continue fazendo parte da cultura e da tradição de Santa Catarina. Os surfistas, por sua vez, percebem a necessidade de mais união e estão amadurecendo sua consciência social para lutar e fazer valer o seu direito de cidadão.

 

AS CONCLUSÕES E OS CAMINHOS PARA O FUTURO

 

Todos esperam que o bom senso e a boa relação entre surfistas e pescadores prevaleçam sobre a ignorância, e que os dois lados envolvidos tenham os seus direitos assegurados. Que todos os surfistas e que todos os pescadores possam praticar seu esporte/profissão com liberdade, já que de ambos os lados temos amadores apaixonados e também gente profissional, que sobrevive dessas atividades.

A proibição ao surf é um crime que fere o direito de ir e vir de qualquer cidadão, ainda mais nas praias, que são públicas e considerados território livre em qualquer lugar do mundo (exceto nas áreas militares). Essa “lei” deve acabar em breve, visto que não possui grandes fundamentos: Existe mais interesse por votos nessa questão, do que necessidade real de fechar ou evacuar qualquer praia. A mentalidade turística e esportiva deve prevalecer nesse sentido liberando as praias e as ondas para todos.

A grande maioria dos problemas acontece com os surfistas de final de semana e com os turistas, que desconhecem as regras locais, chegam à praia com uma “fome de ondas” maior do que o respeito aos nativos e aos locais. Do outro lado, os pescadores abusam da “autoridade” e agem como polícia e como juiz, apontando, prendendo, julgando e executando suas leis diante de surfistas encurralados. O que não pode continuar acontecendo são as ameaças e as agressões físicas e morais, visto que isso é uma atitude criminosa.

A grande luta deve acontecer mesmo, é contra a poderosa indústria pesqueira. Os pescadores artesanais sofrem para conseguir as sobras da pesca industrial e em breve não restará nada para eles. Enquanto os pescadores artesanais ainda utilizam técnicas rudimentares para identificar os cardumes no mar, as grandes embarcações utilizam sonares que localizam os cardumes a cinco milhas de distância. Uma concorrência bastante injusta.

O futuro da pesca artesanal depende da ajuda de todos. A atividade está quase desaparecendo e deve ser incentivada e promovida, caso contrário corre o risco de desaparecer. Pescadores e surfistas, juntos, podem lutar contra a pesca industrial da tainha e assegurar o futuro desse tipo de pesca exclusivamente para o pescador artesanal. Sem brigas, sem proibições e sem discriminação.

Se essas duas categorias parassem de brigar e passassem a se unir para lutar a favor de nossas praias e do nosso mar, muita coisa poderia mudar, e para melhor. E precisa mudar! A preservação e o uso inteligente dos recursos do mar devem ser urgentemente reavaliados e evoluídos, caso contrário a pesca pode realmente acabar.

Independente de tudo isso, o que não pode mais acontecer, é o clima de agressividade e essa guerra (as vezes fria e as vezes bem quente) entre surfistas e pescadores. A realidade atual, com surfistas sendo ameaçados e até apanhando na beira da praia, com pranchas sendo destruídas sem piedade, é totalmente inaceitável. Durante os melhores meses do ano (para a pesca e para o surf) um clima chato de ameaças e agressões ainda impera em u ma grande parter das praias catarinenses. A radicalidade e o coronelismo nativo não podem mais prevalecer sobre o bom senso e sobre as leis, muito menos contra um esporte saudável e ecológico. Surfistas e pescadores são os dois grupos de pessoas que mais tem contato, respeito e amor ao oceano. E devem achar um meio pacifico de lidar com a questão.

Esperamos que todas entidades envolvidas (IBAMA, Capitania dos Portos, Ministério da Pesca, Fecasurf e Associações de Pesca) acabem de vez com essa situação ridícula de proibir as praias para as pessoas de bem e que se acabe esse “apartheid da parafina”. E que as autoridades legais,
Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal e Ministério Público ajudem a reestabelecer a paz.


FIQUE LIGADO!


Atualmente, as praias são liberadas ou proibidas de acordo com cada região. Algumas praias sinalizam se haverá pesca ou surf através de bandeiras de sinalização. Quando há cardumes na região, bandeiras são hasteadas informando a proibição do surf. Com o mar grande, quando sair de barco torna-se perigoso, as bandeiras são baixadas e a praia liberada para o surf. Em outros locais rola um sistema de cores: bandeira branca: surf; bandeira vermelha: pesca.

Se você for ameaçado ou agredido física ou moralmente, procure seus direitos de cidadão. Vá até a delegacia de polícia e registre um Boletim de ocorrência. Se a delegacia se negar a registrar o B.O., procure o Ministério Público, a Polícia Federal e ligue para a imprensa.  Só não fique calado, pois esse tipo de atitude só contribui para que a violência seja perpetuada. Como diz o ditado “ninguém vai subir em cima de você, a menos que você se deite.”



Outros textos que vale a pena você ler:

A farra do surfista

O lado dos pescadores

Pescadores x Surfistas

A triste realidade sobre a pesca da tainha

Administração de conflitos no mar de Santa Catarina


9 de junho de 2011

Mais uma manhã nas ondas do Rosa

Quinta-feira, 9 de junho.

O dia amanheceu com uma brisa de sul e swell de sudeste. Na Praia da Silveira, em Garopaba (SC) as direitas de um metro e meio marchavam perfeitas em direção a praia. E para o desespero dos surfistas locais e dos turistas, a praia estava fechada para o surf.

Pela terceira vez esse ano, o “acordo” está sendo desrespeitado pelos pescadores. Explico: Mesmo não existindo lei alguma que proíba as pessoas de entrar no mar, por causa da pesca da tainha, existe um acordo onde ficou acertado que com ondas de até meio metro, o mar é dos pescadores e os surfistas não podem entrar na água. E com as ondas passando de meio metro, o mar é dos surfistas, já que as canoas não conseguem entrar no mar. Mas como bem sabemos, algumas pessoas dotadas da “autoridade” de liberar ou não a prática do surf, abusam dessa autoridade. Aqui em Garopaba os pescadores é que mandam nas praias (que deveriam ser um território livre), e atletas profissionais e amadores ficam sem poder surfar e sem treinar. Esportistas (praticantes de surf, body board, stand-up, kite, longboard, body surf, etc) ficam prejudicados em nome da “tradição” de fechar as praias só para os pescadores na época da pesca da tainha. Em dias de ventos do quadrante sul, quem quer surfar, tem que sair da cidade. E foi o que fizemos.

Depois de rodar alguns quilômetros, gastando uma gasolina que anda bem cara, fomos novamente para Imbituba onde encontramos boas condições de surf na Praia do Rosa: ondas de 3 a 6 pés, lisas e proporcionando belos drops no canto sul da praia. É bem verdade que as ondas estavam cheias e fechando um pouco, mas durante toda a manhã, verdadeiros expressos foram surfados.

Parabéns a Imbituba, que sabe muito bem quanto dinheiro representa suas praias cheias de surfistas durante o inverno. E quantos votos os surfistas representam.














8 de junho de 2011

Enquanto isso, na Praia do Rosa

Praia do Rosa hoje pela manhã.

Ondas de 3 a 4 pés, abrindo e bem constantes, fizeram a cabeça dos pouco mais de 20 surfistas que aproveitavam a manhã com boas ondas e praia liberada para o surf. Vale ressaltar que Imbituba vem dando um belo exemplo de como o surf e a pesca podem andar lado a lado, sem brigas e com muito respeito e cooperação de ambos os lados.

Abaixo algumas ondas registradas após a sessão de surf.





9 de abril de 2011

Aviso aos surfistas do Sul

Por dada_souza

O tempo passa, o tempo voa, mas a vida do pescador displicente continua numa boa.. Enquanto isso, pessoas jovens, inocentes e felizes, morrem na praia, pescadas como se fossem peixes.. É triste, é bizarro, mas é realidade.

Mal acabou o verão, e os primeiros ventos mais gelados na região sul do Brasil trazem de volta uma velha preocupação: é época de se cuidar com as redes de pesca. Já durante o outono, muitas redes foram avistadas em toda a costa do Rio Grande do Sul, algumas abandonadas na praia, outras presas nos pilares da plataforma ou ainda o tipo de rede mais perigosa, as que arrebentam e ficam vagando com as correntes marinhas. Esse tipo de pesca, antiquada e perigosa, é o pesadelo de milhares de cidadãos, que querem praticar o surf e outros esportes aquáticos e não podem. Isso porque essa prática da pesca com redes de calão, que faz com que surifistas fiquem presas às redes, já matou 49 pessoas no Estado do Rio Grande do Sul, o que torna essa região, a mais perigosa do mundo para a prática do surf.

O surf no Rio Grande do Sul já matou muito mais gente do que os ataques de tubarão do nordeste, e ninguém fala nada. Os pescadores são muito organizados politicamente continuam praticando essa modalidade de pesca antiquada e perigosa porque sabem mostrar aos políticos quantos votos representam.

A única alternativa que se espera, é que o governo mande retirar as redes do mar. Se esse tipo de pesca está matando pessoas inocentes, e já matou 49, deve-se sim acabar com esse tipo de pesca. Pelo menos nas praias mais movimentadas. É o mínimo que se espera do poder público.

ALGUMAS REGRAS BÁSICAS DE SEGURANÇA

1. SURFE APENAS EM ÁREAS SEGURAS E NAS PRAIAS MAIS MOVIMENTADAS.
2. CONHEÇA O MAR, AS CONDIÇÕES E A CORRENTEZA QUE VOCÊ VAI ENFRENTAR
3. PERGUNTE AOS LOCAIS SOBRE A LOCALIZAÇÃO DAS REDES
3. FAÇA UM RECONHECIMENTO DA ÁREA DE SURF CAMINHANDO NA PRAIA A FAVOR DA CORRENTEZA, PROCURANDO POR REDES E CABOS.
4. LEASH SEMPRE REVISADO.
5. PROCURE ENTENDER O FUNCIONAMENTO DAS REDES E DA PESCA COM CALÃO.
6. PROCURE NÃO SURFAR SOZINHO.
7. MATENHA A CALMA NOS MOMENTOS DE RISCO.
8. DENUNCIE QUANDO AVISTAR REDES ABANDONADAS NA PRAIA

O surf é profissão, carreira, esporte e o hobby de centenas de milhares de pessoas e merece o devido respeito. Se você é surfista, se você eventualmente surfa no Rio Grande do Sul ou se simplesmente se importa com esse assunto, procure participar do movimento contra as redes de pesca, pressione o poder público, denuncie, pressione as autoridades e representantes e mostre sua força política. Não fique alienado a esse problema, pois eu, você ou nossos amigos podem ser as próximas vítimas. Sem pressão, as mortes vão continuar.

3 de novembro de 2010

Triste dia de finados


Terça-feira, 2 de novembro. Feriado de Finados.

Um dia de sol, água limpa e transparente. Um dia lindo para homenagear as pessoas queridas que foram desta para uma melhor. Meu dia começou cedo e fui surfar. Depois de duas quedas, uma delas bem demorada, passei na Praia da Vigia para lançar ao mar algumas flores, cheias de saudade, dedicadas a pessoas muito queridas que se foram.

Cheguei em casa exausto, mas feliz.

Até ligar a internet.

MORRE ANDY IRONS, O GRANDE CAMPEÃO DE SURF

A primeira notícia caiu como uma bomba: Andy Irons morreu. Parecia pegadinha, trote ou algum vírus de computador. Um dos maiores e melhores surfistas do mundo, o único cara que não se rendeu a dinastia Slater, um havaiano que surfou como ninguém as maiores e mais perigosas do mundo, noticiado como morto pelo mosquito da dengue. Não podia ser verdade. Andy era novo (32 anos), forte, um atleta de alto desempenho. Não fazia sentido.

Andy Irons sempre colocou muita paixão em tudo o que fez. Sua atitude, sua técnica, seu estilo e seu power surf o colocaram num patamar nunca antes alcançado. Andy foi tão bom, que motivou Kelly Slater a voltar a competir. Aliás, os dois foram grandes rivais. A mídia surf adorava ressaltar essa rivalidade. Enquanto Kelly era o mocinho, Andy foi o “bandido” sedutor e talentoso. Um matador nato! Por 3 vezes campeão mundial de surf pela ASP, Andy significou muita coisa para muita gente: foi competidor, foi ídolo, foi marido, foi um monstro e foi um ícone. Poucos surfistas na história tiveram tanta força e tanto poder como o havaiano A.I., que influenciou de maneira muito forte o surf mundial. Sua carreira foi meteórica até que em 2009, Andy se afastou do tour devido a um suposto problema com drogas. Ele queria colocar a cabeça no lugar e recuperar seu foco.

Hoje, 3/11/2010, uma noticia de que teria sido encontrado em seu quarto alguns remédios a base de methadone. Segundo os profissionais da saúde, uma medicação errada pode piorar ainda mais o quadro de uma pessoa doente. Mas enfim, ainda não sabemos o que realmente aconteceu, só sabemos que essa perda foi muito grande. A notícia ainda dói. Principalmente sabendo que Andy deixa sua mulher Lyndie grávida de 8 meses.

A segunda notícia me deixou muito triste, e muito indignado.

MORRE MAIS UM SURFISTA EM REDES DE PESCA NO RIO GRANDE DO SUL

Thiago Rufatto, 18 anos, foi o 49° surfista morto em redes de pesca no Rio Grande do Sul.

Desculpem o desabafo, mas PQP!! 49 pessoas mortas e ninguém faz nada???

Que governo é esse que aceita que pessoas jovens, de bem, que saem alegres para pegar algumas ondas e fazer um esporte sadio e popular, morrem em redes de pesca que ficam abandonadas na praia???? Que políticos são esses??

E vocês sabem por que? Porque os pescadores se organizam, mostram quantos votos representam e, assim, convencem nossos políticos a deixar as redes na praia. Parece surreal, mas é verdade.

Surfista não é peixe, e não pode ser pescados e mortos por redes de pesca. Isso é bizarro, é primitivo, e é um crime contra a vida de pessoas inocentes. Os pescadores e as cidades litorâneas podem e devem ser processados e punidos por isso. Pescar e matar gente não é pesca, é assassinato.

A prática de pescar com redes de calão é arcaica, antiga e ultrapassada, onde os pescadores cravam um calão (um pedaço de madeira) na praia, e jogam suas redes ao mar, na zona de arrebentação, e as amarram nesse calão na areia. Depois vão pra casa, ver TV, enquanto as redes ficam esticadas por dias e acabam matando pessoas inocentes.

Segundo pesquisas realizadas pelos surfistas, 99% de todos os pescadores que pescam com rede de calão não são profissionais da pesca. Eles tem outras atividades e não sustentam suas famílias exclusivamente da pesca.

Eu já fui em passeata, já fui na assembléia legislativa do RS e em diversas reuniões com surfistas, empresas e entidades, e posso lhes dizer; a briga é injusta e os resultados idem.

Primeiro, porque os surfistas são incapazes de se organizar e mostrar quantos votos representam. Na grande maioria, são pessoas egoístas, que só querem pegar suas ondas (ou tirar onda) e que não lutam nem pela saúde de suas praias e nem pela segurança do seu esporte. A verdade é essa, doa a quem doer.

Enquanto os pescadores mandam representantes de cada região do estado, com pastas contendo a quantidade de votos diretos e indiretos gerados pela tribo dos pescadores, da tribo dos surfistas aparecem uma meia dúzia super bem intensionada, mas incapaz de vencer a organização dos pescadores. Alguns nem se expressar direito sonseguem.
É quase a história da formiga e da cigarra. Um grupo trabalha e se garante (os pescadores) e o outro fica só tirando onda e no final se fode (os surfistas).

E aqui eu não falo da entidade FGS ou das pessoas que estão indo na Assembléia. Essas pessoas brigam pelo surf e pela nossa segurança a muitos anos. São guerreiros e são heróis. Eu falo é da grande massa do surf: os surfistas, o mercado, as empresas. Cadê o esforço conjunto?
Eu respeito demais o trabalho incansável dessa galera que luta para acabar com essa prática (Virgilio Panzini de Matos, Orlando Carvalho – FGS e a galera do surf seguro), mas ainda precisamos de mais representação (Número de votos) na mão dessas pessoas para finalmente extinguir essa prática assassina de nossos mares. Sem isso, nossos guerreiros ficam desarmados diante do arsenal de votos trazidos pelos pescadores. Não queremos áreas de surf, queremos o fim dessa atividade sem sentido e assassina.

Porque vamos ser sinceros, delimitar áreas de surf e de pesca não adianta nada quando temos um litoral de mar aberto e com fortes correntezas. No litoral gaúcho, num dia de mar grande, com vento sul e swell de sul, você pode facilmente atravessar diversas áreas e até passar por várias diferentes praias, sendo levado pela corrente marítima. Lá no outside, ninguém consegui enxergar o pedaço de pau cravado na areia (que delimitam a áreas de surf, banho e pesca). e nem consegue sair do mar a tempo de chegar numa área de risco, pois os surfistas são arrastados pelas correntes.

Vale lembrar que as redes de pesca no litoral do Rio Grande do Sul são as responsáveis pelo maior índice de mortes relacionadas ao surf. Mais do que tubarões, ondas gigantes ou corais afiados ao redor do mundo.

Mas enfim, paro por aqui porque a tristeza é grande. E a indignação também.

Mas fica a mensagem: Ou nos organizamos, ou vamos continuar perdendo essa guerra para os (pseudo) pescadores.

Esse dia de finados foi realmente um dia muito triste para o surf gaúcho, brasileiro e mundial. E por isso estamos de luto.

Dadá Souza
SurfOnLine