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22 de outubro de 2019

TEMPERO PORTUGUÊS NO MOLHO HAVAIANO


Era uma vez um grande surfista, um grande campeão do esporte, que na penúltima etapa do ano já estava com uma mão e meia no caneco e com o seu 3º título praticamente na conta. Vinha surfando tão mais que seus adversários, que não havia dúvidas no ar. Ninguém podia pará-lo. Ninguém sabia como pará-lo. Já ia rumo a sua 4ª quartas-de-final consecutiva, em Portugal, quando caiu em sua armadilha favorita, a soberba. Ignorou o juiz de prioridade, remou na onda que os juízes disseram que não era dele e acabou sofrendo uma interferência que o tirou do campeonato. Justamente no momento em que todos os seus concorrentes ao título avançavam para as quartas de final. Um erro bobo e desnecessário, pois o campeão já tinha a vitória em mãos ou um erro grotesco do julgamento?









O juiz de prioridade pode ter errado? Claro que sim. Aliás, muita gente afirma que sim. Sabemos que juízes erram e na WSL eles erram bastante e que nunca consertam seus erros. Um competidor pode ignorar o juiz de prioridade? Claro que não.

Todos nós sabemos que Gabriel Medina adora essas disputas arriscadas, que podem resultar em interferência. O que eu não imaginava é que tão próximo de um terceiro título, ele fosse fazer isso de novo. Mas ele fez. E por mais que os fãs do Gabriel gritem e esperneiem, foi um vacilo dos grandes. Quem quer ser campeão não pode ficar "achando" que tem a prioridade. É preciso ter certeza. E entre uma onda e outra os dois surfistas tiveram tempo de sobra para olhar o placar da prioridade e ter essa certeza. Passar por cima do julgamento foi um erro bobo principalmente porque foi desnecessário, a bateria estava ganha. Ao ignorar a prioridade, Medina deu, de presente, o que a WSL tanto queria: uma final em pipe disputadíssima.

No instagram Medina postou um vídeo afirmando que a prioridade era dele e uma avalanche de fãs e de haters fizeram as redes sociais ferverem a tal ponto que até o Caio Ibelli e sua família foram ameaçados, difamados e praguejados. Ondas ruins na europa. Ondas de imbecilidade por aqui. 

Como a popularidade do Gabriel é enorme (o brasileiro tem mais seguidores do que a WSL, o John John Florence e o Kelly Slater somados), ele certamente colocou uma pressão na WSL, mas será que foi inteligente ou político da parte dele postar esse vídeo? Ao querer dar uma de “Juiz de redes sociais” o Medina não corre o risco de criar uma birra com os juízes? Posso estar errado, mas pessoas que reclamam não são lá muito bem vistas pela WSL.

Tanto Caio quando Medina tinham certeza de suas prioridades. O Caio porque viu no palanque e o Medina porque tinha a certeza de ter chegado antes no pico. Claro que o Medina não podia ter feito o que fez ao ignorar a prioridade, foi um erro bobo do Gabriel passar por cima do juiz de prioridade, mas se teve um lado que errou bastante nessa história toda foi a própria WSL, essa empresa que normalmente não explica, não comenta e não esclarece nada; Pode ter havido um erro do juiz de arbitragem, essa é uma das possibilidades mais prováveis (a WSL nega); houve um erro do Strider ao declarar publicamente, antes do pronunciamento oficial, que a bateria deveria voltar para a água; e o tradicional silêncio da fechada WSL durou tempo demais, deixando a internet explodir em comentários violentos e desnecessários. São muitos os erros. Por ação e por não-ação.

As vezes tenho a impressão de que nessa ânsia da WSL em buscar o grande público ignora completamente o público core, uma estupidez tremenda. Basta dar uma olhada na audiência dos eventos da WSL no facebook para ver que nem o público core nem o grande público estão assistindo. Provavelmente porque tem sido difícil acreditar na WSL. Provavelmente porque alguns resultados, dramas e intrigas parecem mais artificiais demais. Provavelmente porque alguns resultados, dramas e intrigas são carinhosamente escondidos ou maquiados. Fica aqui a impressão de que hoje o surf é um esporte muito maior e muito menos respeitado.

Independente do resultado em Portugal nosso campeão cabeça-dura surfa Pipe como um gênio e continua sendo o franco favorito ao título. Sorte dele, porque erros assim seguidos normalmente custam um caneco.

Aguardemos as finais do evento. A etapa de Portugal não tem mais chances de coroar um campeão mundial antecipado, mas definitivamente adicionou pimenta, sal, alecrim e um bom azeite português nesse molho de Pipe. Filipe Toledo pode sair de Supertubos como líder do ranking e todos os concorrentes ao título estarão embolados em Pipe. A disputa do título vai até a última onda.

Solidariedade a família Ibelli e parabéns aos surfistas que tiveram a dignidade de falar em defesa do Caio. As vezes a nobreza aparece mais nas belas atitudes do que no título em si.

A propósito, depois do tubarão em J-Bay a interferência do Medina não foi um dos maiores momentos da audiência da WSL?



5 de abril de 2018

HELLS BELLS! ITALO CAMPEÃO, LÍDER DO RANKING E FANNING FORA DO TOUR

WSL / KIRSTIN SCHOLTZ



O Rip Curl Pro Bells 2018 terminou em grande estilo nessa quinta-feira, 5 de abril, com a emocionante final entre Italo Ferreira (BRA) e Mick Fanning (AUS). Já seria uma grande final tanto pelo que os dois vinham apresentando durante todo o evento, como pela qualidade das ondas, mas esse duelo culminou na primeira vitória de Italo Ferreira no circuito mundial e na aposentadoria de Mick Fanning, um dos maiores nomes da história do surf mundial.




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HELLS BELLS

Bells Beach é uma das ondas mais famosas do mundo. Suas direitas longas e perfeitas encantam os homens há décadas. Bells é também o palco de um campeonato clássico, a etapa mais antiga e tradicional do circuito mundial que desde 1961, sempre na Páscoa, recebe esse evento. A partir de 73 o campeonato de Bells passou para o status de evento profissional e desde então a história do surf mundial tem passado pelas linhas de Bells Beach. O troféu dessa etapa, o famoso Sino, é um dos troféus mais desejados do ano porque nessa onda meus amigos, não é qualquer um que vence.  

Todos conhecem a fama, a perfeição e a importância das ondas de Bells e Winkipop, ondas que testam as curvas e as habilidades dos competidores e que constroem a reputação de um surfista.

Competir em Bells é especialmente difícil porque não dá muita margem para erros, porque raramente prestigia os goffies e porque não revela seus segredos para os iniciantes do tour. Umaonda linda se se ver, ótima de se surfar, mas  uma onda difícil de competir. Velocidade, leitura de onda, técnica apurada, equipamento correto, talento... todos os atributos serão exigidos e serão necessários.

Quando as ondas estão realmente boas, tanto Bells quanto Winkipop são ondas fenomenais, mas geralmente as ondas podem ser bem cheias e foi o que aconteceu durante quase todo esse evento. O que poderia ser um espetáculo de grandes ondas e de grandes manobras virou um monótono campeonato de rasgadas e cutbacks.  E quase poderíamos resumir o campeonato a isso se não fossem três nomes: Italo Ferreira, Filipe Toledo e Gabriel Medina. Não é ufanismo, é pura constatação. Esses três surfistas, mesmo que os resultados digam outra coisa, surfaram com outro nível de agressividade e velocidade. Mick Fanning esbanjou técnica, experiência e mostrou que vai se aposentar ainda tendo um dos mais altos níveis de surf do mundo.





FINAL DAY


No último dia de competições ondas grandes, pesadas, perfeitas e os surfistas finalmente tiveram pistas a altura de uma final em Bells.

Apesar do evento todo morno, o último dia de competições apresentou ondas bem melhores e as grandes manobras começaram a sair. 

QUARTAS

O dia abriu com as quartas de final masculina. Patrick Gudauskas (USA) fez uma belíssima apresentação, sua melhor no tour até o momento, e venceu Michel Bourez (PYF) de virada por 11.67 a 11.44; Mick Fanning (AUS) surfou muito bem na bateria contra Owen Wright (AUS) e venceu a disputa por 13.77 a 9.33. A galera delirava na praia a cada onda de Fanning; Italo Ferreira (BRA) foi monstruoso em sua bateria contra Ezekiel Lau (HAW) e ganhou a disputa por 17.86 a 11.50; Gabriel Medina (BRA) derrotou o português Frederico Moraes por 15.73 a 15.00. Uma bateria bastante disputada, mas com sutis, mas grandes diferenças na linha de surf de ambos os atletas. 

SEMI

Na primeiro a bateria da semi, Mick Fanning venceu o norte-americano Patrick Gudauskas por 16.50 a 9.67. Fanning dominou a bateria e surfou com muita superioridade. O melhor soldado australiano do primeiro ao último dia... Veja essa bateria aqui

Na segunda semi um duelo brasileiro Italo Ferreira x Gabriel Medina. Medina já tinha vencido duas. Italo, talvez por isso, com muito mais vontade. Gabriel surfou muito forte e somou 6.50 e 7.60. Italo surfou muito mais forte e somou 9.17 e 6.83. Vitória arrasadora (e na hora certa). Veja essa bateria aqui




OS FINALISTAS

Italo e Fanning chegaram nas finais com méritos incontestáveis. Ambos fizeram um campeonato arrasador em Bells. O australiano de frente e o brasileiro de costas para a onda. Um começando sua carreira no circuito mundial, outro encerrando seu ciclo como competidor. Tanto Italo e Fanning se destacaram em suas chaves e chegaram à grande final com favoritismo. Isso mesmo, ambos! Italo apesar de ser goofy footer e até então sem vitórias no tour, estava surfando muito mais que todo mundo. Mick Fanning também chegou à final surfando muito bem, mas era um mestre nesse tipo de onda e fecharia ali sua carreira como competidor full time do tour. Italo na dura batalha de fazer um goofy footer vencer em Bells (coisa rara) e Fanning se preparando para uma grande festa no evento de seu patrocinador, na onda que o lançou para o mundo e com uma torcida apaixonada na praia. Felizmente a final proporcionou boas ondas para ambos os surfistas que definitivamente mostraram porque estavam fazendo a final do evento. Fanning surfou com maestria. Italo surfou para vencer.  Uma final que muitos nunca esquecerão.

Italo Ferreira começou o ano com um 13º na Gold Coast, foi campeão em Bells e agora está empatado com Julian Wilson na liderança do ranking mundial (surfando muito mais do que o australiano, diga-se de passagem). Também vale dizer que o Italo, até o momento, mostrou uma superioridade incrível nas duas primeiras etapas e vem se mostrando uma “fábrica de high scores” em qualquer condição de mar. Vai para Margaret River com confiança e com a lycra amarela.





OS CAMINHOS QUE LEVARAM ATÉ A FINAL

Italo estreou no Round 1 perdendo para o Gabriel Medina, os dois surfando muito bem; No Round 2 Italo eliminou com facilidade seu antigo rival Michael Rodrigues (BRA); No Round 3 eliminou o brasileiro Filipe Toledo em uma bateria-espetáculo; No Round 4 passou em segundo, novamente atrás de Gabriel Medina; Nas quartas de final Italo derrotou Ezekiel Lau (HAW) que vinha fazendo um excelente evento; Na semifinal Italo virou o jogo contra Medina na hora certa e venceu Medina ; e na final Italo venceu o australiano Mick Fanning no dia da sua festa de aposentadoria. Uma campanha muito forte, sempre com excelentes apresentações, sempre surfando com força, velocidade, agressividade e radicalidade. Mais dentro do critério impossível.

Fanning estreou com vitória no Round 1; venceu Sebastian Zietz (HAW) no Round 3; venceu Gudauskas (USA) e Wilko (AUS) no Round 4; eliminou Owen Wright nas quartas; derrotou Patrick Gudauskas (USA) na semi fazendo uma grande bateria e só só foi vencido na final diante da explosão do surf de Italo Ferreira. Um grande evento, uma grande carreira, muitos grandes exemplos e o mundo do surf todo reverenciando esse que foi um dos maiores nomes do surf mundial.

Essa foi a primeira vitória de Italo Ferreira no tour, a segunda de um brasileiro em Bells Beach, e a 32ª vitórias brasileira no circuito mundial.



WSL / ED SLOANE


PALAVRAS DO ITALO:

“Eu nem consigo acreditar ainda nisso tudo. É incrível, a minha primeira vitória, o Mick Fanning é meu ídolo, nossa, estou muito feliz”

“Eu tenho trabalhado duro nos últimos anos. Lembro da minha primeira final com o Filipe (Toledo) em Portugal (em 2016), estava tão perto da vitória, mas agora consegui. O ano passado foi difícil pra mim, por causa da minha lesão depois da Gold Coast, que me deixou de fora por dois meses. Foi terrível e trabalhei muito forte para me recuperar, então agora é o melhor sentimento, muita felicidade pela vitória neste lugar incrível e contra um cara iluminado na final, um herói”

“Eu só quero dizer obrigado Deus e dedicar essa vitória a minha família, minha namorada e todas as pessoas que tem me apoiado ao longo desses anos”

“Eu sou uma pessoa muito feliz por ser este o meu trabalho e eu só tentei fazer o meu melhor nas ondas que surfei em cada uma das baterias. Eu sabia que tinha que continuar assim na final e o Mick (Fanning) é um dos meus surfistas favoritos, o melhor concorrente e só tenho que agradecer a ele por tudo que já fez para o nosso esporte”


WSL / KELLY CESTARI



PALAVRAS DO FANNING

“Foi um momento muito especial poder estar na final com toda essa torcida e melhores amigos aqui, mas estou feliz em ver o quanto essa vitória significou para o Italo (Ferreira), foi uma das melhores coisas que eu já vi em Bells”
“Foi muito divertido surfar com todos que competi nesse evento, o Seabass (Sebastian Zietz), o Paddy Gudang (Patrick Gudauskas), o Wilko (Matt Wilkinson), o Owen (Wright). Foi realmente especial porque me sentia surfando com um amigo e foi incrível ver e sentir todo o apoio dos fãs. Obrigado a todos que tornaram isso tão memorável, foi uma carreira incrível e agradeço a todos”.



MENINAS

Entre as meninas o título ficou entre a brasileira/havaiana Tatiana Weston-Webb e a australiana Stephanie Gilmore (AUS). Também entre as meninas um duelo de gerações. Tatiana surfou bem, mas a vitória (apertada) ficou com Stephanie Gilmore. 

Abrasileira Silvana Lima fez um excelente evento em Bells, finalizou na 3ª colocação e é a atual Top 7 do ranking.






BAFORADAS

Que início de ano do Italo. Mostrou superioridade nas duas primeiras etapas, surfou bem, competiu bem e mostrou tanto na Gold Coast quanto em Bells sua principal característica: ele nunca entra no mar para perder

Que emocionante ver um grande ídolo do esporte como o Mick Fanning se aposentar do tour. Dentro e fora d´água um grande surfista, um grande competidor e um grande campeão. Teria sido o final de carreira mais perfeito da história (com vitória e com a liderança do ranking) não fosse um potiguar arretado.

A Surfer Magazine fez um tributo fotográfico para o Mick Fanning. Recomendo https://www.surfer.com/features/a-tribute-to-mick-fannings-historic-career/https://www.surfer.com/features/a-tribute-to-mick-fannings-historic-career/

Não fossem os juízes haveriam brasileiros nas duas primeiras finais do ano, afinal o Tomas Hermes venceu aquela semi contra o Ace


O ranking atualizado pode ser visto aqui

9 de abril de 2015

Faning vence em Bells e divide a liderança do ranking com Filipe Toledo


O australiano Mick Fanning venceu o brasileiro Adriano de Souza na grande final do Rip Curl Pro Bells Beach, realizada agora há pouco na mítica onda de Bells Beach, Austrália.
Mineiro e Fanning fizeram uma grande campanha em Bells, ambos estavam bem sintonizados  com as difíceis condições do mar e realmente mereceram as duas vagas na grande final. A bateria foi super disputada e o confronto terminou empatado, com a vitória do australiano no desempate. O resultado para muitos foi polêmico, principalmente quando Adriano de Souza precisava de 7.78 para virar o resultado, fez 6 manobras em uma onda e ganhou 7.77 uma nota que talvez convenientemente dava o empatemas que não dava a virada da bateria para o brasileiro.  Polêmicas a parte, Fanning venceu a competição, conquistou o tetra-campeonato em Bells (empatado com Slater) e agora está empatado com Filipe Toledo na liderança do ranking mundial.

17 de outubro de 2013

Kai Otton vence o Rip Curl Pro Portugal



Com ondas de 1 metro a 1 metro e meio em Supertubos, a organização do Rip Curl Pro Portugal colocou na água logo cedo as baterias do Round 4, Round 5 e Quartas-de-final.  Depois de uma pequena pausa, decidiu-se colocar na água também as finais. Foi uma maratona de surf e algumas ótimas ondas surfadas.

As ondas estavam regulares, mas muitas séries vinham com ótimas ondas. Quem foi esperto aproveitou. Quem deu bobeira passou a bateria toda esperando as ondas que não vieram. Além do talento e da performance, os surfistas também precisaram de um pouco de sorte. Ok que a sorte não ganha campeonato. Mas a falta de sorte com certeza não ganha. Que o diga o Mick Fanning, que estava prestes a levantar o caneco ainda em Portugal e agora vai ter que disputar o título no Hawaii. Kai Otton venceu Mick Fanning nas quartas de final e de um pouco mais de esperanças a Kelly e Jordy. Quem ficou triste foi a turma da Rip Curl, que provavelmente mandaram devolver as champagnes da vitória.

Kai Otton fez uma excelente campanha em Portugal e mereceu o título do evento. O australiano vem fazendo um ótimo ano de competições e o Rip Curl Pro premiou um dos melhores surfistas do evento. Ottz venceu Mick Fanning  e Joel Parkinson, dois dos pretendentes ao título de 2013.  Essa foi a primeira final de Kai Otton e a festa hoje com certeza é australiana.

Nat Young, 2013 Rookie of the year

Nat Young venceu o 2013 Rookie of the Year, prêmio dado ao novato melhor classificado na temporada. Com o resultado em Portugal, o norte-americano conquistou o prêmio antecipadamente. Sebastian Zietz e Filipe Toledo também fizeram um excelente ano de estreia no tour e também merecem parabéns. Não venceram o prêmio, mas é quase como se tivessem vencido.

O brasileiro Miguel Pupo foi o melhor brasileiro em Portugal, mas acabou se despedindo do evento no Round 5 da competição, quando acabou sendo eliminado pelo sul-africano Jordy Smith, que pegou as melhores ondas da bateria. Foi bacana ver o Miguel Pupo destruindo as ondas com confiança. Em Pipe ele vem com tudo. Pode anotar.

Taj Burrow acabou eliminado por Josh Kerr na última bateria do Round 5 e se despediu do evento e das chances de título. Taj continua sendo um possível futuro campeão mundial. 

Gabriel Medina venceu a expression session e levou os mil euros do prêmio.

Visual da bancada de Supertubos


QUARTAS

Julian Wilson (AUS) 14.90 x Joel Parkinson (AUS) 15.07 - Uma bela bateria que confrontou dois grandes surfistas. A bateria começou com notas baixas e Joel começou liderando, Julian passou na frente, Parko retomou a liderança e foi assim até o fim. Julian surfou bem e na última onda pegou uma boa direita, manobrou forte, e denovo, e denovo, e mais uma, só errou no aéreo de finalização, quando caiu comemorando. Depois disso Julian foi pra baixo do palanque, pediu nota, implorou nota, mas não levou. Nessa bateria os juízes apareceram tanto quanto os atletas. Foi difícil de entender como os juízes não deram a vitória ao Julian Wilson. Joel Parkinson parece que venceu surfando menos, mas foi o primeiro surfista a se classificar para a semi.

Mick Fanning (AUS) 9.43 x Kai Otton (AUS) 10.00 – A bateria começou com poucas ondas boas. Aliás, foi um abateria toda sem boas ondas. Mick Fanning começou vencendo com uma média 5.68. Faltando 10 minutos para o final, Kai Otton pegou uma boa onda e passou a frente.  Ottz vem fazendo um excelente ano e também está consistente. Fanning lutou. Ele é um grande lutador e estava a uma bateria do título mundial. Mas as ondas não entravam. Faltando 1 minuto Kai Otton estava com a liderança e com a prioridade nas mãos e garantiu a vitória. Graças ao Ottz, a briga pelo título agora será decidida na última etapa, em Pipeline, Hawaii.

O Kelly agradeceu: #CookieCutterShark. Small creature but symbolic of #BeastMode. Thank you@ottz16. I know you're just doing your job but I owe you one. Things just got way more interesting for the finish of the year. Counting my blessings. #DoSomething as@jboygomes would say. #OccupyPipeline #PipeMasters2013

Nat Young (USA) 15.10 x Jordy Smith (ZAF) 14.54 – Outra bateria com poucas ondas. O Rookie of the year Nat Young saiu na frente e segurou o resultado até o finalzinho da bateria. Jordy Smith lutou e tentou virar o resultado, mas os juízes não valorizaram muito. Nat Young venceu e carimbou a terceira vaga da semi.


CJ Hobgood (USA) 8.56 x Josh Kerr (AUS) 10.67 – CJ Hobgood começou na frente com notas 5.33 e 3.23. Apesar de Josh Kerr ter começado a bateria surfando melhor, foi só na metade da bateria conseguiu virar o resultado a seu favor. E não saiu mais da liderança. CJ não achou nenhuma onda boa e Josh Kerr foi para a semi.

Kai Otton fez sua primeira final no World Tour


SEMI

Joel Parkinson (AUS) 12.23 x Kai Otton (AUS) 14.83 - Kai Otton abriu a bateria com um 6.17. Parko começou com 3.73 e 8.50 e assumiu a liderança. Kai Otton reagiu e marcou 7 pontos em uma esquerda regular. Na sequência Ottz pegou outra boa esquerda, executou três manobras e aumentou a diferença: 7.83  Faltando 8 minutos, Joel Parkinson precisava de 6.33. Faltando 3 minutos Joel tentou uma reação mas o dia era mesmo de kai Otton, que vai fazer a sua primeira final no tour.

Nat Young (USA) 14.07 x Josh Kerr (AUS) 10.66 – Nat Young começou a bacteria impondo seu ritmo. Marcou 7.50 e 6.57. Mostrou um surf fluido e radical. Josh Kerr começou o heat com 6.83. Faltando 8 minutos para o término, Josh Kerr consegue sua segunda nota: 3.83. O australiano continuava precisando de 7.25 para virar. E ficou esperando. Nat Young faz a sua segunda final esse ano.



FINAL


Kai Otton (AUS) 12.23 x Nat Young (USA) 11.03 - Duelo goofy na grande final. E nunca antes um goofy footer havia vencido em Portugal. Kai Otton começou a bateria com um 6.33. Nat Young começou com 4.00 e 2.00. As ondas não estavam boas. Ottz pegou uma boa direita, mandou 3 manobras com velocidade e marcou 5.90. Faltando 13 minutos Nat Young dropou uma esquerda,pegou um tubo e na saída mandou um bonito cutback: 5.43. Kai Otton, que não é bobo, dropou uma boa esquerda, cavou bonito e mandou um aéreo rodando. Uma manobra só: 5.50. Mas ele chamou a atenção para seu surf. E faltando 5 minutos, Kai Otton tinha a prioridade e Nat Young precisava de 6.63. Nos últimos minutos, Nat Young vendeu uma onda para o australiano que teve que ir. Com a prioridade nas mãos, o norte-americano esperou a boa. Nos últimos segundos, Nat dropou uma direita, mandou a primeira manobra e caiu. Kai Otton se consagrou como o grande campeão do Rip Curl Pro Portugal. 



Com o término da penúltima etapa do ano, o ranking está assim:

Mick Fanning é o líder e só um milagre tira o título de suas mãos. 
Kelly Slater, Joel Parkinson e Jordy Smith tem que vencer em Pipeline e torcer para que o Mick Fanning perca logo no início da competição. Mas, milagres existem. Principalmente quando falamos no Hawaii.

1 Mick Fanning 51900
2 Kelly Slater 45900
3 Joel Parkinson 
4 Jordy Smith 39700
5 Taj Burrow 39400
9 Adriano de Souza 29250
15 Gabriel Medina 23750
16 Filipe Toledo 23150
26 Miguel Pupo 10250
28 Alejo Muniz 9000
33 Raoni Monteiro 6500
35 Willian Cardoso 6200
36 Tiago Pires 5250
38 Heitor Alves 1750





16 de outubro de 2013

Enquanto isso, em Portugal

Julian Wilson mandou um fu%@#ing big air e conquistou uma nota 10 dos juízes. Foto ASP/Cestari

Por: Dadá Souza

Meu amor pelo surf é incondicional. Quem fala isso é a minha esposa. E faz sentido. Acordar as 4 da manhã, para ver campeonato de surf com ondas ruins, baterias mal julgadas e com o webcast falhando. Só sendo muito apaixonado mesmo. Ou bobo. As vezes fico na dúvida.

Depois de 8 dias de evento, a organização do Rip Curl Pro Portugal finalmente conseguiu completar o Round 2 do evento.  E na sequência executou também o Round 3. E hoje não faltou onda. A bancada de supertubos até quando está ruim, parece bem boa de surfar. Se por um lado as ondas irregulares atrapalharam um pouco o espetáculo, por outro também foi bem legal ver todos competindo em ondas ruins, iguais as que surfamos.

Destaco o aéreo do Miguel Pupo no Round 2, o mega aéreo do Julian Wilson no Round 3 (Nota 10) e o também belo aéreo do John John Florence no Round 3. Todo o resto do evento foi um tremendo feijão com arroz sem muito tempeiro. E verdade seja dita, muito disso foi por causa das condições do mar. 

Até esse segundo dia, o grande destaque do evento tinha sido a queda de Kelly Slater, o então número 2 do ranking, que sem nenhum demérito ao português Francisco Alves (que realmente venceu essa bateria), se deu muito mais pela atitude do direitor de prova de colocar o Round 2 para surfar ondas ruins do que qualquer outra coisa. O fato é que o Kikas surfou melhor, escolheu melhores ondas e mereceu a vitória. Mas imagino o e-mail que o Slater deve ter mandado para a ASP depois dessa. 

Ondas ruins, notas (e médias) baixas, julgamentos tendenciosos e um webcast que ora ficava mudo e ora travava. Assim correu o dia hoje em Portugal. Quem estava concorrendo ao título passou de bateria sem sequer ser ameaçado, mesmo quando deveria ter perdido. O julgamento continua sendo o Calcanhar de Aquiles da ASP.

Alejo Muniz venceu Gabriel Medina em uma bela bateria. Alejo pegou duas ondas no início da bateria enquanto Medina acabou boiando mais e não achou boas ondas. 

Miguel Pupo detonou contra o americano Brett Simpson e venceu por 16.26 a 14.27. Miguel mandou um aéreo rodando alto de backside e marcou 8.93. E numa esquerda boa, mandou uma rasgada rápida, encaixou num tubo e finalizou na junção da onda e marcou 7.33.

Logo no início do Round 3 Joel Parkinson venceu Alejo Muniz em uma bateria bastante polêmica.  

Julian Wilson mandou um aéreo muito alto rodando e ganhou Nota 10 dos juízes. Foi um aéreo monstro em Supertubos.

Adriano de Souza foi vítima de um julgamento também polêmico contra Matt Wilkinson. Em sua última onda Mineiro parecia que ia virar a bateria mas os juízes não deram a nota que ele precisava.

John John Florence e Felipe Toledo fizeram uma grande bateria mas quem se deu melhor foi o havaiano, que detonou as ondas com um aéreo monstruoso rodando e espancando uma esquerdinha a la Andy Irons. Não teve muita conversa. Filipinho mandou um aéreo rodando full rotation e finalizou sem muita força na junção: marcou 6.83. Faltou também uma segunda onda para o brasileiro que boiou a bateria toda sem achar boas ondas.

Mick Fanning venceu e agora está a poucas baterias do título mundial de 2013. Só depende dele.

Miguel Pupo fez grandes apresentações em Portugal e é o único brasileiro vivo na disputa.

A propósito, Quem define o futuro do esporte e o que será válido a partir de agora? Os velhos juízes, incapazes de fazer na água as modernas manobras da nova geração? Ou serão os atletas dessa novíssima geração, que vem trazendo frescor e impondo um novo ritmo de competição? As vezes parece que os juízes estão querendo dizer a todos que eles é que sabem, que julgam e que decidem, mesmo que dentro d´água outros vejam o contrário. 



A ASP aproveitou o evento em Portugal e anunciou novo logotipo e que sua estratégia de comunicação para 2014 será feita através de parcerias com a ESPN (USA), YouTube e Facebook, para a televisão, mídia digital e mídias sociais. A parceria com a ESPN nos USA é muito importante para o surf na américa, o Youtube além de ser um dos grandes mecanismos de busca da web, pode alavancar e muito a audiência dos eventos ao vivo. Apesar de básicas, essas ações já são muitos passos a frente do que estava sendo feito até então pela entidade. 

Quem comentou o novo logo foi o @NotDaneReynolds " has found the ASP logo aking guidelines. "


8 de outubro de 2013

Rip Curl Pro Portugal



Vai começar a penúltima etapa do circuito mundial de surf 2013 em Peniche, Portugal. Mick Fanning e Kelly Slater são os principais candidatos ao título de 2013, que pode ser o 3º título do australiano ou o 12º do norte-americano. 

Mick Fanning é o líder e o único surfista com chances de ser campeão mundial ainda em Portugal.

Infelizmente o português Tiago Pires, que está se recuperando de uma lesão, está fora do Rip Curl Pro. Mas o brasileiro Raoni Monteiro está de volta após o nascimento de sua mais nova herdeira.


A MATEMÁTICA DO TÍTULO


 Se Mick Fanning vencer em Portugal:

- Slater precisa chegar pelo menos na 3ª colocação para levar a disputa para o Hawaii

- Jordy Smith, Taj Burrow e Joel Parkinson estarão fora da disputa pelo título.

Se Mick Fanning for vice-campeão em Portugal

- Slater precisa ficar em 9º ou mehor para  levar a decisão para o Hawaii

- Smith precisa vencer o evento

- Burrow e  Parkinson estarão fora da disputa

Se Fanning finalizar em 3º em Portugal:

- Slater precisa ficar em 9º ou mehor para  levar a decisão para o Hawaii

- Smith, Burrow e Parkinson precisarão vencer em Portugal

Se Fanning finalizar em 5º ou pior em Portugal:

- A decisão do título mundial vai para o Hawaii.  

O campeonato vai de 9 a 20 de outubro, em Supertubos e você pode acompanhar o evento ao vivo aqui:  www.live.ripcurl.com

21 de outubro de 2012

Mais seriedade e profissionalismo, por favor.


A voz do povo é a voz de Deus. E a quantidade de posts nas redes sociais, escancarando para todo mundo ver, os erros  de julgamento e as decisões tendenciosas da ASP, foi tão grande quanto o próprio evento. Brasileiros, havaianos, americanos e até mesmo australianos discordam da decisão de dar o título do Rip Curl Pro Portugal para o Julian Wilson. Algumas manifestações foram até bem criativas. Seria até engraçado se não fosse trágico. 

Um boicote aos eventos da ASP e principalmente ao mercado (leia-se Billabong, Rip Curl e Quiksilver) não seria nada mal. Hoje o Brasil possui um dos maiores mercados do mundo, nossa economia anda muito bem, obrigado, e o nosso surf anda empolgando mais do que toda essa geração de australianos e americanos mimados. E isso não acontece só com os brasileiros. Os europeus também são vistos como "invasores" do circuito, antes totalmente dominado por americanos/australianos/havaianos.

Se todos nós pararmos de comprar essas marcas, que investem menos do que nada no surf brasileiro. somente sugando o nosso dinheiro, com certeza o preconceito e a discriminação da ASP e do próprio mercado começaria a mudar de verdade. 

Podem acreditar, esse mercado hoje precisa muito mais de nós, do que nós deles. 

Valorize as marcas nacionais, valorize quem investe no surf nacional e apoia a formação dos nossos atletas. Esse é o recado.

Quemando o livro de regras. via Kaléu Wildner 

Crime against the real surf - via  Luan Harder

was a crime! - Via Guilherme Felberg


A expressão do Gabriel Medina diz tudo - via Site Waves

WTF! - Via Giovanni Mancuso


Foi roubo! - Via Rogê Gutierrez

More respect, please

Santo julgamento podre Batman - Via Foto Surf Brasil


Vergonha! - Via Imbituba Waves

Queremos uma entidade séria - Via Luan Harder

Perigo! Assaltos!  - Via Dadá Souza