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3 de junho de 2018

ITALO VENCE EM KERAMAS E ASSUME A LIDERANÇA DO RANKING

Por: Dadá Souza

O brasileiro Italo Ferreira venceu o Corona Bali Protected, a 5ª etapa do circuito mundial da World Surf League, garantiu sua segunda vitória em 2018 e assumiu a liderança do ranking surfando com um ritmo impressionante em Keramas. 


Italo Ferreira, campeão em Keramas - Foto: WSL/Ed Sloane

A etapa de Keramas não decepcionou. Um evento todo com ótimas ondas. Sempre bom, sempre abrindo, sempre perfeito. No último dia ondas bem menores, mas ainda assim com ótima formação. De negativo nesse evento só a quantidade de lixo plastico que passa boiando no mar. Diminuir o lixo plástico é tão necessário que deveria ser a Nova Ordem Mundial.

Essa foi a 5ª etapa consecutiva com ondas para a direita. Tá certo que Saquarema podia ter rolado nas clássicas esquerdas de Itaúna e que a etapa de Margaret River, cancelada por causa dos ataques de tubarão, será finalizada nas esquerdas de Uluwatu, mas a verdade é que o circuito tem priorizado as direitas. A escolha de Keramas, uma direita na terra de tantas esquerdas icônicas é até difícil de explicar. Daria para dizer que é nítido que os regulars estão levando vantagem sobre os goofies com essa escolha não fossem dois nomes: Italo Ferreira e Gabriel Medina. Dois goofies que tem sido o pesadelo de praticamente todos os regulars do circuito. 

 Italo Ferreira, o surfista Nota 10 em Keramas - Foto: WSL/Kelly Cestari


Italo Ferreira vez um evento e tanto em Keramas. Só a vitória lhe daria a liderança do ranking e não restou pedra sobre pedra em seu caminho. Foi contido e eficiente na primeira metade da competição e agressivo e invencivel na segunda metade. Italo começou o evento perdendo para Joel Parkinson no Round 1, depois venceu o wildcard Barron Mamiya no Round 2 e venceu o brasileiro Tomas Hermes no Round 3. Até aqui Italo surfou economizando energia. Daqui em diante Italo mudou a chave para o modo matador e começou a atropelar seus oponentes. No Round 4 venceu Filipe Toledo e Adriano de Souza somando 17 pontos; Nas quartas derrotou um inspirado Jeremy Flores somando 16.20; Na semi Italo derrotou Jordy Smith fazendo a única nota 10 do evento e na Final Italo venceu Michel Bourez somando 18.87 pontos. Sempre muito rápido, sempre bem radical e agressivo, sempre com as manobras linkadas e com um ótimo repertório de manobras aéreas. Não foi a toa que Italo venceu esse evento. 

"Essa onda aqui é perfeita, lembra bastante a da minha casa (Baía Formosa). Eu tenho surfado bem cedo aqui todos os dias porque eu amo essa onda e queria aproveitar ao máximo. Hoje (domingo) foi um dia perfeito. O Michel Bourez tem realmente um power-surf, provavelmente o melhor do Tour, então eu sabia que precisava fazer o meu melhor para vencer. Felizmente para mim, encontrei algumas boas ondas para mostrar o meu surfe"



Filipe Toledo terminou o evento na 5ª colocação. Surfou muito, sobrou em quase todas as suas baterias e acabou perdendo para Jordy Smith em uma bateria onde o sul-africano foi agraciado com a maior nota do dia. 

Silvana Lima fez um grande evento em Keramas, acabou na 5ª colocação e está entre as Top 10 do ranking na 8ª colocação. Tyler Wright e Lakay Peterson fizeram a final feminina. Uma bateria super disputada onde brilhou a estrela de Lakey Peterson que também venceu sua segunda etapa em 2018. Lakey segue mais líder do que nunca.


QUARTAS DE FINAL



As quatro baterias das quartas de final apresentaram ondas boas, ondas perfeitas, surfe de alto nível, as 4 foram baterias bastante disputadas mas três delas acabaram com muita gente criticando o julgamento.

Michel Bourez (PYF) e Griffin Colapinto (USA) fizeram a primeira bateria das quartas. Bourez abriu a bateria com um tubo, rasgou forte e finalizou com uma batida na junção e marcou 7.67. Já na metade da bateria Griffin pegou uma onda maior, pegou um belo tubo, fez um cutback, uma rasgadinha e finalizou com uma batida na junção. Marcou 8.50. A segunda nota do norte-americano foi um 5.63 em uma onda de manobras fracas. Bourez fechou a bateria com uma onda bem menor, fez um tubo longo, algumas manobras e fez 8.50. Comparando as duas notas 8.50 eu diria que tem uma certa discrepância. Bourez, que mostrou mais comprometimento que Colapinto, venceu a disputa por 16.17 a 14.43.  Você pode assistir essa bateria aqui  

Mikey Wright (AUS) e Willian Cardoso (BRA). De um lado o australiano que vem tendo todas as portas abertas no tour. Do outro lado o estreante brasileiro que teve que se classificar pelo QS para participar do CT. Willian parecia disposto a resolver na porrada. O “brazilian Sunny Garcia” surfou forte e jogou muita água pra cima. Mikey parecia disposto a resolver tudo nos tubos. Faltando menos de 2 minutos para o termino dessa bateria Willian pegou uma boa onda, entubou fundo wsaiu com a pequena baforada, fez um cutback e finalizou com uma batida na junção. Marcou 7.53. Mikey Wright ficou sozinho no outside, pegou uma onda menor que a do Willian, fez um tubo mais longo mas bem mais espremido, um cutback e duas manobras fracas. Ele precisava de mais de 8 pontos e ganhou 8.43. Pareceu muita nota, principalmente com esse discurso da WSL de que os juízes ficaram mais exigentes e que a escala das notas está mais baixa. Na web muita gente achou injusto. Aliás, muita gente acha bastante injusto um convidado correr boa parte do CT sem ter se classificado para isso.  Você pode assistir essa bateria aqui  

Jordy Smith (ZAF) e Filipe Toledo (BRA) fizeram uma bela disputa. Jordy Smith começou a bateria pegando um belo tubo por trás do pico e duas manobras fracas. Ganhou 9.57. Sem dúvidas um ótimo tubo, mas com o resto da onda foi fraco. Filipe pegou um tubo mais espremido que o de Jordy, entubou por bastante tempo, saiu e fez duas manobras também não muito fortes. Ganhou 6.83. Faltando 3 minutos para o fim da bateria Jordy fez um pequeno aéreo rodando e somou mais 5.77. Na onda de trás Filipe pego um tubo, fez mais 4 manobras, sempre puxando a o máximo o bico da sua prancha e fez 7.57. Jordy Smith, venceu por 15.34 a 14.40 mas muita gente não engoliu essa. Você pode assistir essa bateria aqui 

Italo Ferreira (BRA) e Jeremy Flores (FRA) fecharam as quartas com um duelo e tanto. Italo resolveu a bateria já na primeira metade do confronto. Sua primeira nota foi uma onda de quatro manobras bem fortes (7.67). A segunda nota foi uma onda de 6 manobras, todas também muito fortes(8.60). Uma performance porreta do líder do ranking que não deixou nenhuma margem para discussão. Jeremy fez sua primeira nota faltando 10 minutos para o fim do confronto. Um tubo muito bom, um cutback e uma finalização forte. Marcou 9 pontos. Nos últimos 5 minutos de bateria Jeremy surfou uma boa direita, manobrou forte e fez 6.73. Uma performance incrível de Jeremy Flores nesse evento. Italo venceu por 16.20 a 15.73. Você pode assistir essa bateria aqui


SEMIFINAL

Michel Bourez x Mikey Wright. O experiente tahitiano contra o convidado australiano. Pena que essa foi uma bateria com poucas ondas. A primeira onda da bateria só apareceu lá pelos 12 minutos. Mikey Wright errou muito e só surfou ondas medíocres. Bourez mostrou mais   comprometimento, fez duas ondas regulares, mas muito bem surfadas e venceu a disputa por 14.27 a 5.67.



Italo Ferreira x Jordy Smith. Italo fez sua primeira nota bem no início da bateria. Sete cassetadas de backside lhe renderam um 7.13. Jordy veio na onda de trás, fez cinco manobras e ganhou 8 pontos. Italo foi mais agressivo, Jordy mais estiloso. A discussão acabou quando Italo dropou uma boa onda, mandou um aéreo rodando muito alto já na primeira manobra, duas cassetadas, um pop shovit e finalizou a onda com uma batidinha de base trocada. Nota 10. A diferença entre o 8 do Jordy e o 10 de Italo ou entre o 8.93 do Jordy e o 10 do Italo não foi de meros dois pontos, ali havia um oceano de diferença. Discrepâncias de um julgamento míope?




FINAL

Italo Ferreira x Michel Bourez  Italo Ferreira saiu na frente empilhando notas acima dos 7 pontos. Michel Bourez começou mais tímido e escolhendo mal as ondas. Italo espancou tudo que veio pela frente como se estivesse surfando em casa. Surfou sorrindo. Michel Bourez, tão conectado com as ondas durante todo o evento, nada pode fazer. Em 7 ondas Italo fez 32 manobras, sendo que 3 delas surfando a última onda da bateria de base trocada e venceu o tahitiano por 18.87 a 9.83. Vitória do brasileiro, a segunda de 2018, a única nota 10 da competição e a liderança do circuito mundial. 




RANKING

Italo Ferreira é o líder do ranking com 24.995 pontos. Felipe Toledo é o vice-lider com 22.850 pontos. O australiano Julian Wilson é o 3º colocado, com 21.080 pontos. Gabriel Medina (5º) e Michael Rodrigues (10º) completam o time de brasileiros no Top 10.

Segue aqui o Ranking atualizado





Foto: WSL/Kelly Cestari

O julgamento também merece nota? Não foram poucas as baterias em que o nome dos juízes apareceu tanto quanto o nome dos surfistas. O julgamento já era o Calcanhar de Aquiles da ASP e continua sendo a maior fraqueza na WSL. Sem credibilidade o público mais engajado pula fora e o surf vira um novo Telecatch, como disse o Ivo Remuska, da Mesa Surfocrática.

18 de maio de 2018

FILIPE TOLEDO VENCE EM SAQUAREMA E ASSUME A VICE-LIDERANÇA DO RANKING


Por: Dadá Souza


Filipe Toledo foi o vencedor do Oi Rio Pro, a 4ª etapa do circuito mundial da WSL. Com nítida superioridade, Filipinho venceu Wade Carmichael na final por 17.10 a 8.00 e agora é o vice-líder do ranking.

Saquarema fez bonito na elite. As ondas foram boas e consistentes, o público foi quente e o campeonato rolou com poucas interrupções. 

Quando a máquina de ondas de Saquarema liga o surf é intenso e desafiador.  A praia de Itaúna proporcionou ótimas direitas quando o evento rolou na Barrinha (que às vezes lembrou o Hawaii e às vezes lembrou Kirra) e ótimas esquerdas quando o evento rolou no Point de Itaúna. Ondas fortes, tubulares, desafiadoras, com boa formação, tudo bem pertinho da praia. A melhor etapa do ano? Com certeza. 

Comparações com a piscina do Kelly ou com o Postinho é pura perda de tempo. Saquarema mostrou ao mundo seu potencial e mostrou para a WSL Itaúna é o palco ideal para essa etapa. 





Filipe Toledo fez um evento perfeito em Saquarema. Venceu todas as suas baterias, surfou sempre com performances de altíssimo nível, fez a única Nota 10 da competição e no último dia atropelou todo mundo que passou pela sua frente. Sua vitória foi indiscutível. A 2ª vitória dele no Brasil e a 6ª na elite mundial. Julian Wilson continua na liderança do ranking e está a apenas 1.034 pontos na frente de Filipe Toledo. Keremas vai pegar fogo!




QUARTAS DE FINAL


Heat 1 - Filipe Toledo (BRA) x Kolohe Andino (USA) – O primeiro confronto do dia começou com ótimas ondas e com o Filipe Toledo ditando o ritmo da competição. Em sua primeira onda Filipe entubou, manobrou forte e marcou 7.67, mais que a somatória de Kolohe até o momento. A backup do Filipe foi uma onda mais curta que rendeu 6.77. As ondas pararam e foi essa segunda onda que deu a vitória ao Filipe Toledo (13.84 a 11.93). Semifinal para o brasileiro, 5º lugar para Kolohe Andino.



Heat 2 - Julian Wilson (AUS) x Michael Rodrigues (BRA) – Encarar o líder do ranking (e queridinho-mor da WSL) Julian Wilson nunca é uma tarefa fácil, especialmente em direitas tubulares. Michael Rodrigues abriu a bateria com ondas regulares (4.00 e 5.83) enquanto Julian começou errando tudo. Faltando 9 minutos para o término Julian entubou, finalizou com um aéreo e fez sua primeira nota na bateria (7.33). Com uma onda fraca (3.83) Julian passou na frente do brasileiro. Michel arriscou bastante nos aéreos, mas caiu demais. Julian venceu por 11.20 a 9.83 e o brasileiro se despediu do evento.



Heat 3 - Gabriel Medina (BRA) x Wade Carmichael (AUS) – Wade Carmichael parecia muito a vontade nas direitas da Barrinha. Estava bem calmo e bem sintonizado com os tubos. Medina passou a bateria apostando em aéreos que não saíram. Faltando 9 minutos para o término Wade Carmichael tinha duas notas na casa dos 5 pontos e Medina estava em combinação de ondas. Gabriel Medina, que insiste que não precisa de um técnico, foi eliminado do evento com a somatória de 3.63.




Heat 4 - Yago Dora (BRA) x Ezekiel Lau (HAW) – Uma bateria com poucas ondas boas e com quase todas as notas muito baixas. Zeke surfou melhor, colocou uma nota 6.83 e nos últimos segundos de bateria fez mais 6.03. Yago, o aniversariante do dia, acabou eliminado da competição somando 8.30.





SEMIFINAL



Heat 1 - Filipe Toledo (BRA) x Julian Wilson (AUS) – Uma bateria especialmente boa para os brasileiros. Primeiro porque Filipe Toledo vem surfando muitíssimo mais que o líder do ranking em 2018; e depois porque é muito legal quando o talento se sobressai a preferência dos juízes e vence de maneira incontestável. Filipe fez sua primeira nota com uma onda forte (6.67). Logo em sequida ampliou a diferença com uma ótima onda que começou com um tubo e finalizou com um aéreo rodando (8.67). Na metade do confronto Julian já estava precisando de uma combinação de ondas e assim foi até o final. Nos instantes finais da bateria Filipe ainda pegou um ótimo tubo, marcou 7.70 e aumentou o tamanho da Kombi de Julian.



Heat 2 - Wade Carmichael (AUS) x Ezekiel Lau (HAW) – Bateria com dois surfistas fortes, pesados e com ótimo faro para os tubos. Wade Carmichael saiu na frente com duas ondas regulares (7.17 e 6.00). Zeke começou com duas notas mais baixas (5.10 e 4.17). Wade, sem técnico, sem muita estrutura e com poucas pranchas no Brasil venceu o havaiano e foi para sua primeira final na elite mundial.



FINAL



Filipe Toledo (BRA) x Wade Carmichael (AUS) – Brasil x Australia. Surf progressivo x Surf de borda. Acima de tudo, um duelo de surfistas que não pareceram sentir qualquer pressão durante esse campeonato. Filipe Toledo saiu na frente com um tubão. Marcou 9.93 e levantou a galera na praia. Faltando 10 minutos para o termino da final Wade Carmichael precisava de uma combinação de ondas. A situação do australiano piorou quando Filipinho pegou um tubo longo em uma onda não muito grande e marcou mais 7.70. Foi a tampa no caixão do australiano. Filipe Toledo campeão indiscutível em Saquarema. 



RANKING ATUALIZADO 

(Ainda falta finalizar a 3ª etapa, cancelada por causa dos ataques de tubarão.)

1 Julian Wilson (AUS) 19.415
2 Filipe Toledo (BRA) 18.075
3 Italo Ferreira (BRA) 14.995
4 Gabriel Medina (BRA) 14.160
5 Wade Carmichael (AUS) 13.585
6 Ezekiel Lau (HAV) 11.670
7 Owen Wright (AUS) 11.575
7 Michel Bourez (PLF) 11.575
7 Michael Rodrigues (BRA) 11.575
10 Adrian Buchan (AUS) 11.550
11 Mick Fanning (AUS) 11.500
12 Griffin Colapinto (EUA) 9.835
13 Kolohe Andino (EUA) 9.740
14 Tomas Hermes (BRA) 8.590
15 Frederico Morais (POR) 8.495
16 Kanoa Igarashi (EUA) 8.240
17 Adriano de Souza (BRA) 7.450
17 Conner Coffin (EUA) 7.450
17 John John Florence (HAV) 7.450
17 Sebastian Zietz (HAV) 7.450
17 Jeremy Flores (FRA) 7.450
22 Patrick Gudauskas (EUA) 7.345
23 Yago Dora (BRA) 7.250
25 Willian Cardoso (BRA) 6.660
28 Ian Gouveia (BRA) 4.960
30 Jessé Mendes (BRA) 4.170
P.S. - O Maraca, de algum lugar, observava tudo com orgulho e com aquele sorriso largo.

5 de abril de 2018

HELLS BELLS! ITALO CAMPEÃO, LÍDER DO RANKING E FANNING FORA DO TOUR

WSL / KIRSTIN SCHOLTZ



O Rip Curl Pro Bells 2018 terminou em grande estilo nessa quinta-feira, 5 de abril, com a emocionante final entre Italo Ferreira (BRA) e Mick Fanning (AUS). Já seria uma grande final tanto pelo que os dois vinham apresentando durante todo o evento, como pela qualidade das ondas, mas esse duelo culminou na primeira vitória de Italo Ferreira no circuito mundial e na aposentadoria de Mick Fanning, um dos maiores nomes da história do surf mundial.




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HELLS BELLS

Bells Beach é uma das ondas mais famosas do mundo. Suas direitas longas e perfeitas encantam os homens há décadas. Bells é também o palco de um campeonato clássico, a etapa mais antiga e tradicional do circuito mundial que desde 1961, sempre na Páscoa, recebe esse evento. A partir de 73 o campeonato de Bells passou para o status de evento profissional e desde então a história do surf mundial tem passado pelas linhas de Bells Beach. O troféu dessa etapa, o famoso Sino, é um dos troféus mais desejados do ano porque nessa onda meus amigos, não é qualquer um que vence.  

Todos conhecem a fama, a perfeição e a importância das ondas de Bells e Winkipop, ondas que testam as curvas e as habilidades dos competidores e que constroem a reputação de um surfista.

Competir em Bells é especialmente difícil porque não dá muita margem para erros, porque raramente prestigia os goffies e porque não revela seus segredos para os iniciantes do tour. Umaonda linda se se ver, ótima de se surfar, mas  uma onda difícil de competir. Velocidade, leitura de onda, técnica apurada, equipamento correto, talento... todos os atributos serão exigidos e serão necessários.

Quando as ondas estão realmente boas, tanto Bells quanto Winkipop são ondas fenomenais, mas geralmente as ondas podem ser bem cheias e foi o que aconteceu durante quase todo esse evento. O que poderia ser um espetáculo de grandes ondas e de grandes manobras virou um monótono campeonato de rasgadas e cutbacks.  E quase poderíamos resumir o campeonato a isso se não fossem três nomes: Italo Ferreira, Filipe Toledo e Gabriel Medina. Não é ufanismo, é pura constatação. Esses três surfistas, mesmo que os resultados digam outra coisa, surfaram com outro nível de agressividade e velocidade. Mick Fanning esbanjou técnica, experiência e mostrou que vai se aposentar ainda tendo um dos mais altos níveis de surf do mundo.





FINAL DAY


No último dia de competições ondas grandes, pesadas, perfeitas e os surfistas finalmente tiveram pistas a altura de uma final em Bells.

Apesar do evento todo morno, o último dia de competições apresentou ondas bem melhores e as grandes manobras começaram a sair. 

QUARTAS

O dia abriu com as quartas de final masculina. Patrick Gudauskas (USA) fez uma belíssima apresentação, sua melhor no tour até o momento, e venceu Michel Bourez (PYF) de virada por 11.67 a 11.44; Mick Fanning (AUS) surfou muito bem na bateria contra Owen Wright (AUS) e venceu a disputa por 13.77 a 9.33. A galera delirava na praia a cada onda de Fanning; Italo Ferreira (BRA) foi monstruoso em sua bateria contra Ezekiel Lau (HAW) e ganhou a disputa por 17.86 a 11.50; Gabriel Medina (BRA) derrotou o português Frederico Moraes por 15.73 a 15.00. Uma bateria bastante disputada, mas com sutis, mas grandes diferenças na linha de surf de ambos os atletas. 

SEMI

Na primeiro a bateria da semi, Mick Fanning venceu o norte-americano Patrick Gudauskas por 16.50 a 9.67. Fanning dominou a bateria e surfou com muita superioridade. O melhor soldado australiano do primeiro ao último dia... Veja essa bateria aqui

Na segunda semi um duelo brasileiro Italo Ferreira x Gabriel Medina. Medina já tinha vencido duas. Italo, talvez por isso, com muito mais vontade. Gabriel surfou muito forte e somou 6.50 e 7.60. Italo surfou muito mais forte e somou 9.17 e 6.83. Vitória arrasadora (e na hora certa). Veja essa bateria aqui




OS FINALISTAS

Italo e Fanning chegaram nas finais com méritos incontestáveis. Ambos fizeram um campeonato arrasador em Bells. O australiano de frente e o brasileiro de costas para a onda. Um começando sua carreira no circuito mundial, outro encerrando seu ciclo como competidor. Tanto Italo e Fanning se destacaram em suas chaves e chegaram à grande final com favoritismo. Isso mesmo, ambos! Italo apesar de ser goofy footer e até então sem vitórias no tour, estava surfando muito mais que todo mundo. Mick Fanning também chegou à final surfando muito bem, mas era um mestre nesse tipo de onda e fecharia ali sua carreira como competidor full time do tour. Italo na dura batalha de fazer um goofy footer vencer em Bells (coisa rara) e Fanning se preparando para uma grande festa no evento de seu patrocinador, na onda que o lançou para o mundo e com uma torcida apaixonada na praia. Felizmente a final proporcionou boas ondas para ambos os surfistas que definitivamente mostraram porque estavam fazendo a final do evento. Fanning surfou com maestria. Italo surfou para vencer.  Uma final que muitos nunca esquecerão.

Italo Ferreira começou o ano com um 13º na Gold Coast, foi campeão em Bells e agora está empatado com Julian Wilson na liderança do ranking mundial (surfando muito mais do que o australiano, diga-se de passagem). Também vale dizer que o Italo, até o momento, mostrou uma superioridade incrível nas duas primeiras etapas e vem se mostrando uma “fábrica de high scores” em qualquer condição de mar. Vai para Margaret River com confiança e com a lycra amarela.





OS CAMINHOS QUE LEVARAM ATÉ A FINAL

Italo estreou no Round 1 perdendo para o Gabriel Medina, os dois surfando muito bem; No Round 2 Italo eliminou com facilidade seu antigo rival Michael Rodrigues (BRA); No Round 3 eliminou o brasileiro Filipe Toledo em uma bateria-espetáculo; No Round 4 passou em segundo, novamente atrás de Gabriel Medina; Nas quartas de final Italo derrotou Ezekiel Lau (HAW) que vinha fazendo um excelente evento; Na semifinal Italo virou o jogo contra Medina na hora certa e venceu Medina ; e na final Italo venceu o australiano Mick Fanning no dia da sua festa de aposentadoria. Uma campanha muito forte, sempre com excelentes apresentações, sempre surfando com força, velocidade, agressividade e radicalidade. Mais dentro do critério impossível.

Fanning estreou com vitória no Round 1; venceu Sebastian Zietz (HAW) no Round 3; venceu Gudauskas (USA) e Wilko (AUS) no Round 4; eliminou Owen Wright nas quartas; derrotou Patrick Gudauskas (USA) na semi fazendo uma grande bateria e só só foi vencido na final diante da explosão do surf de Italo Ferreira. Um grande evento, uma grande carreira, muitos grandes exemplos e o mundo do surf todo reverenciando esse que foi um dos maiores nomes do surf mundial.

Essa foi a primeira vitória de Italo Ferreira no tour, a segunda de um brasileiro em Bells Beach, e a 32ª vitórias brasileira no circuito mundial.



WSL / ED SLOANE


PALAVRAS DO ITALO:

“Eu nem consigo acreditar ainda nisso tudo. É incrível, a minha primeira vitória, o Mick Fanning é meu ídolo, nossa, estou muito feliz”

“Eu tenho trabalhado duro nos últimos anos. Lembro da minha primeira final com o Filipe (Toledo) em Portugal (em 2016), estava tão perto da vitória, mas agora consegui. O ano passado foi difícil pra mim, por causa da minha lesão depois da Gold Coast, que me deixou de fora por dois meses. Foi terrível e trabalhei muito forte para me recuperar, então agora é o melhor sentimento, muita felicidade pela vitória neste lugar incrível e contra um cara iluminado na final, um herói”

“Eu só quero dizer obrigado Deus e dedicar essa vitória a minha família, minha namorada e todas as pessoas que tem me apoiado ao longo desses anos”

“Eu sou uma pessoa muito feliz por ser este o meu trabalho e eu só tentei fazer o meu melhor nas ondas que surfei em cada uma das baterias. Eu sabia que tinha que continuar assim na final e o Mick (Fanning) é um dos meus surfistas favoritos, o melhor concorrente e só tenho que agradecer a ele por tudo que já fez para o nosso esporte”


WSL / KELLY CESTARI



PALAVRAS DO FANNING

“Foi um momento muito especial poder estar na final com toda essa torcida e melhores amigos aqui, mas estou feliz em ver o quanto essa vitória significou para o Italo (Ferreira), foi uma das melhores coisas que eu já vi em Bells”
“Foi muito divertido surfar com todos que competi nesse evento, o Seabass (Sebastian Zietz), o Paddy Gudang (Patrick Gudauskas), o Wilko (Matt Wilkinson), o Owen (Wright). Foi realmente especial porque me sentia surfando com um amigo e foi incrível ver e sentir todo o apoio dos fãs. Obrigado a todos que tornaram isso tão memorável, foi uma carreira incrível e agradeço a todos”.



MENINAS

Entre as meninas o título ficou entre a brasileira/havaiana Tatiana Weston-Webb e a australiana Stephanie Gilmore (AUS). Também entre as meninas um duelo de gerações. Tatiana surfou bem, mas a vitória (apertada) ficou com Stephanie Gilmore. 

Abrasileira Silvana Lima fez um excelente evento em Bells, finalizou na 3ª colocação e é a atual Top 7 do ranking.






BAFORADAS

Que início de ano do Italo. Mostrou superioridade nas duas primeiras etapas, surfou bem, competiu bem e mostrou tanto na Gold Coast quanto em Bells sua principal característica: ele nunca entra no mar para perder

Que emocionante ver um grande ídolo do esporte como o Mick Fanning se aposentar do tour. Dentro e fora d´água um grande surfista, um grande competidor e um grande campeão. Teria sido o final de carreira mais perfeito da história (com vitória e com a liderança do ranking) não fosse um potiguar arretado.

A Surfer Magazine fez um tributo fotográfico para o Mick Fanning. Recomendo https://www.surfer.com/features/a-tribute-to-mick-fannings-historic-career/https://www.surfer.com/features/a-tribute-to-mick-fannings-historic-career/

Não fossem os juízes haveriam brasileiros nas duas primeiras finais do ano, afinal o Tomas Hermes venceu aquela semi contra o Ace


O ranking atualizado pode ser visto aqui

29 de novembro de 2013

HAWAII 2013 - Ep. 02

Na segunda semana do time Oakley no Hawaii, um swell já chegou com força e já quebraram muitas ondas, inclusive as primeiras ondas em Waimea Bay. Essa temporada promete! Também já rolou a primeira etapa da Triple Crown em Haleiwa e os garotos não fizeram feio. Caio Ibelli ficou com a 49ª colocação, Jadson André foi o 17º colocado e Adriano de Souza finalizou o evento na 5º colocação. Depois o swell abaixou completamente e ficou quase flat em todos os picos de North Shore, mas Off The Wall deu condições para que os atletas surfassem, e Italo Ferreira mostrou o seu potencial nas manobras aéreas.

22 de novembro de 2013

Equipe Oakley Brasil - HAWAII 2013

A temporada 2013 começou com tudo no arquipélago havaiano. Jadson Andre, Caio Ibelli, Matheus Navarro, Italo Ferreira, Adriano de Souza, Kai Barger, Billy Stairmand e Thomas Woods aproveitaram as primeiras ondulações no North Shore para treinar nos picos de Off The Wall, Rocky Point e Haleiwa. O video abaixo mostra o surf dos primeiros dias na Ilha de Oahu - Hawaii.