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23 de janeiro de 2014

Helicóptero da CBN flagra despejo de esgoto no mar de São Conrado

Cada um tem um conceito de cidade maravilhosa. Teoricamente, uma cidade maravilhosa é linda, deslumbrante, segura e limpa. No Brasil o Rio de Janeiro sempre se vendeu muito bem com esse conceito. O visual da cidade é tão lindo que é difícil de resistir aos seus encantos. Principalmente nas fotos e vídeos turísticos. A mistura do mar e da mata atlântica com as montanhas e serras é realmente alucinante. Mas de perto, muito do que parece belo, pode ser também sujo, perigoso e bem caro. 

Governantes políticos, gananciosos e mal preparados, acabam tomando as piores decisões possíveis em troca de gordas propinas e comissões. Quando o assunto é a natureza e o meio ambiente então, os prefeitos e governadores do Rio foram cruéis: autorizaram construções em lugares arriscados, criaram emissários que jogam o esgoto no mar, poluíram as praias, rios, lagos e mangues e aprovaram obras e condomínios em áreas de preservação. Tá certo que nada disso é novidade, o Rio joga seu esgoto no mar há décadas. O próprio Pier de Ipanema, famoso e lendário por suas ondas, foi construído justamente para a criação de um emissário desses. Mas recentemente a coisa tem andado feia demais e as praias da zona sul estão fora de controle quando o assunto é a poluição. 

Concordo que o mesmo acontece em outros lugares. Mas primeiro, não é porque os outros fazem o mesmo, que devemos fazer. E segundo, para uma cidade que se vende como um paraíso de belezas naturais e que tem em suas praias o seu maior atrativo turístico, jogar o esgoto na praia, no meio dos turistas é, no mínimo, uma estupidez e um crime ecológico. 

Um dos casos mais graves é na praia de São Conrado, um dos pontos mais poluídos do Rio de Janeiro. Hoje mesmo, um helicóptero da CBN sobrevvou por cima de São Conrado e registrou essa cachoeira de esgoto caindo diretamente na praia. A imagem abaixo vale mais do que mil palavras e você pode ver a matéria direto na fonte: : http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/meio-ambiente/2014/01/23/HELICOPTERO-DA-CBN-FLAGRA-DESPEJO-DE-ESGOTO-NO-MAR-DE-SAO-CONRADO.htm#ixzz2rEfksfab





21 de janeiro de 2014

Que povo é esse?

(POLUI)VERÃO 2014



Não é nenhuma novidade que um dos maiores problemas do nosso país é a falta de educação. Em todas as esferas da nossa sociedade vemos pessoas mal educadas, arrogantes e agindo sem o mínimo de bom senso ou de respeito com a natureza ou com as outras pessoas. A culpa disso, em parte é do governo, que promoveu a falência da educação no Brasil. Mas não dá para jogar a culpa toda no governo, essa culpa também é do povo brasileiro. 

Basta dar uma olhada no que está acontecendo com nossas praias agora durante essa temporada de verão 2014 para ter uma boa ideia de quanto o nosso povo é porco e mal educado. E não adianta colocar a culpa em turistas, em estrangeiros ou simplesmente nos outros. Somos nós, os brasileiros, quem não tem educação ou respeito pelas nossas praias. Quem é surfista e quem vive na praia, sabe o quanto esse ambiente é agredido e poluído durante o verão, justamente pela falta de educação do nosso povo. 

Depois os surfistas é que são os alienados...





Por favor, acesse os links abaixo e dê uma olhada no que está acontecendo com as nossas praias agora durante o verão e entre na luta pela preservação das nossas praias. Afinal, se você não está ajudando na solução, você também faz parte do problema. 

Ensine, eduque, denuncie, documente, fotografe, participe das ONGs e associações da sua região. Ou nos unimos para acabar com esse desrespeito com o nosso litoral, ou em um futuro não muito distante, não poderemos mais nem surfar e nem levar os nossos filhos à praia. 

A praia é nosso lugar sagrado. Preserve!

São Conrado (RJ) - Não quero luxo, nem lixo
Lixo chama a atenção de turistas nas praias de Maceió
Chuva traz lixo para as praias da Zona Sul do Rio
Turistas reclamam do lixo em praias da Região dos Lagos
Oceanos estão virando lixões invisíveis
A Fernando de Noronha que o turista não vê
Água contaminada nas duchas da orla do Rio de Janeiro pode causar diarréias e até hepatite
Surfistas criam movimento contra a poluição em praia do Rio 
FATMA aponta que 25% das praias de SC estão impróprias para o banho
Poluição expulsa turistas da praia de Canasvieiras, em Florianópolis
Cariocas ignoram poluição das praias do Rio e se arriscam no mar
Veja 12 praias em salvador que podem lhe deixar doente depois de um banho

E essas são apenas algumas das centenas de notícias de 2014.




13 de outubro de 2013

Mick Fanning - Cleaning the Office

Que grande exemplo do australiano Mick Fanning. Tem um ditado que diz que "você é o que você faz, não o que você diz".Talvez por isso que esse australiano é tão respeitado e admirado. Suas atitudes são nobres, seu talento é admirado por todos e sua vontade é marca registrada. Mais do que um exemplo de atleta, Mick Fanning é um ídolo mundial. E um sujeito que dá bons exemplos.

"CLEANING THE OFFICE" é um video é da GO-S.TV, de Portugal, que mostra o bi-campeão mundial saindo de uma sessão de surf em Portugal e fazendo o que todos nós também deveríamos estar fazendo: Fanning deu um trato na praia recolhendo o lixo que estava na areia enquanto saía da praia. Que seu exemplo ilumine a cabeça de muitos surfistas. 

Fonte: Diogo Alpendre



28 de agosto de 2013

S.O.S. Rio da Madre & Guarda do Embaú (SC).



A Lagoa do Ribeirão é um importante afluente do Rio da Madre, que tem sua foz na Guarda do Embaú. Até 2009 essa Lagoa era protegida pelo Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, mas uma manobra politica (motivada por interesses imobiliários) desanexou a região do Parque e abriu caminhos para os gananciosos e perigosos especuladores imobiliários. 

O Plano Diretor de Paulo Lopes (SC), já aprovado pela Câmara de Vereadores (e construído sem a participação da população local, como vinha acontecendo na vizinha Garopaba), projeta para a área uma cidade com 80 mil habitantes, prevendo para tanto, a DRAGAGEM DO RIO DA MADRE, o que é um absurdo total.

Uma das regiões mais lindas do litoral de Santa Catarina está ameaçada pela especulação imobiliária. A Lagoa do Ribeirão, ou Lagoa do Coração, como é mais conhecida, está prestes a virar um condomínio de luxo. O Rio da madre vem sofrendo com os agrotóxicos e com a poluição e está ameaçado de ter alguns pontos aterrados. E para piorar a situação, estão querendo construir prédios na beira da praia, uma zona industrial e um emissário submarino para jogar o esgoto no mar. E esse é um tipo de "progresso" que ninguém quer por aquelas bandas, a não ser os empresários envolvidos nos empreendimentos e os políticos interessados nas propinas.  

Se isso acontecer, serão atingidas as praias da Guarda do Embaú, Gamboa, Pinheira e Praia do Sonho. Todas praias lindíssimas, que vivem do turismo e que são procuradas justamente por sua beleza natural preservada. As baleias franca também usam essa região como berçário e local de acasalamento.

A aprovação dos planos diretores de Palhoça e de Paulo Lopes também estão em mudando, afinal os politicos locais, aliados a construtores e empreiteiras, querem as construções.

O que está previsto para a região:

• zona industrial localizada entre Morretes e a Br 101 ocupando parte de uma área de banhado na Palhoça e próxima a lagoa do Ribeirão em Paulo Lopes; 

•verticalização de toda costa com edifícios 4, 6 8 e 12 andares podendo ser ampliado para 36 andares na praia da Pinheira, local com deficiência de infraestrutura e saneamento básico, pois tal ocupação provocará um acréscimo populacional de mais de 200 mil pessoas nesta área;

•parcelamento do solo com terrenos de 125m² na Guarda do Embaú/Pinheira e Praia do Sonho (o que favorece a ocupação por população de baixa renda gerando impacto social e econômico);

•empreendimentos que prevêem o incremento populacional de mais de 80 mil pessoas residindo no entorno da lagoa do Ribeirão (localizada em Paulo Lopes e afluente do rio da Madre), que além de poluição ao rio da Madre, trará risco para a futura população por se tratar de uma área com sérios riscos de inundação! 

Se informe mais sobre o que está acontecendo na região e ajude a combater esse crime que querem cometer contra o Rio da Madre e contra a Guarda do Embaú.



21 de agosto de 2013

S.O.S. PRAIA DA RIBANCEIRA



Imbituba, município localizado no sul do estado de Santa Catarina, é uma cidade que tem nos mostrado uma tendência contrária ao movimento das "cidades inteligentes". A "Zimba", antigamente considerada um paraíso do surf, tem preferido investir mais na poluição do que na natureza. 

Ao contrário de diversas cidades do mundo, que vem buscando encontrar um equilíbrio sócio-ambiental e uma real sustentabilidade, Imbituba resolveu investir na criação de um Parque Industrial para atrair indústrias e gerar empregos. Mas a realidade imediata que estamos vendo, é bem outra. Os empregos estão beneficiando pessoas de outras cidades e estados e a poluição da cidade aumenta galopantemente. O Porto da cidade não para de crescer, atordoa as baleias franca, está acabando com a saúde e com as ondas do portinho e armazena ao ar livre uma quantidade imensa de cal, que a cada chuva, vai parando no fundo do mar. Onde antes havia um campo de dunas, hoje existe uma fábrica de cimento. E o pior, um número ainda maior de empresas e de indústrias vão instalar suas unidades na região nos próximos meses. O crescimento industrial é nítido e a poluição também. Assim como é clara a preferência às industrias e sua poluição do que a preservação e conservação da natureza local, que por sinal é o que movimenta o turismo na região. Um progresso as custas da frágil natureza local.

Com praias belíssimas, visuais paradisíacos e um importante ecossistema costeiro, Imbituba é também uma verdadeira capital do surf catarinense. Foi na Zimba que o surf catarinense nasceu e se desenvolveu, e foi em Imbituba que o WCT realizou seus eventos de 2003 a 2010, sempre na Praia da Vila, uma das melhores ondas do Brasil. Com praias badaladas como a Praia do Rosa, a Ibiraquera e a Praia da Vila, Imbituba também possui alguns dos mais belos recantos de Santa Catarina.

A imagem acima nos deixou literalmente de boca aberta e já publicamos antes essa denúncia. Nós aqui do SurfOnLine e também alguns amigos e leitores do blog enviamos denuncias ao IBAMA, FATMA, Polícia Ambiental e Ministério Público. A foto foi tirada por um fotógrafo que voou de parapente por cima do local, e mostra caminhões retirando areia das dunas da Praia da Ribanceira. Isso mesmo, uma área de preservação permaente, que deveria ser preservada, está sofrendo uma agressiva exploração de areia. 

Criminosamente, e de forma sorrateira, os caminhões estão levando a areia das dunas bem debaixo de nossos olhos para virar argamassa. Prestem bem atenção no lugar de onde estão retirando a areia e o tamanho da área já explorada. Vale lembrar que as dunas são protegidas por lei, deveriam ser absolutamente preservadas e abrigam espécies endêmicas, que só vivem e existem ali. Vale lembrar também, que a Praia da Ribanceira já vem sofrendo de problemas de erosão, e as dunas, ironicamente, são uma importante proteção dessa localidade. Ou seja, em vez de lutar para fixar as dunas e garantir a segurança e a saúde da Praia da Ribanceira, pessoas estão liberando uma exploração criminosa e sem nenhuma noção de bom senso. O turismo, as belezas naturais, a ecologia, a sustentabilidade, a baleia franca, tudo isso tem sido um segundo plano na região. 

A Praia do Porto é outra que a cada dia fica com um visual menos natural e muito mais bizarro. O Porto só cresce, as ondas são cada vez mais raras e a poluição vem aumentando consideravelmente. Essa foto abaixo é agora da primavera, mas lembra mais um filme do Mad Max do que o paraíso do surf catarinense que já foi um dia.


Esperamos que as autoridades competentes e os órgãos ambientais comecem a por um limite nesse verdadeiro ataque a natureza que está acontecendo em um pedaço muito importante do litoral catarinense.

Acesse o link abaixo e entre nessa briga contra a destruição das dunas da Ribanceira 

9 de agosto de 2013

Situação de Emergência no Japão deixa o planeta todo preocupado


Há quem idolatre a eficiência e a disciplina dos japoneses. E há também quem os acuse de ser o povo que mais agride a vida marinha, matando baleias e golfinhos em todos os mares do planeta. Infelizmente, ambos estão corretos. Os japoneses são mesmo um povo exemplar quando se fala de educação e de eficiência, mas também são um dos maiores bandidos do mundo quando falamos na preservação dos oceanos e da vida marinha.

As histórias de navios japoneses matando baleias, golfinhos e dizimando o atum em todos os mares do planeta já são antigas, corriqueiras, e não surpreendem mais ninguém. Esse povo, tão educado, já acabou com suas reservas pesqueiras devido a prática da sobrepesca e hoje vive praticando sua pesca  agressiva e predatória (e não muito inteligente) na costa de diversos países, inclusive aqui no Brasil, onde estão acabando com o nosso atum.

Mas essa matança exagerada de animais marinhos e a prática da sobrepesca (quando se pesca mais rápido do que o peixe consegue se reproduzir) não são nada perto do que os japoneses estão cometendo  agora: o maior crime contra a história dos oceanos.

Neste exato momento em que você está lendo esse texto, toneladas e mais toneladas de água contaminada são jogadas da usina nuclear de Fukushima direto para o mar. Esse envenenamento crônico já atinge diversos países, como a costa oeste dos Estados Unidos e o arquipélago havaiano. A imagem acima mostra o fluxo dessa radiação se espalhando pelo oceano pacífico e atingindo muitos países, mares e praias.

A Usina de Fukushima, atingida pelo terremoto/tsunami de 2011, está liberando cerca de 300 toneladas de água contaminada por dia no mar do Japão, isso desde a época do acidente, há 2 anos, informou um funcionário do governo.

Enquanto o governo japonês luta para tentar reverter esse quadro, componentes radioativos (como trítio, césio e estrôncio) estão sendo jogados no mar e no ar, causando sérios problemas aos mares, ao meio-ambiente e a população mundial. Já se fala que serão necessários cerca de 40 anos para a limpeza do local e trilhões de dólares para que se reverta essa situação. Mas também se fala que esse envenenamento pode durar séculos.

A pergunta que não quer calar é: por que o estúpido bicho-homem continua apostando na cara e muito perigosa energia nuclear, quando existem tantas alternativas mais inteligentes e mais limpas de captação de energia? Me perdoem as palavras, mas os japoneses também sabem ser ignorantes e estúpidos. E por conta disso, estão colocando não só o nosso surfe, mas toda a população mundial em apuros.

O que podemos fazer é evitar a todo custo comer alimentos de origem japonesa, principalmente peixes e frutos do mar. E evite também comer produtos produzidos na costa da Califórnia. Alimentos que tenham sido expostos a radioatividade podem causar câncer e um grande número de doenças sérias.

A notícia já é demasiadamente triste, e o quadro piora quando não sabemos ao certo se as informações passadas são corretas. Afinal, se o governo do Japão só agora assumiu esse vazamento publicamente e fala em 300 toneladas diárias de água contaminada, esse número deve ser ainda maior.

Acho que vale dizer que devemos todos lutar contra as fontes de energia nuclear, que são perigosas e que oferecem muito mais riscos à população do que todas as outras formas de captação de energia juntas. Só o homem ganancioso é que não vê.

3 de setembro de 2012

Precisamos parar com a sobrepesca.



VOCÊ SABE O QUE É SOBREPESCA? 
E SABE COMO ELA ESTÁ ATINGINDO NOSSAS PRAIAS E OCEANOS?




A sobrepesca é um dos principais problemas relacionados a saúde dos oceanos. Todo o pescado que é retirado dos oceanos acima das cotas estabelecidas pelos órgãos ambientais, é o que chamamos de sobrepesca. Ou, basicamente, é quando começamos a capturar mais peixes e mais rapidamente, do que estes são capazes de se reproduzir.O problema é mundial e a saúde de nossas praias e oceanos é que está em jogo. Ou começamos urgentemente a discutir e redefinir a questão da pesca industrial, ou o peixe irá acabar.

Recentemente, em Portugal, surfistas e ecologistas deram as mãos para protestar contra a sobrepesca. Por lá a situação é igualmente caótica. Os barcos pescam mais do que podem e os peixes estão acabando. 

Mais do que qualquer outro grupo de pessoas, o surfista forma uma classe de pessoas que passa uma grande parte da sua vida dentro d´água, e precisa da saúde das praias para continuar surfando e usufruindo da natureza na beira da praia.

Com a diminuição dos peixes-predadores nos aceanos, profundas transformações começam em todos os mares e praias. Sem os peixes maiores, podemos começar a sofrer com cardumes de águas-vivas ou ataques de tubarões, por exemplo. Uma situação de colapso, desencadeada pela pesca excessiva. 


A situação da pesca industrial, em todo planeta, é de pura exploração. Governos oferecem investimentos e subsídios para aumentarem suas frotas pesqueiras, países como o Japão e Espanha, que já acabaram com seus pescados, hoje estão acabando com peixes do Brasil, da Àfrica, e de países do pacífico sul.

No Brasil, os pescadores  tem um Ministério da Pesca e muito jogo político protegendo o setor. Para piorar um pouco a situação, nossos "representantes" criaram  políticas que incentivam navios de outros países a virem aqui pescar o nosso atum. 

Segundo o estudo “Ecosystem Overfishing in the Ocean“, “Atualmente, a captura total per capita nos grandes ecossistemas marinhos é, pelo menos, o dobro do valor estimado para assegurar a pesca em níveis moderados de sustentabilidade.” http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0003881

Segundo o canal Ciência e Meio Ambiente, em matéria escrita pela jornalista Fática Cristina Cardoso “A pesca predatória vem causando desertos azuis em várias regiões marítimas. Relatório divulgado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) esta semana mostra que 30% dos estoques de pesca nos oceanos estão sendo superexplorados e tendem a se esgotarem. Outros 57% dos estoques estão sendo explorados quase no limite e apenas 13% estão sendo parcialmente utilizados.”

Essa prática predatória está acabando com nossos peixes. Para você ter uma ideia, para cada tonelada de peixe comercial capturada, cerca de 10 toneladas de peixes ou animais indesejados também são mortos.  Existem navios de arrasto com redes com uma abertura de cerca de 20.000 metros quadrados, são redes grandes o suficiente para capturar mais de 500 toneladas de peixe. Isso em um único navio. São verdadeiras "fábricas de peixe" navegando atrás dos cardumes com potentes sonares.



Ou começamos a nos posicionar em defesa dos oceanos e de nossas praias, ou vamos ter que pagar um preço bastante alto no futuro.

Saiba mais sobre o assunto:


 Clique no link abaixo para ver a reportagem:
http://mais.uol.com.br/view/e0qbgxid79uv/barco-japones-domina-pesca-de-atum-em-aguas-do-brasil-04024C9A3762C4913326?types=A&



Precisamos parar com a sobrepesca.





Como Salvar nossos oceanos?  Reciclando.

13 de fevereiro de 2012

Assim acaba o plástico






Precisamos mesmo de tanto plástico? Os potes, embalagens e sacolas plásticas que utilizamos diariamente levam mais de 400 anos para se decompor. Serão agentes poluidores por gerações e gerações, causando problemas e acabando com a natureza e com a vida em nossas cidades, praias e oceanos. E somos todos responsáveis por essa quantidade absurda de lixo.

Um grande problema é que grande parte desse lixo acaba no mar, afetando a saúde de nossas praias e a frágil vida marinha. Tartarugas, aves, focas, golfinhos e uma grande quantidade de espécies de animais confundem pequenos pedaços plásticos com comida e acabam morrendo em decorrência direta do contato com esse material.

Precisamos urgentemente reduzir o consumo de embalagens e de sacolas plásticas. No Brasil ainda jogamos toneladas e mais toneladas diariamente nas ruas, rios e praias, entupindo bueiros e arrastando o lixo até o mar. No exterior já são muitos os países que estão banindo ou reduzindo a distribuição das sacolas plásticas no comércio. Na Irlanda o povo optou pelas sacolas fixas, mais ecológicas. Na Ruanda criaram uma lei que proíbe a utilização de sacos plásticos. No México foi adotado um plano verde que proíbe a utilização de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais. O mesmo acontece na Índia, na China, na Itália e na África do Sul.





10 motivos para recusar sacolas descartáveis e preservar a biodiversidade

A biodiversidade envolve todos os seres vivos que habitam o nosso planeta – incluindo os seres humanos e, num sistema interdependente como o nosso, o desaparecimento de uma espécie afeta a vida das demais.

Entre as várias atitudes que podemos tomar para preservar essa riqueza biológica da qual tanto dependemos, está a redução do uso de sacolas plásticas em nosso dia-a-dia. Aproveite para registrar, no site do Planeta Sustentável, as sacolinhas que você recusa diariamente!

Eis aqui dez motivos para você defender essa causa.

1. Os plásticos convencionais levam cerca de 400 anos para se decompor. Segundo um levantamento do Ministério do Meio Ambiente, de 2009, cada família brasileira descarta cerca de 40kg de plásticos por ano e mais de 80% dos plásticos são utilizados apenas 1 vez.

2. Por serem leves, os sacos plásticos voam com o vento para diversos locais e acabam poluindo não apenas as cidades, mas também nossos biomas, as florestas, rios, lagos e oceanos.

3. A sopa de lixo que flutua pelo oceano Pacífico contém mais de 100 milhões de toneladas, sendo que 90% são constituídos de detritos de plástico. Desse total, 80% vêm do continente.

4. Nos oceanos, as sacolas plásticas se arrebentam em pedaços menores e se tornam parte da cadeia alimentar de animais marinhos dos mais variados tamanhos. Ao ingerirmos esses animais, engolimos também resíduos de plástico que fazem mal à nossa saúde.

5. A ingestão de pedaços de sacolas plásticas já é uma das principais causas da mortes de tartarugas, que confundem o plástico com comida e têm seu aparelho digestivo obstruído. Estima-se, ainda, que em torno de 100 mil mamíferos e pássaros morram sufocados por ano por ingerirem sacos plásticos. Na Índia, cerca de 100 vacas morrem por dia por comerem sacolas plásticas misturadas a restos de alimentos.

6. Nas cidades, as sacolas descartadas de maneira incorreta entopem bueiros, provocando enchentes, que causam a morte de pessoas e animais domésticos, destroem plantas e árvores e até contribuem para que os peixes nadem para fora do leito de rios e morram.

7. Jogadas em um canto qualquer da cidade, as sacolinhas podem acumular água parada e permitir a proliferação do mosquito da dengue.

8. O plástico já é o segundo material mais comum no lixo municipal.Quando os aterros chegam à sua capacidade máxima, é preciso abrir outras áreas – que poderiam ser utilizadas para plantio de vegetação nativa, por exemplo – para o depósito de resíduos.

9. O material orgânico depositado em sacos plásticos demora mais para ser degradado e decomposto em nutrientes e minerais, que serão utilizados em outros processos biológicos.

10. Com a decomposição lenta dos resíduos orgânicos aprisionados nas sacolas plásticas, produz-se mais metano e CO2, que são liberados quando a sacola é rasgada e contribuem para a aceleração do aquecimento global.

Convencido? Então, sempre recusar uma sacolinha no supermercado, na farmácia, na padaria e onde mais te oferecerem uma, registre no Contador de Sacolas Descartáveis Recusadas, do Planeta Sustentável!Já são quase 2 milhões de sacolinhas evitadas. A biodiversidade agradece!

Especialistas consultados:
Prof. José Sabino, doutor em Ecologia pela Unicamp.
Fernanda Daltro, coord. técnica da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente.

8 de fevereiro de 2012

Surf Now Apocalypse Later

Praia do Porto, Imbituba, Santa Catarina. A ampliação do Porto de Imbituba está acabando com as ondas do Portinho e modificando a paisagem da praia que é o reduto dos surfistas mirins da cidade e também das baleias-franca.

Imbituba é abençoada com belíssimas praias e algumas das melhores ondas do Brasil, mas está novamente abrindo suas portas para as indústrias. Recentemente, uma grande fábrica de cimento, aproveitando toda a distração da Copa do Mundo, aprovou e construiu suas instalações em um antigo campo de dunas na entrada da cidade.

Uma coisa é certa, essa "diretriz" político-econômica envolve muito mais a exploração do que a conservação da natureza local.

Praia do Porto - Imbituba - Santa Catarina
Cenas co curta Apocalypse Later, Surf Now

Em contraste, as imagens de baixo mostram frames do curta APOCALYPSE LATER, SURF NOW. Pode parecer um tanto exagerado, mas não é preciso muita imaginação para visualizar onde o nosso planeta vai parar se as coisas continuarem nesse ritmo. Ou passamos a controlar o nosso crescimento e nossa ganância e mudamos de mentalidade, ou acabaremos com os recursos e com a saúde do planeta.


O curta APOCALYPSE LATER, SURF NOW, foi produzido com uma camera GoPro e alguns efeitos de 3D e after effects e simula o apocalipse na praia de Trestles, California. Uma belo trabalho de edição do cineasta ou a previsão de um futuro não muito distante?

Imbituba é só mais um exemplo, uma cidade costeira lindíssima, com grande potencial turístico e que poderia explorar ´diversos nichos de turismo com grande maestria. Possui praias e recantos lindíssimos com toda a beleza natural da mata atlântica, é berçário das baleias-franca e paraíso do surf. Em vez de aproveitar a natureza, a cidade parece preferir dar as costas à natureza e instalar fábricas e indústrias poluentes e liberar construções nos costões e encostas de morro. Infelizmente essa é a mentalidade dos "administradores" da grande maioria das cidades litorâneas: vender tudo o que pode e o que não pode e colocar o máximo de dinheiro nos bolsos. Cegados pelo brilho do dinheiro, nossos políticos estão acabando com o que de mais valioso a gente tem: a vida, a natureza.

Ou nos organizamos e lutamos pela preservação de nossas praias, ou o paraíso acaba.

Para quem não conhece as belezas de Imbituba, nos links abaixo tem algumas fotos e vídeos que publicamos aqui no SurfOnLine sobre as praias e ondas de Imbituba. Tem sessões de freesurf, as etapas dos mundiais e as vitórias de Jadson André e Gabriel Medina na Praia da Vila.



26 de janeiro de 2012

Desastre Ambiental em Tramandaí deixa várias praias interditadas no Rio Grande do Sul


Nessa quinta-feira, 26 de janeiro, um grande derramamento de óleo pintou as praias de preto no litoral norte do Rio Grande do Sul. O óleo grosso e de cheiro insuportável atingiu em cheio as praias de Tramandaí, Imbé e arredores. O acidente afeta também toda a vida marinha, que é bastante abundante na região. A Transpetro divulgou uma nota dizendo que o acidente aconteceu na monobóia do Terminal de Osório durante operação de descarregamento de um navio.

Quem é o responsável por estragar assim nossas praias e por matar milhares de animais da vida marinha? Quem responde por esse crime ecológico? Esse foi um grande dano ao meio ambiente costeiro e para as milhares de famílias que investiram nas férias junto ao mar. Esperamos que os responsáveis respondam judicialmente sobre esse crime contra o meio ambiente.


Veja mais direto no Ondas do Sul - www.ondasdosul.com.br


17 de janeiro de 2012

Repense o uso das sacolas plásticas!


Hoje a estimativa é de que, no mundo, um milhão de sacos plásticos sejam descartados por minuto. Isso é muito para a Natureza e a situação fica ainda mais crítica quando cerca de 200 espécies de vida marinha incluindo baleias, golfinhos, focas e tartarugas, morrem por causa das sacolas plásticas. Repense a utilização das sacolas plásticas! A natureza agradece!




O vídeo acima foi visto primeiro no



As imagens são da Paulphin Photography
http://www.youtube.com/user/PaulphinPhotography

17 de agosto de 2011

It's free

O brasileiro Kleber Estorilio mora a 5 anos no norte de Sydney, Austrália, onde produziu se dedica ao surf, aos vídeos e a fotografia.

“It’s Free” é um filme de surf dedicado aos surfistas de alma e a todas as pessoas que curtem a natureza. É também um projeto para incentivar as pessoas a começarem a usar a "Hierarquia de Resíduos" Reduzir, Reutilizar, Reciclar, para combater o aquecimento global.

O vídeo foi filmado e produzido por Kleber Estorilio e conta com a participação do músico Dudu Braga, outro brasileiro que vive na Austrália.

Apaixonado por surf, fotografia e vídeo, Kleber encontrou em Sydney, na Austrália, o cenário ideal para colocar em pratica um projeto antigo, utilizar o seu trabalho em prol do meio ambiente. A idéia inicial surgiu depois de ver tantas coisas boas e reutilizáveis sendo abandonadas na rua.

Altas ondas e uma boa idéia. Nosso planeta precisa demais de pessoas que lutem pela preservação e conservação da natureza e pela mudança de mentalidade. Precisamos cada vez mais de pessoas que salvem nossas praias e o nosso surf.



10 de junho de 2011

Exposição de Paulo Armando em Garopaba



O futuro não é mais amanhã. O futuro é hoje, aqui e agora. Não dá mais para esperar. Atitudes precisam ser tomadas. O planeta inteiro vive dias de agonia.

Com essa consciência ambiental o fotógrafo, ambientalista e surfista Paulo Armando decidiu que deveria sair do discurso e agir em prol de um planeta melhor. Sua idéia era fomentar uma consciência ambiental através do que melhor sabe fazer: fotografar. Paulo, nascido em Curitiba/PR, começou fotografando as praias onde passava férias com a família. Daí para a criação da UOS, Unlimited Ocean Serie, foi um click. A UOS nasceu como uma série de fotografias dedicada ao planeta, aos mares e oceanos, e logo se transformou em quadros e exposições.

O fotógrafo percebeu que na cultura surfe as pessoas estavam sempre predispostas a uma consciência de preservação. Os surfistas vivem em contato com a natureza, com o mar. Este fato o levou a entender que o surfe era uma excelente ferramenta a favor da preservação ambiental e da divulgação da causa.

Pois o Paulo Armando está fazendo uma exposição (de 2 à 30 de Junho) em Garopaba (SC), no aconchegante Bar e Restaurante Kimo, que fica na Rua Rio Grande do Sul (estrada que sobe para a Praia da Silveira). Apareçam e prestigiem o trabalho desse dedicado fotógrafo.

Seguem algumas fotos da abertura da Exposição Unlimited Ocean Serie no KIMO




24 de maio de 2010

Pesca da Tainha



PESCA DA TAINHA EM SANTA CATARINA
Texto e Fotos DadáSouza

Começou dia 15 de maio a temporada de pesca da tainha no litoral catarinense. O período de pesca vai até o dia 15 de julho e durante esses dois meses, quase todas as praias do Estado ficam fechadas para a prática do surf e de outros esportes aquáticos. Os pescadores dizem que os surfistas e turistas espantam o peixe. Os surfistas querem aproveitar o mar e suas ondas, que durante o inverno ficam maiores e melhores. Com interesses conflitantes, os atritos e as agressões infelizmente são bem comuns.

Como surfista, já tive que correr de pescador, já entrei em diversas discussões e até já surfei quando não podia, só para pegar duas ondas e sair correndo. Mas muita gente se deu mal, apanhou feio e foi ameaçado com facão. Muita gente teve suas pranchas apreendidas ou quebradas porque tentaram entrar no mar para pegar algumas ondas. Mais tarde, seguindo o velhque dizo ditado que diz “se não pode vencê-los, junte-se a eles", passei a procurar conviver com o pescador, a admirar o trabalho e a lida dura da pesca, e a entender um pouco mais desse outro lado da história, que envolve um grupo grande de gente que vive e que depende da pesca para sobreviver.

A proibição do surf e dos esportes aquáticos muda um pouco em cada cidade catarinense, os quais determinam se haverá ou não praias ou trechos liberados para a prática do surf. Apesar de toda a falta de embasamento que justifique a evacuação do mar e dos grandes constrangimentos que os surfistas vem passando, esta determinação vem funcionando até hoje, mais pelo fato de os pescadores serem um grupo muito mais organizado do que os surfistas, do que por alguma real necessidade de evacuação do mar. Na visão dos surfistas e dos turistas, a proibição é puro exagero, mas os pescadores estão todos registrados, aparecem nas votações com seus títulos de eleitor na mão, dizem quantos votos representam e fazem valer seus direitos. A pesca é uma atividade tradicional, milenar, e seus trabalhadores são gente simples e que dependem da pesca para sobreviver. Já os surfistas não se unem para lutar por seus direitos e acabam proibidos de pegar suas ondas. O surf é um esporte que movimenta milhões de dólares e que tem milhões de praticantes e admiradores país, principalmente em Santa Catarina, Estado que respira o surf. Mais do que um esporte, o surf é uma pratica milenar e uma profissão para muitos atletas. Seus números são tão grandes quanto os relacionados a pesca artesanal. Sem falar que o nosso esporte convive de forma exemplar com a praia, com o meio ambiente e com as espécies marinhas. Mas enfim, a proibição é lógica? A briga é injusta? Para que todos possam entender um pouco mais sobre a questão, coloco aqui alguns fatos e algumas visões sobre o tema.



O LADO DOS PESCADORES

A pesca é uma das atividades mais tradicionais do Estado de Santa Catarina. Tanto que muitas de cidades litorâneas de Santa Catarina foram criadas e desenvolvidas a partir da pesca artesanal, que é uma das atividades mais queridas e respeitadas por todos. Os pescadores são pessoas simples, que vivem quase que exclusivamente da pesca, de onde tiram o sustento de suas próprias famílias, além de colaborarem para a indúsrtia da pesca da pesca em todo Brasil. Uma classe de trabalhadores que deve sempre ser escutada e protegida. A portaria que determina o período da pesca da tainha apenas faz valer essa proteção aos pescadores que têm na safra sua maior fonte de renda, sendo esse o maior motivo para defenderem tanto a pesca da tainha. Durante este período, os cardumes sobem pela costa brasileira para fazer a desova da espécie, e os pescadores utilizam essa oportunidade para garantir uma boa pesca e o seu sustento. Para muitos pescadores, essa tradição é sua única forma de sustento, ou um bom incremento em suas rendas. É a famosa “Tainha das Ovas de Ouro”.





Rodrigo Pereira Medeiros, surfista, oceanógrafo com mestrado em ecologia e doutorado em sociologia política, disse no site www.waves.com.br que "a pesca de arrasto de praia mantém um sistema complexo de pescaria. Não se trata somente do ato de puxar rede, porque existem diversas pessoas envolvidas e uma certa divisão de funções – o vigia, os tripulantes (mestre, remeiros, e chumbeiros que lançam a rede na água) e existe a divisão da captura – o quinhão. O arrasto de praia também é um ritual de renovação dos laços comunitários, em que a comunidade (homens, mulheres, crianças e idosos) se reúne na praia e as pessoas trocam sentimentos de respeito, pertencimento e de reciprocidade. Rodrigo Medeiros dia ainda que pesca da tainha é muito mais que um processo produtivo-econômico, é um momento de manifestação do “território da pesca artesanal”. Porém, não deixando de lado a dimensão econômica, numa pesquisa que realizei no Pântano do Sul, os pescadores chegam a quadruplicar a sua renda durante esses dois meses. E isso tem uma importância muito grande, pois é o momento onde ele pode melhorar a sua casa, ou fazer uma reserva para os “meses de miséria”, quando a produção é baixa. Atualmente os pescadores do arrasto de praia estão revoltados e quase marginalizados, já que seu próprio representante – a FEPESC - favoreceu uma pescaria bem mais agressiva, maior e mais individualizada, ao contrário do arrasto de praia que envolve diversas famílias por comunidade".

É uma profissão, esteja em alta ou em baixa, deve ser respeitada

"Os surfistas são os “haoles” neste momento, pois atrapalham aquele momento comunitário, que pertencem a eles pescadores e não a nós surfistas. Além disso, eles esperam pelo peixe, e não buscam pelo peixe, capacidade que nós surfistas, em geral temos na nossa busca. É muito mais fácil para nós buscarmos ondas em outras praias, do que para os pescadores buscarem peixes em outras praias. Nossa forma nômade de surfar muitas vezes não respeita os processos comunitários que acontecem nas praias catarinenses", conclui Rodrigo Medeiros.

A pesca da tainha garante o alimento e o sustento de muitas famílias. Quando a pesca é farta, a comunidade local faz a festa!

Os pescadores reclamam que a prática do surfe espanta os cardumes e prejudica a pesca nas praias onde são usadas redes de pesca artesanais.
Eles defendem também, que as pessoas respeitem uma tradição de gerações. E acreditam ser justo também, terem o direito sobre as praias pesca na maioria das praias, tendo em vista que são pessoas nativas, que mantém a tradição e que tiram seu sustento do mar. Além disso, o período de pesca da tainha ocorre somente durante dois meses. Os surfistas têm 10 meses com 100% de liberdade. E mesmo durante os meses da tainha, algumas praias (a grande maioria delas são constantes e de boas ondas) ficam liberadas (parcialmente) para a pratica do surf. Não é um período de total proibição mesmo porque, muitos pescadores têm o costume de liberar o surf quando o mar sobe e as grandes ondas não deixam as canoas entrarem.

Os pescadores dizem que mesmo com todas essas discussões, não há o que reclamar. Além de acontecer por um período curto de tempo, existem as bandeiras informativas (se a praia esta liberada ou não para o surf)e existem muitos picos alternativos. A maioria dos casos de confusão é gerada por pessoas que não moram na praia e chegam em nosso litoral sedentas por ondas e não querem nem saber se existe pesca ou não. O pessoal que mora na praia entende e respeita essa prática. Muitos surfistas inclusive ajudam os pescadores a puxar as redes e aproveitam pra comer tainha na brasa com os amigos.

Um documentário sobre a pesca da tainha pode ser visto no site http://www.youtube.com/watch?v=4WH9iTzB5H8



O LADO DOS SURFISTAS

O surf é o terceiro esporte mais praticado no Brasil, possuindo milhares de praticantes em todo o território nacional, tornando-se mais do que um simples esporte, mas a diversão, a religião e a profissão de muitas pessoas, de diferentes, dentre mais diversas classes sociais. Vemos isso, principalmente no Estado de Santa Catarina, que possui litoral perfeito para a prática do surf, recebendo etapas do circuito mundial de surf profissional (WT e WQS) e um turismo bastante representativo em torno desse esporte. Como mercado, o surf movimenta bilhões de dólares a cada ano. Como promotor do turismo, o surf - ou até mesmo uma única onda específica, movimenta milhões de reais por ano em deferentes cidades ou regiões costeiras. Como esporte, temos um dos circuitos profissionais mais bem pagos do mundo e uma estrutura organizada com federação, associações, fábricas, marcas, atletas e todo um universo voltado para o esporte surf, o que faz gerar muitos empregos, movimentando a economia nacional. Como profissão, o surf é um esporte que sustenta centenas de atletas e famílias, só no Estado de Santa Catarina, são muitas as pessoas, entre atletas amadores e profissionais, que vivem aqui exclusivamente por causa do surf.
Nós surfistas,formamos um grande fatia de mercado consumidor, bem como representamos uma grande classe de cidadãos com poder de voto.

As principais visões e reclamações dos surfistas:

1. Mais do que um praticante esportivo, o surfista é um apaixonado pelo oceano. Um esporte saudável, ecológico, popular, e também uma profissão para muita gente, principalmente em Santa Catarina, onde vivem muitos atletas profissionais. Os surfista (e nessa categoria entra o surf, o kiteSurf, WindSurf, BodyBoard, BodySurf, KayakSurf, o LongBoard, o Tow-In, o StandUp Paddle ou qualquer outra modalidade de esporte aquático no mar), querem garantir o acesso às praias e às ondas, que são território livre no mundo todo, menos em Santa Catarina.

2. Surfistas e pescadores são dois grupos de pessoas que vivem do mar, com o mar, e para estar perto do mesmo. É muito comum acontecer a inter-relação entre as atividades:um surfista também ser pescador, pescadores são também surfistas, ou pai de surfistas. Uma atividade complementa a outra e pode (e deve) transcorrer de forma tranqüila e amistosa. Os surfistas admiram e respeitam a pesca e convivem de forma tranqüila com os pescadores. O contrário é que parece não acontecer. Para os pescadores os surfistas não passam de um bando de desocupados e que só atrapalham a pesca, o que não é verdade.

3. Todo sujeito que surfa no sul do Brasil sabe muito bem que o surfista não espanta a tainha ou os outros peixes. Os cardumes passam no meio dos surfistas chegando a bater nas pernas e nas pranchas, demonstrando que não sentem medo de nós surfistas. Os surfistas não matam e não são predadores dos peixes, não representam qualquer ameaça de perigo às tainhas, que convivem com os surfistas em praticamente todas as praias do sul do Brasil. Existem surfistas e existe a pesca em quase todas as praias e oceanos do mundo. E em nenhum outro lugar o surf é proibido por espantar os peixes. Não existe nenhum estudo que diga que os surfistas na linha da arrebentação afugentem os cardumes, justamente por não oferecermos perigo algum aos peixes.

Ondas perfeitas e proibidas prejudicam o esporte e o turismo

4. Além de achar uma injustiça essa "lei" imposta pelos pescadores, os amantes das ondas são hostilizados, humilhados e até agredidos, muitas vezes por pessoas alcoolizadas e que em bando ficam perigosas. Os surfistas entendem que é muito mais fácil e cômodo para o pescador brigar na beira da praia com os surfistas do que lutar em Brasília contra seus representantes, que autorizam a pesca industrial próxima à praia, esse com certeza o maior responsável pelo sumiço das tainhas. Pranchas quebradas e destruídas a golpes de facão, surfistas humilhados, agredidos e expulsos da praia são atitudes que sempre existiram, e que deveriam ser tratadas como caso de polícia, e não o contrário.

5. Nos ranchos de pesca, além dos pescadores, encontram-se também, muitas pessoas que passam o dia bebendo e jogando carta. Nem tudo mundo é pescador, mas na hora de cercar ou xingar o surfista, todo mundo vira pescador profissional e quer mesmo é exercer o seu "direito" de mandar na praia. Mais do que pescar.

6. Os pescadores não podem prender, agredir, ofender ou executar a sentença de um surfista. Pescador não é oficial, não é polícia e nem juiz para ter esse poder. Ninguém pode ter tanto poder e muito menos ser um ditador das praias. A época do coronelismo já não acabou e o que todos querem hoje, é respeito.

7. Os surfistas estão levando a fama de espantar os peixes quando é obvia e notória a presença dos imensos e numerosos barcos pesqueiros com seus motores, sonares, barcos de apoio e todos os equipamentos da pesca industrial, essa sim cruel e predatória. Existem ainda as redes de pescas de arrastão não registradas e uma atividade pesqueira que desrespeita o período de desova. Estas atividades obviamente são muito mais danosas ao peixe e ao meio ambiente do que os surfistas, mas nesses assuntos, ousa comentar e discutir.

8. Os surfistas aceitam e respeitam a tradição da pesca, atividade cultural e tradicional de Santa Catarina, mas também ressaltam que aqui existe também um esporte grande, popular e com força crescente, que também tem o direito ao seu espaço. Não é porque a pesca da tainha é tradicional e centenária que ela não possa ser ajustada para uma realidade atual, tanto ecológica quanto social.

9. Existe um acordo, entre surfistas e pescadores, de quando o mar subir e as canoas não puderem entrar, os pescadores abrem as praias para os surfistas. Mas esse acordo nem sempre funciona. São muitos os dias de ondas grandes e mar grosso que passam sem aproveitamento algum para a pesca e proibidos para o surf. Os pescadores costumam não liberar o surf porque, segundo eles, se liberar um dia, os surfistas vão querer surfar em qualquer dia de onda, e isso eles não querem.




O LADO DA TAINHA

A tainha sempre foi uma espécie abundante em nosso litoral. A grande maioria delas sai da Lagoa dos Patos e das inúmeras lagoas de água doce para desovar no mar. É uma espécie comum em todo o litoral brasileiro.

Andando sempre em grandes cardumes, as tainhas passeiam próximas as praias e nessa época do ano viram um grande e lucrativo negócio para as empresas de pesca industrial e para os pescadores artesanais. É a chamada "tainha dos ovos de ouro", que carregadas de ovas, passam a ser agressivamente perseguidas, pois além de lucrar com a venda dos peixes, os pescadores lucram também vendendo as ovas.

Antigamente, a pesca artesanal correspondia a quase 100% da pesca da tainha. Hoje, 90% da pesca da tainha correspondem à pesca industrial, que está acabando com os cardumes e deixando cada vez menos peixe para os pescadores artesanais, que usam redes de pesca próximas a praia. Os grandes barcos pesqueiros estão cada vez mais próximos da costa, pegando tudo que aparece na frente, e todos perdem com esse tipo de pesca. Principalmente a tainha.

O Ibama, órgão que regulamenta a pesca no litoral brasileiro. Somente no ano passado determinou defeso em favor da Tainha, onde ficou decidido que ate o dia 15 de julho, os pescadores não podem pescar a espécie devido ao período de desova da espécie.

Um bom exemplo na lida com a tainha aconteceu na cidade de Rio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul, aconteceram diversas reuniões (e discussões) com os pescadores para que estes fossem conscientizados a ficar 1 ano sem pescar na época de desova. Depois de muita luta, conseguiram. No ano seguinte a quantidade de peixes pescados foi mais do que o triplo do ano anterior. Ou seja, os pescadores deveriam se unir e brigar forte no que diz respeito a proteção da pesca artesanal e da própria tainha. Principalmente contra os barcos pesqueiros que passeiam próximos a costa, afinal são estes os principais responsáveis pelo fim não só das tainhas, como de muitas outras espécies.


Se não houver uma pesca planejada e protegida, a tainha pode acabar.

A grande questão aqui é como a tainha vai conseguir se reproduzir se são pescadas e mortas ainda com suas ovas? Como a espécie vai continuar alimentando e abastecendo as famílias de pescadores artesanais, se a pesca industrial continuar tão agressiva e predatória?

Segundo o IBAMA, considerando que "a tainha encontra-se classificada como espécie sobrexplotada, integrante do Anexo II da Instrução Normativa/MMA N.° 05, de 21 de maio de 2004, com demanda para elaboração e implementação de Plano de Gestão, num prazo de 05 anos, desde a data de sua publicação;
Considerando que a avaliação dos estudos disponíveis e das questões apresentadas, sugeriu urgência quanto à definição de medidas de ordenamento eficazes, que possam orientar corretamente a prática dos produtores artesanais e industriais, possibilitando tanto a proteção do período mais vulnerável do ciclo de vida da tainha, a recuperação dos estoques, a manutenção da atividade e a redução dos conflitos";

http://www.notadez.com.br/content/noticias2.asp?id=62998


O surf é um dos esportes mais praticados no Estado de Santa Catarina. Gabriel "Banana", local de Garopaba, surfando na Praia da Ferrugem, um dos poucos picos liberados na Região de Garopaba.

O LADO DO TURISMO

O surf é um dos esportes mais praticados no Brasil e no mundo, sendo o principal esporte aquático do país, junto com a natação. Viagens em busca de praias e de ondas é um dos principais e dos mais constantes movimentos turísticos em direção a costa catarinense. No verão e no inverno, calor ou com frio, faça chuva ou faça sol, centenas de surfistas com suas namoradas, amigos ou famílias, partem em direção as praias de Santa Catarina, deixando seu dinheiro nos postos de gasolina, supermercados, farmácias, pousadas, hotéis, padarias e no comércio local, gerando uma renda muito bem distribuída. Uma região com ondas de qualidade pode ter uma receita de milhões de reais por ano, gerados diretamente por esse grupo de turistas. Se uma onda dessas entrar para circuito turístico desta tribo, é golaço na certa. Atrás de uma onda de qualidade vêm os surfistas, as namoradas, as famílias, a moda, a mídia e mais surfistas, aumentando cada vez mais o volume de dinheiro que torna sadia a vida financeira das cidades costeiras. O problema é que a maioria dos nossos políticos não têm essa visão política. A politicagem de muitos de nossos prefeitos e secretários de turismo focam mais nos benefícios imediatos do que nas estratégias turísticas de médio prazo.

Outro ponto bastante discutido pelos surfistas é o fato de o turismo formado pelo surf gerar muito mais dinheiro para as cidades pesqueiras do que a pesca artesanal. Tornando o lucro mais bem distribuído nas pousadas, hotéis, mercados e em todo o comércio das cidades. Todo mundo lucra com esse turismo. Valendo salientar que durante os meses de inverno, quando nossas praias ficam vazias, a economia das famílias e da cidade sofre uma queda brusca. A situação piora quando se proíbe o surf e muitas pessoas deixam de vir para as praias de Santa Catarina por causa da pesca da tainha. Sendo ainda mais agravada, quando algumas dezenas ou centenas de sites (e em diversas idiomas), relatam que durante os meses da pesca da tainha as praias catarinenses estão fechadas para a prática de esportes aquáticos e que o surf está proibido. Muitos desses sites comentam sobre a agressividade dos pescadores com quem tenta entrar na água durante a época de pesca. É o tipo de propaganda que não ajuda muito.

A gigantesca maioria de nossas praias não possui indústrias ou um comércio forte, que sobreviva fora da temporada de verão, tendo sua economia sustentada pelo serviço público ou do turismo. Ao proibir as praias, prejudicamos o turismo, que precisa de mais gente nas praias, e não de proibições. Se o turista não deixar aqui um pouco do seu dinheiro, todos saem perdendo, principalmente as cidades e praias.

Existe também um outro seguimento do turismo, que embora menor movimenta a região, que é formado por apreciadores da pesca, pessoas que vem a praia para acompanhar a movimentação dos pescadores com suas redes e a pesca da tainha. São os casais, os aposentados e as famílias que admiram a pesca da tainha, e que aproveitam para comprar seu peixe fresquinho, direto das mãos do pescador. Esse turismo também é muito bem vindo e nossas prefeituras deveriam incentivá-lo, já que promovem e valorizam a profissão do pescador. Festivais da Tainha e Festivais de Inverno deveriam ser rotina em nossas praias, tudo para atrair o turista , criando um outro seguimento para a economia, com a venda de produtos e serviços locais, em cada cidade.

Do ponto de vista das cidades litorâneas, basicamente dependentes da atividade turística, tanto o turismo gerado pelo surf como aquele baseado na pesca são importantes e valiosos na vida e na economia de cada uma destas cidades costeiras. E todas as ações para atrair e agradar esses turistas devem ser promovidas em prol do desenvolvimento sustentável de cada cidade ou região.


Barcos de pesca ultra equipados e bem pertinho da praia, em Garopaba. Foto DadáSouza

O LADO DA LEI

Não sou advogado e não entendo muito de leis, por isso vou ser bem breve. De fato, e qualquer leigo sabe, não existe uma lei que proíba as pessoas de entrarem no mar. E aqui existem muitos pontos a serem considerados. Primeiro, é que a Portaria da Capitania dos Portos que proibia o surf foi revogada com o surgimento da Instrução Normativa número 171, de 9 de maio de 2008, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). A instrução normativa aborda a pesca da tainha, e segundo o IBAMA não há nenhuma especificação quanto a proibição a prática do surf, pois esse assunto não é da sua competência. Desta forma, a proibição de pessoas livres entrarem no mar para pegar ondas, é ilegítima. Vale lembrar também que mesmo que essa lei fosse legítima, ela deveria ser executada por agentes públicos responsáveis, e nunca pelos próprios pescadores, como vinha acontecendo. Na verdade, o ato de proibir alguém de usufruir da praia, isso sim é crime. Se houver constrangimento ou violência, as penas podem aumentar ainda mais. O mais certo a se fazer, em caso de violência ou de ameaças, é procurar a polícia e fazer valer o seu direito de cidadão. Se ninguém denunciar, os abusos contra os esportistas continuarão. Os surfistas estão impedidos de entrar no mar porque são acusados de espantar o peixe, acusação essa que não tem lógica ou comprovação científica. O que existe hoje em Santa Catarina e que vem funcionando razoavelmente bem é um acordo, que foi feito em Florianópolis, onde o vereador Xande Fontes, na época também Presidente da Federação Catarinense de Surf, se reuniu com as autoridades e representantes da pesca e firmou um termo de compromisso entre surfistas e pescadores, onde durante os dois meses da pesca, o surf ficaria restrito a poucas praias por região, em favor do respeito à cultura da pesca.

Os pescadores, claro, esperam que haja a colaboração dos surfistas para que a pesca continue fazendo parte da cultura e da tradição de Santa Catarina. Os surfistas, por sua vez, percebem a necessidade de mais união e estão amadurecendo sua consciência social , o que os levarão a lutar mais para fazer valer o seu direito de cidadão.
Na verdade muitas praias já não fazem mais a tal proibição: Quando tem peixe, os surfistas saem e ajudam a puxar a rede, é a melhor conciliação possível.



A Praia da Ferrugem tem o seu canto norte sempre liberado. Na foto o local Roni Ronaldo fazendo o seu treino diário. Foto DadáSouza


AS CONCLUSÕES E OS CAMINHOS PARA O FUTURO

Todos esperam que o bom senso e a boa relação entre surfistas e pescadores prevaleçam sobre a ignorância, e que os dois lados envolvidos tenham os seus direitos assegurados. Que todos os surfistas e que todos os pescadores possam praticar seu esporte/profissão com liberdade, já que dos dois lados temos praticantes amadores e apaixonados e também gente profissional, que sobrevivem, seja da prática do surf ou da pesca. Duas atividades livres por excelência.

Com as brigas e as proibições, quem sai perdendo são as cidades costeiras, que deixam de arrecadar muito mais dinheiro com o turismo. As cidades que possuem praias com ondas de qualidade sabem muito bem o quanto o surf representa na sua economia, principalmente nos meses de inverno. Afinal de contas, junto com o surfista vêm as namoradas, os amigos, as famílias, as festas.. E mais surfistas.. e mais amigos..

Como surfista que mora na praia e convive lado a lado com os pescadores, reconheço que devemos respeitar o pescador e suas tradições. Admiro a pesca, os pescadores e sua batalha para conseguir o seu sustento e o nosso alimento. Como bem diz o Gustavo Otto, do blog Surf4ever (http://surf4ever.wordpress.com), "Sou a favor da preservação da tradição Açoriana da Pesca da Tainha. É parte da cultura e da economia da nossa cidade, assim como em outras cidades catarinenses e brasileiras, e deve ser preservada, sempre. Saborear uma boa Tainha também pesa nesse apoio, não há como negar. Acho que devemos olhar pra frente, esquecer rixas do passado e pensar em como Surfistas e Pescadores podem conviver pacificamente, negociando quando for possível (grandes ondulações que impossibilitam a entradas dos barcos, após um cerco bem sucedido, delimitação de áreas, etc)".

A proibição ao surf é um crime que fere o direito de ir e vir de qualquer cidadão, ainda mais nas praias, que são públicas e território livre. Essa “lei” deve acabar em breve, visto que não possui grandes fundamentos. Existe mais interesse por votos nessa questão, do que necessidade real de fechar alguma praia. A mentalidade turística e esportiva deve prevalecer nesse sentido liberando as praias e as ondas para todos.

A grande maioria dos problemas acontece com os surfistas de final de semana e com os turistas, que desconhecem as regras locais, chegam à praia com uma “fome de ondas” maior do que o respeito aos nativos e aos locais. E também com os pescadores agressivos, que abusam da “autoridade” e agem como polícia e como juiz, julgando e executando suas leis diante de encurralados surfistas. Mas no geral, o surfista nativo ou morador da praia conhece as regras e respeitam o pescador, negociando com respeito. Estes sempre conseguem surfar boas ondas nos picos permitidos.



A grande luta deve acontecer mesmo, é contra a poderosa indústria pesqueira. Os pescadores artesanais sofrem para conseguir as sobras da pesca industrial e em breve não restará nada para o pescador tradicional. Enquanto os pescadores artesanais ainda utilizam técnicas rudimentares para identificar os cardumes no mar, as grandes embarcações utilizam sonares que localizam os cardumes a cinco milhas de distância.
Uma concorrência bastante injusta. O futuro da pesca artesanal depende da ajuda de todos. A atividade já está quase desaparecendo e deve ser incentivada e promovida com eventos e com incentivos do governo e das prefeituras, caso contrário corre o risco de morrer. Pescadores e surfistas, juntos, podem lutar contra a pesca industrial da tainha e assegurar o futuro desse tipo de pesca exclusivamente para o pescador artesanal. Podem lutar pela preservação e conservação das nossas praias e em projetos comunitários e sociais.

Se essas duas categorias parassem de brigar e passassem a se unir para lutar a favor de nossas praias, do nosso mar, muita coisa poderia mudar. E precisa mudar. A preservação e o uso inteligente dos recursos do mar devem ser urgentemente reavaliados e evoluídos, caso contrário a pesca acaba.

Mas visões a parte, o que não pode mais acontecer, é o clima de agressividade e essa guerra (as vezes fria e as vezes bem quente) entre surfistas e pescadores. A realidade atual, com surfistas sendo ameaçados ou até apanhando na beira da praia, com pranchas sendo destruídas sem piedade, muitas vezes por pessoas totalmente embriagadas que chegam em bando. Essa realidade é que não pode continuar. Durante os melhores meses do ano (para a pesca e para o surf) um clima chato acaba imperando na maioria das praias catarinenses. Em Garopaba, os pescadores não querem mais os carros na praia porque os carros espantam o peixe. (pessoalmente, acho que os carros não deveriam entrar nunca nem praia alguma). Julgando-se os donos da praia e verdadeira autoridade, os pescadores cerraram pinheiros, fechando o acesso ao canto sul da Praia da Ferrugem. E isso com os carros ainda na praia. A radicalidade e o coronelismo nativo não podem mais prevalecer sobre o bom senso, sobre as leis e contra um esporte saudável e ecológico.

Surfistas e pescadores são os dois grupos de pessoas que mais tem contato, respeito e amor com o oceano. E devem achar um meio pacifico de lidar com a questão. Sem ignorância, sem arbitrariedade, e utilizando sempre o bom senso.
Ambas as atividades são típicas em Santa Catarina, e é preciso que haja uma convivência harmônica entre as partes. Vale lembrar que muitos dos pescadores são surfistas, e que muitos surfistas são pescadores, e costumam fazer parcerias para realizar os arrastões da tainha. Toda essa confusão se resume a duas palavras: educação e respeito. E isso vale para os surfistas e para os pescadores.

Esperamos que as entidades envolvidas (IBAMA, Capitania dos Portos, Fecasurf, Associação de Pesca) acabem de vez com essa situação ridícula de proibir as praias para as pessoas de bem, nessa espécie de apartheid da parafina.

Pescadores de Garopaba se lançam ao mar para cercar o cardume. Foto DadáSouza


FIQUE LIGADO!

Atualmente, as praias são liberadas ou proibidas de acordo com cada região. Algumas praias sinalizam se haverá pesca ou surf através de bandeiras de sinalização. Quando há cardumes na região, bandeiras são hasteadas informando a proibição do surf. Com o mar grande, quando sair de barco torna-se perigoso, as bandeiras são baixadas e a praia liberada para o surf. Em outros locais rola um sistema de cores: bandeira branca: surf; bandeira vermelha: pesca.

Esse sistema vem funcionando razoavelmente bem e os surfistas costumam respeitar a sinalização. Alguns trechos, de algumas praias, estão sempre abertos para a prática do surf. Mas nem sempre são os picos com boas condições e esse que é o problema. Se as únicas praias liberadas quebrarem boas ondas com vento nordeste, o que farão os surfistas nos dias de vento sul? Para evitar problemas, informe-se antes de encarar o surf aqui nas praias catarinenses e, na dúvida, pergunte sempre antes de cair no mar qual é a situação do local.


Mais informações pode ser lida nos sites abaixo


http://www.ibama.gov.br/cepsul/index.php?id_menu=137&id_arq=21

http://maurioborges.blogspot.com/2009/05/bem-vindo-faixa-de-gaza.html

http://surf4ever.wordpress.com/2007/05/01/%C2%BB-tainha-na-area/

http://waves.terra.com.br/surf/noticia/o-lado-dos-pescadores/36405

http://www.floripaturbo.com.br/noticias/pesca-da-tainha.php

http://revistadasaguas.pgr.mpf.gov.br/edicoes-da-revista/edicao-7/edicoes-da-revista/edicao-7/artigos/administracao-de-conflitos-no-mar-de-santa-catarina-pescadores-artesanais-x-pescadores-industriais

http://www.swellfarol.com.br/noticias/0/522/pesca_da_tainha_2009_-_proibir_e_crime