
Pela terceira vez estou lendo o clássico STOKED, uma história da cultura do surf, um brilhante (e bem americano) livro sobre a nossa cultura surf. Das antigas alaias dos reis havaianos ao reinado de Kelly Slater. O livro é editado por Drew Kampion e Bruce Brown, dois dos grandes nomes da "mídia" surf e caras que sabem muito da nossa história.
Drew Kampion escreve desde os anos 60 sobre o surf. Trabalhou na Surfer, na Surfing e na Wind Surf. Publicou também o best-seller Book of Waves (1989).
Bruce Brown é um renomado film maker e responsável por alguns dos melhores filmes de surf do mundo como Endless Summer I, Endless Summer II e Step into Liquid.
Mas enfim, algumas coisas vou publicar aqui. Pequenas notas, frases e idéias. Mas de qualquer maneira vai lá e compra o livro. Sem dúvida nenhuma, um clássico que vale a pena ler e ter na estante.
Surfers are members of a different race of people from the man in the street.
(Nat Young, Campeão Mundial de Surf em 1966)
Qualquer surfista afirmará com toda convicção, que só o Surf é que torna a vida digna de viver - todo o resto é uma perda de tempo entre duas ondas. STOKED consegue captar, de maneira perfeita, esta sensação no ritmo dos mares.
(Gerry Lopez, mestre de Pipeline)
Subcultura. O meu grande e grosso dicionário Random House descreve-a como: "um grupo com características sociais, economicas, étnicas ou outras suficientemente distintivas para os distinguir de outros dentro da mesma cultura ou sociedade".
E culto? "Um grupo com uma ideologia sagrada e um conjunto de ritos centrados em torno dos seus símbolos sagrados". Viria a descobrir que o surf era o subculto de viciado.
(Drew Kampion)
A essência do surf
O surf é o ato ilusoriamente simples de apanhar uma onda do oceano em cima de uma prancha. Na realidade, enquanto proeza física fundamental, fazer surf numa onda é uma conjunção fenomenal de forças; a sua matemática é profundamente complexa. No entanto, enquanto expressão do relacionamento essencial entre o homem e a natureza, o surf é únicop na sua clareza. E enquanto metáfora de vida e qualquer coisa que a vida nos atire, não tem paralelo. A vida é uma onda. Até Albert Einsten o disse.
Tudo no mundo material se manifesta em ondas, mas, embora a dinâmica das ondas module as fases da nossa existência, esse fato só se torna mais graficamente aparente quando o homem vai para o mar. A representação mais arquetípica e simbólica desse relacionamento - entre o homem e os ritmos e força da natureza - está expressa no ato de pegar uma onda. A pureza elementar desse encontro explica bem o atrativo quase universal do surf.