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23 de setembro de 2019

DEPOIS DO CHEIRO DE CLORO, O CHEIRO DO TRI

Photo: Steve Sherman

Oito das 11 etapas do circuito já ficaram para trás. Ítalo Ferreira venceu na Gold Coast; John John em Bells; Kanoa Igarashi em Keramas; John Florence em Margaret River; Filipe Toledo em Saquarema; Gabriel Medina em J-Bay, Owen Wright em Teahupo’o e Gabriel Medina novamente em Lemoore. Com seis vencedores diferentes, essa corrida pelo título de 2019 promete ser acirrada até a última onda, mas não duvidem que o Gabriel Medina possa resolver essa antes mesmo de chegar no Hawaii.

Depois de assistir duas etapas em ondas poderosas, desafiadoras e selvagens (J-Bay e Teahupo’o), assistimos um campeonato em um tanque de ondas artificiais. Para uns foi o clímax e o anticlímax do circuito, para outros uma novidade interessantíssima de se assistir. Uns pedem o fim da etapa, outros querem ver mais piscinas no tour. Os dois primeiros dias de competição deixaram bem claro que o evento é tedioso. O último dia deixou claro que o campeonato não é tedioso ou lá tão previsível. Se a etapa continua no tour? Existem rumores, teorias e apostas. 


Leia a matéria completa direto na Revista Hardcore
https://hardcore.com.br/surf-talks-6-depois-da-piscina-cheiro-de-tri-mundial-no-ar/

9 de setembro de 2018

GABRIEL MEDINA E CARISSA MOORE SÃO OS CAMPEÕES DO SURF RANCH PRO

Gabriel Medina, Campeão do Surf Ranch Pro 2018 e vice-líder do ranking. Foto WSL/Cestari


Por: Dadá Souza

O brasileiro Gabriel Medina e a havaiana Carissa Moore foram os grandes campeões do Surf Ranch Pro 2018, a 8ª etapa do circuito mundial da WSL. Essa foi a segunda vitória consecutiva de Gabriel Medina esse ano e a sétima vitória do Brasil em 8 eventos disputados.

Depois de 8 etapas, o circuito mundial segue completamente dominado pelos brasileiros. Gabriel Medina venceu 2 etapas, Filipe Toledo venceu 2 etapas, Italo Ferreira venceu duas etapas e Willian Cardoso venceu uma. Os brasileiros só não tiveram a chance de vencer a primeira etapa porque Tomas Hermes foi prejudicado no julgamento. Filipe Toledo é mais líder do que nunca e segue reto e direto para seu objetivo de vencer o título. Gabriel Medina segue na sua cola com um ritmo inpressionante e um retrospecto pra lá de excelente nessas últimas 3 etapas que restam. Essa briga vai ser muito boa e só um milagre tira esse título do Brasil. Julian Wilson continua na terceira posição do ranking, mas verdade seja dita, apesar de Julian ser um surfista talentoso e muito acima da média (inclusive na elite), tem bastante gente surfando melhor do que ele esse ano. 

O Surf Ranch Pro foi um passo inédito na história do surf mundial. Já havíamos visto campeonatos em piscinas a muito tempo atrás, mas essa foi a primeira vez que uma etapa do circuito mundial da WSL aconteceu em uma onda artificial de alta performance e com um novo formato de competição. Uma mudança e tanto no sempre tão conservador circuito mundial de surf. Muita gente gostou e muita gente não gostou, o fato é que o evento rodou redondinho (tirando aquele episódio de mandarem repetir as ondas) e teve um saldo mais positivo do que negativo.

Ninguém pode reclamar que não teve onda. Muita gente comentou que gostaria de ver sessões com mais personalidade nessa onda do Kelly, mas não só as ondas estavam lá como tinham hora exata para quebrar e sessões de tubo e de manobra. Todo mundo surfou na mesma condição e as ondas eram rápidas, perfeitas e, de certa forma, desafiadoras. Não teve quem não queimou as pernas tentando vencer a locomotiva. 

A WSL também entrou para a história ao decretar que homens e mulheres receberão a mesma premiação em dinheiro. Em um esporte tradicionalmente comandado e administrado por homens, surpreendeu o reconhecimento da igualdade. Justíssimo, até porque nessa mesma piscina de ondas algumas mulheres definitivamente surfaram melhor que alguns homens. Ponto para a WSL. 

Depois de dois dias de apresentações, os finalistas foram Gabriel Medina, Julian Wilson, Filipe Toledo, Owen Wright, Kanoa Igarashi, Miguel Pupo, Sebastian Zietz e Kelly Slater. Julian e Kelly chegaram às finais deixando muita gente desconfiada do julgamento e da lesão de Slater, que ninguém sabe se ainda existe, já que ele vem surfando e competindo quando quer.

PRIMEIRA RODADA

Sebastian Zietz (HAW), Miguel Pupo (BRA), Kelly Slater (USA) e Owen Wright (AUS) surfaram com dificuldade e acabaram cometendo erros fatais em suas primeiras ondas. Filipe Toledo (BRA) foi o primeiro a surfar bem, fez uma boa esquerda de 13 manobras e caiu antes de chegar no tubo. Na direita Filipinho fez 4 manobras, surfou um tubo de 11 segundos, fez 3 manobras fortes, pegou um tubo profundo e deu um aéreo rodando no final da onda e marcou 8.33. Foi o primeiro a finalizar a direita sem erros. Kanoa Igarashi (JAP) não fez uma boa esquerda e caiu na metade do percurso. Na direita ele surfou muito bem mas caiu no aéreo de finalização e marcou 8.17. Kanoa ganhou uma nota excelente em uma onda incompleta, coisa que até então não tinha acontecido. Julian Wilson (AUS) fez uma sequencia de 13 manobras meio burocráticas e errou o aéreo no final e marcou 5.73. Na direita Julian caiu no primeiro tubo sem mostrar nada demais. Gabriel Medina (BRA) errou logo no começo da sua primeira esquerda. Na direita Medina fez 3 manobras, pegou um excelente tubo de qw segundos, fez uma sequencia de manobras fortes, entubou no inside e deu um aéreo rodando no final e marcou 8.73. A primeira rodada terminou com Filipe em 1º, Kanoa em 2º, Gabriel Medina em 3º e Kelly Slater em 4º. Entre as meninas Carissa Moore fez incríveis 8.33 e 9.00 e saiu na frente, com Lakey Peterson ficou em 2º, Caroline Marks em 3º e Stephanie Gilmore em 4º.

SEGUNDA RODADA

Sebastian Zietz surfou a esquerda de um jeito meio burocrático e caiu na metade do percurso. Na direita Seabass fez sua primeira boa onda, só caiu na finalização e marcou 7.90. Passou de 8º para 2º. Miguel Pupo surfou uma ótima esquerda, destruiu sua onda, levantou a torcida e marcou 8.13. Na direita Miguelito errou no primeiro tubo e não fez uma boa onda. Kelly Slater errou logo no início da esquerda. Na direita Kelly surfou como nos velhos tempos e fez 8.60. Com essa onda Slater passou de 4º para 2º. Owen Wright surfou uma ótima esquerda, só errou a manobra de finalização e marcou 7.43. Trocou a nota. Na direita Owen foi mais burocrático e acabou caindo dentro do primeiro tubo. Filipe Toledo tinha que trocar 6.83 na sua esquerda. Surfou agressivo, rápido, mas não saiu do tubo e marcou 6.20. Na direita Filipe foi monstruoso e surfou a melhor onda de todo o campeonato, deveria ter ganhado uma nota 10 unânime e marcou 9.80.  Pouco mais de um ponto de diferença entre as ondas do Kelly e do Filipe foi algo tão feio que expôs os juízes ao ridiculo. Kanoa Igarashi caiu na esquerda e fez uma boa direita, mas não trocou suas notas. Julian Wilson surfou burocrático demais na sua esquerda, alisou demais telegrafando o aéreo do final, e caiu na manobra de finalização. Na direita Julian até fez uma boa onda, mas caiu na finalização. O vice-lider do ranking foi para a última colocação. Gabriel Medina precisava fazer uma boa esquerda, surfou um pouco mais seguro, finalizou com um aéreo kerrupt no final da onda e marcou 8.53. Na direita surfou com muita potência, entubou fundo e com muita técnica, mas caiu na última manobra.  Medina finalizou a segunda rodada na 1ª colocação, com Filipe Toledo em 2º, Kelly Slater em 3º e Sebastian Zietz em 4º. Entre as meninas Carissa Moore melhorou suas notas e disparou na liderança. As demais posições não se alteraram.

Depois disso alguém falou que as ondas não foram iguais para todos  e que os e as surfistas teriam o direito de surfar novamente para a esquerda. Problemas com o vento? Com o fluxo de agua? Com o operador da maquina? Para variar ninguém falou nada. Quem se beneficiou com a onda extra foi Kanoa Igarashi, que de 5º passou para 3º, rebaixando Kelly e Sebastian Zietz, e Gabriel Medina, que já estava em 1º e melhorou sua nota na esquerda ampliando a sua vantagem. 

TERCEIRA RODADA 

Sebastian Zietz bem que lutou para tentar surfar bem, mas simplesmente não conseguiu. De qualquer maneira fez sua melhor nota na esquerda na competição: 7.17 e finalizou a etapa na 7ª colocação. Miguel Pupo tinha 8.13 na esquerda, surfou uma boa onda, mas errou na finalização e não melhorou sua nota. Na direita Miguel Pupo tinha 4.83, uma nota fácil de trocar, mas caiu no primeiro tubo e não conseguiu trocar sua nota e terminou o evento na 8ª colocação.  Kelly Slater surfou uma ótima esquerda, sua melhor esquerda no evento. Kelly precisava de 9.13 para superar a onda de Medina, mas marcou 7.67. Na direita Kelly não foi bem e terminou a etapa na 3ª colocação, seu melhor resultado no ano. Owen Wright, que vinha sendo um dos melhores surfistas da competição nos primeiros dias, muito pouco mostrou nas finais. Na esquerda Owen caiu logo no início da onda e na direita fez uma onda boa mas um tanto conservadora e ganhou 7.97 pontos e terminou o evento na 5ª colocação. Filipe Toledo precisava melhorar um 6.83 na esquerda, surfou bem e com muita pressão, mas caiu no aéreo de finalização. Marcou 7.23. Na direita Filipe não conseguiu melhorar sua onda. Filipe terminou o evento na 2ª colocação e continua na liderança do ranking. Kanoa Igarashi surfou mal na esquerda, surfou mal na direita e não conseguiu melhorar sua posição e terminou o evento na 4ª colocação. Julian Wilson que não fez nenhuma boa apresentação nas finais, foi para a esquerda precisando melhorar um 6,57, não conseguiu e com isso o título da etapa foi para o brasileiro Gabriel Medina, que se consagrou Campeão do Surf Ranch Pro. 

Entre as meninas Carissa Moore fez uma campanha espetacular no Surf Ranch e foi a grande campeã do evento surfando com grande competência. Stephanie Gilmore surfou uma excelente direita, fez 8.87 e ficou na 2ª colocação. Lakey Peterson ficou em 3ª e Caroline Marks (USA) na 4ª colocação.

Filipe Toledo, vice-campeão do Surf Ranch Pro 2018 e líder do ranking. Foto WSL/Cestari

OS PONTOS FRACOS DO EVENTO

Como ainda estamos vendo os primeiros eventos em piscinas com onda, muita coisa ainda precisa melhorar, por isso listamos aqui as principais reclamações do público sobre o evento.

Uma das coisas que a galera na web mais reclamou é que na piscina não tem aquela emoção da entrada da série, não tem disputa de onda, nem briga pela prioridade, nem se testa o posicionamento dos surfistas. Tudo é muito mecânico, muito igual, muito perfeitinho, mas sem sal e, principalmente, sem pimenta. Talvez ainda precisemos nos acostumar com o surf fora da sua natureza. 

Um dos maiores problemas desse evento, segundo os competidores, é que simplesmente não dava para treinar, nem fazer aquele surf matinal de aquecimento, muito menos testar quilhas ou pranchas. Sem poder treinar antes da competição, só conseguiu entrar em sintonia com as ondas quem já tinha experiência na piscina. Isso na oitava etapa do tour, com tanta gente precisando desesperadamente de pontos para se classificar para o ano que vem. Muita gente ficou mal da cabeça.  Se a gente levar em consideração que o Kelly já fechou Fiji antes de uma etapa para que ninguém mais pudesse treinar, não é surpresa ele fazer isso em sua própria piscina.

As ondas também deixaram muita gente confusa. Apesar de serem todas iguais, definitivamente não eram todas iguais. Algumas eram maiores e algumas menores. Não se sabe se foi por causa do vento, do fluxo de água ou se era coisa de quem operava a máquina. Ainda sobre as ondas, a piscina aparentemente seguiu a mesma regra do restante do circuito e valorizou bem mais as direitas. Impossível não admitir que as direitas da piscina são muito melhores do que as esquerdas.

As ondas perfeitas do Surf Ranch devem ser ótimas para se surfar. Ninguém duvida disso. Mas para quem assistiu o evento foi um pouco monótono. Ondas sempre iguais, muita propaganda e muito pouca emoção. Faltou colocarem as notas na tela e faltou de vez em quando repetirem as melhores ondas para que todo mundo pudesse comparar melhor as ondas e as notas. Não se sabe se foi esquecimento ou se foi proposital, afinal o surf tem um público apaixonado, que analisa criticamente o julgamento da WSL na web e isso tem desagradado o "dono" da WSL. 

As ondas do Surf Ranch também receberam críticas. São lindas, perfeitas e velozes. Por outro lado, são ondas leves, rápidas demais, burocráticas demais e que nem sempre proporcionam grandes manobras. Raros foram os surfistas que conseguiram inverter o bico da prancha em suas rasgadas. Definitivamente surfar bem nessas ondas não para qualquer um. A diferença entre os melhores do tour para os coadjuvantes, que já é enorme, se acentuou bastante.

Surfar na onda artificial do Surf Ranch é muito diferente do que surfar no oceano. Na piscina você sabe que vai surfar, sabe que a onda vai entrar e precisa e que você precisa planejar muito bem a linha de surf para aproveitar as muito bem definidas sessões de cada onda. Alguns não entenderam isso.

No meio de um circuito mundial da WSL essa etapa pareceu meio perdida. Outro formato, outro tipo de onda, outras regras.... Mas definitivamente é uma ideia que pode ser adotada com sucesso pelos jogos olímpicos e uma ótima oportunidade para se criar um circuito paralelo. 


O JULGAMENTO 

Com ondas tão iguais, o julgamento perde muito da subjetividade (pelo menos deveria) e a performance dos atletas é o que faz a diferença. Sem precisar se preocupar com as ondas, os juízes teoricamente podem prestar mais atenção nos detalhes e descontar todos os erros cometidos, tal qual acontece na ginástica olímpica. Mas a verdade é que uma dúvida ficou no ar: será que podemos dizer que os juízes da WSL estão acompanhando a evolução do surf? 
Compara aí o 9.80 do Filipe Toledo com as notas mais altas de seus adversários e isso fica claro como o sol. 

O julgamento, que já vinha sendo o Calcanhar de Aquiles da WSL desde os tempos da ASP, continua colocando em cheque a credibilidade do circuito para muita gente. Não são poucos os confrontos que tem seu resultado questionado e cercados de polêmica. No Surf Ranch Pro, com ondas aparentemente iguais para todos, o julgamento mostrou a mesma inconsistência das outras etapas e muitos resultados foram questionados e ridicularizados na internet. Nem os atletas, nem os jornalistas, nem o público está entendendo.

A próxima etapa acontece de 03 a 14 de outubro na França.

Confira aqui como ficou o ranking atualizado após 8 etapas:






7 de maio de 2018

WORLD TEAM VENCE O FOUNDERS´S CUP. BRASIL FICA EM 2º.





This train it is bound to glory
This train it don't carry no unholy
(Bob Marley)


Por: Jairo Dadá Souza


Nesse final de semana, 5 e 6 de maio de 2018, o mundo enfim pode assistir ao vivo a elite mundial competindo na famosa e ainda pouco conhecida piscina de ondas do Kelly Slater, que fica em Lemoore, Califórnia. Um campeonato de surf inédito, cheio de novidades, com novo formato e totalmente adaptado à televisão e aos jogos olímpicos em uma espécie de estadio de surf com uma onda que as vezes lembra Trestles e as vezes lembra Snapper. Nada mal para uma piscina com ondas artificiais.

Mesmo a milhares de quilometros de distancia a onda do Surf Ranch parece ser realmente incrível de se surfar. Tanto a esquerda quanto a direita têm personalidades bemdiferentes, ambas tem sessões de manobra e de tubo e, literalmente, não tem um pingo d ´água fora do lugar. Ondas rápidas, perfeitas, sempre pra frente e que testaram a sério as habilidades e o preparo físico dos melhores surfistas do mundo. 

O evento foi bom para os surfistas, bom para o público, bom para a mídia e especialmente bom para os negócios. Os figurões todos sorrindo, o surf sendo levado a um outro patamar, capitalistamente falando, e o nosso esporte dando um grande passo em direção ao futuro estando a quase 200 km do mar. Pura ironia. O potencial econômico desse projeto, o possível futuro olímpico, as oportunidades comerciais, a transformação de surfistas em ídolos mundiais do mainstream. Há tantos fogos de artifício sobre a piscina do Kelly que quase nos ofusca a vista. 


FOUNDERS

O Founders´Cup é um evento em homenagem aos fundadores do surf profissional: Wayne Rabbit Bartholomew, Ian Cairns, Fred Hemmings, Randy Rarick, Mark Richards, Shaun Tomson e Peter Townend. Grandes nomes do nosso esporte e pessoas que plantaram as boas sementes do surf profissional Leia mais sobre eles aqui.



NOVIDADES

O Founders´ Cup trouxe muitas novidades ao surf competitivo. Pela primeira vez na história ninguém teve que se preocupar com as ondas, com swell, nem com disputa de onda, nem com interferências, ou com tubarões, , nem com a correnteza, nem com day off, muito menos com o Kieren Perrow. Estava tudo cirurgicamente limpo, planejado e organizado e pudemos enxergar, nitidamente e na prática, o que uma Olimpiada é capaz de fazer com um esporte.

A maior novidade desse evento foi o Formato. 


Uma competição entre times, cada time representando um país ou uma região do planeta e composto por 5 surfistas: Três homens e Duas mulheres. 


Na primeira fase da competição acontecem 3 rodadas onde os times surfam juntos e ninguém surfa contra ninguém. Cada membro do grupo pega duas ondas, uma esquerda e uma direita, com pontuação até 10 pontos. 

No  final das 3 rodadas cada surfista soma sua melhor nota na esquerda e sua melhor nota na direita e os pontos contribuem para o total da equipe. 

Os 3 melhores times vão para a final, os dois piores acabam sendo eliminados. 

Na Final os três times entram na água e cada membro surfa duas ondas, uma esquerda e uma direita, mas conta somente a melhor nota entre as duas ondas (independente do lado que foi surfada). São 5 rodadas de qualificação. As baterias 1, 2 e 3 dão 2 pontos para o 1º lugar, 1 ponto para o 2º lugar e 0 pontos para o 3º lugar. As baterias 4 (só para mulheres) e 5 (só para homens) dão 4 pontos para o 1º lugar, 1 ponto para o 2 lugar e 0 pontos para o 3º lugar. A equipe com maior número de pontos vence. 

Uma das poucas coisas legais desse evento foi que o formato se aproximou mais das competições de skate. Cada surfista tinha direito a três “voltas”, surfando uma esquerda e surfando a direita na volta e já saia da água direto para a entrevista. Um evento totalmente adaptado para a televisão e já voltado para o formato olímpico. 

Apesar de serem minoria no time, as meninas fizeram toda a diferença nos times e no evento. Se alguém ainda tinha dúvidas de que as meninas poderiam competir e vencer os meninos em condições de igualdade, essa dúvida caiu por terra. Ou por piscina. As meninas simplesmente detonaram com um surfe de altíssima qualidade.


A ONDA

A onda é incrivelmente longa, parece bem forte e é absurdamente perfeita para uma piscina. A esquerda e a direita tem personalidade bem diferentes. Enquanto a esquerda lembra um pouco Trestles, a direita lembra um pouco Snapper Rocks. E ambas exigiram muita técnica e muito preparo físico dos surfistas. Ondas sempre rápidas, sempre pra frente. Vacilou caiu. Não se pode colocar a culpa nas ondas. Definitivamente não. No primeiro round elas estavam rápidas demais, mas depois de corrigido o nivel de surf cresceu muito. 


OS TIMES

O BRAZIL TEAM foi com Adriano de Souza, Filipe Toledo, Gabriel Medina, Silvana Lima e Tainá Hinckel. Um time com quatro grandes competidores e uma jovem promessa. Um time jovem, talentoso, agressivo e com dois campeões mundiais.

O WORLD TEAM foi com Bianca Buitendag (ZAF), Jordy Smith (ZAF), Kanoa Igarashi (JAP), Michel Bourez (PYF) e Paige Hareb (NZL). Um time forte, muito competitivo, bastante consistente e com potencial para surpreender.

O AUSTRALIA TEAM foi com uma verdadeira seleção australiana. Joel Parkinson, Matt Wilkinson, Mick Fanning, Stephanie Gilmore e Tyler Wright. Quatro campeões mundiais (e 12 títulos mundiais no curriculum). Um time muito forte e muito experiente.

O EUROPE TEAM foi com Frankie Harrer (GER), Frederico Morais (POR), Jeremy Flores (FRA), Johanne Defay (FRA) e Leonardo Fioravanti (ITA). Um time jovem e cheio de vontade.

O USA TEAM foi com Carissa Moore, John John Florence, Kolohe Andino,  Lakey Peterson e o dono da piscina, capitão do time, astro do show e criador da onda Kelly Slater. Um time muito forte, com três campeões mundiais, com 16 títulos mundiais no curriculum e com o dono dos segredos da onda como capitão do time. 


Foto: WSL / Cestari


O EVENTO


DIA 1

O Round 1 do evento foi chato, monótono e tedioso. Uma onda perfeita demais e rápida demais fez com que pouca gente conseguisse mostrar um surf de qualidade. Muita gente reclamou na internet e com razão. Esse campeonato começou tedioso e sem grandes emoções. O time americano surfou melhor nessa primeira rodada, o World Team ficou em 2º, a Australia ficou em 3º,  Brasil ficou 4º lugar e a Europa em 5º.



No Round 2 a onda foi nitidamente ajustada e ficou bem melhor tanto para quem surfou como para quem assistiu. Filipe Toledo e Gabriel Medina simplesmente destruíram a onda com performances de cair o queixo. Filipinho fez o primeiro 10 da competição. E se valeu 10 na piscina Medina também deveria ter feito o seu. Medina entubou muito fundo, por muito tempo e finalizou sua onda com um rodeo clown. John John também mereceu destaque (mas não uma nota 9.8). 

O primeiro dia foi finalizado com o time norte-americano liderando com 5 pontos de vantagem sobre a equipe australiana e com o Brasil na 4ª colocação. 


DIA 2

No Round 3 os surfistas já estavam bem mais entrosados com a onda. Principalmente o time brasileiro. Filipe Toledo fez um 9.40 na esquerda, Mineiro fez um 8,67 também na esquerda e Medina um 9.07 na direita. A Tainá surfou com mais segurança e a Silvana Lima se adaptou bem as ondas do Surf Ranch. 

Os times dos Estados Unidos e do Brasil finalizaram essa primeira fase em 1º e 2º respectivamente.

Os times World e Australia empataram na terceira colocação e foram para o desempate. O time Mundo escolheu Page Hareb e Jordy Smith e ambos surfaram muito bem. O time Australia escolheu Matt Wilkinson e Tyler Wright, mas Wilko caiu logo no começo da onda, marcou pouco mai de 4 pontos e ferrou com o sonho australiano. Tyler surfou muito bem mas nem um 10 a salvaria e a Australia acabou eliminada da competição junto com o time europeu.

USA TEAM, BRAZIL TEAM e WORLD TEAM foram para as finais do evento.


FINAL

Michel Bourez abriu a primeira bateria das finais surfando muito forte na esquerda, mas caiu no meio da onda e marcou 5.17. Na direita Michel surfou mal, fez duas manobras e caiu logo no inicio do peimeiro tubo e marcou 3.33.

Medina veio logo em seguida e fez literalmente uma volta olímpica. Destruiu a esquerda e fez 9.07 e depois destruiu a direita e fez mais 9,67. Uma onda muito muito muito forte e uma apresentação avassaladora. 

John John fez a terceira apresentação da final, caiu de cara na esquerda e fez 1.60. Na direita JJ começou bem mas caiu novamente no tubo e marcou 3,90. Mais um péssimo campeonato para o campeão mundial em 2018.

Bianca Buitandag surfou um pouco lenta mas surfou bem na esquerda e marcou 6.07. Na direita acabou errando e caiu no tubo. Uma apresentação bem fraca da sul-africana. 

Tainá Hinckel surfou com mais confiança hoje, fez a onda toda como se estivesse surfando em casa, na Guarda do Embaú, e marcou 5.27. Na direita Tainá manobrou bem forte, entubou duas vezes, manobrou e tentou entubar pela terceira vez, dessa vez bem na portinha e marcou só 5.67. 

Lakey Peterson surfou uma ótima esquerda, surfou com estilo e com agressividade, fez um tubo muito curtinho e marcou 8.00. Na direita Lakey mais uma vez surfou com excelência e fez 7.27.

Kanoa Igarashi caiu logo no início da esquerda e fez 2.00. Depois ele disse que foi para economizar as pernas para a direita. Na direita Kanoa surfou bem, entubou fundo, fez algumas manobras e finalizou muito bem sua onda. Marcou 8,93.

Adriano de Souza forçou bem suas manobras na esquerda, surfou sempre forte, mas burocrático, entubou fundo na esquerdinha e marcou 8.57. Definitivamente a melhor esquerda da final até então. Na direita Mineiro surfou muito forte. Entubou fundo, mas acabou caindo e só marcou 7.17.

Kolohe Andino fez tudo certinho na esquerda mas surfou com muito menos pressão que os outros surfistas e marcou 7.77. Na direita Kolohe arriscou um grande aéreo no meio da onda, caiu e marcou só 4.83.

Paige Hareb surfou meio burocrática na esquerda, caiu no tubo e fez 6.07. Na direita surfou um pouco pior e marcou 3.23.

Silvana Lima surfou bem na esquerda, fez uma linha bem agressiva mas não saiu do tubo no finalzinho da onda e marcou 6.13. Na direita Silvana Lima surfou muito forte, entubou fundo, manobrou bem e finalizou com um tubão. Uma onda espetacular da brasileira que marcou 9.17 (merecia mais).

Carissa Moore caiu na água logo na sequencia e surfou a esquerda com excelência. Marcou 8.73. Na direita Carissa entubou raso em todas as vezes, não manobrou tão forte, fez mais um tubo no final da onda, errou o aéreo de finalização e marcou 8.77.

Jordy Smith fez uma esquerda burocrática, arriscou um rodeo clown no final da onda e caiu e ganhou 7.50. Na direita Jordy desperdiçou sessão, não entubou tão fundo, e deu um alley oop no final da onda que não foi tão limpo e marcou um inacreditável 9.27.

Filipe não surfou muito bem na esquerda, que era o seu real objetivo e marcou 7.33. Na direita Filipe caiu logo no inicio da onda, marcou só 4.93 e definitivamente acabou com as chances do Brasil de vencer essa etapa. 

Kelly fechou a final quase que com chave-de-ouro. Surfou muito bem na esquerda e fez um 8 pontos e destruiu a direita com a perfeição que só o criador da onda poderia fazer e ganhou 9 pontos, uma nota um pouco baixa para a performance do norte-americano que precisava de pelo menos meio ponto a mais. 

Com o 9 do Kelly o time mundo, formado por Bianca Buitendag (ZAF), Jordy Smith (ZAF), Kanoa Igarashi (JAP), Michel Bourez (PYF), Paige Hareb (NZL) venceu a competição graças aos pontos de Jordy Smith. O WORLD TEAM, que em momento nenhum encantou, venceu a competição.  

O time brasileiro ficou com a 2ª colocação mas fez as duas maiores notas individuais da competição. Com a Nota 10 do evento, Filipe Toledo ficou com o prêmio Jeep Best Ride Award e leva pra casa um Jeep zerado e irado. 


Foto: WSL / Cestari


O Fopunders´Cup entregou o que cumpriu. Um evento organizado, com excelentes condições de surf, formatou o evento para a televisão e para as Olimpíadas e mostrou que o surf definitivamente pode ira para esse caminho no futuro e nas Olimpíadas. O campeonato rodou mais redondo do que muita etapa da WSL. Creio que o desafio agora é deixar o evento mais dinâmico e com mais emoção. Não foram poucas as pessoas que acharam esse evento chato. Encontrar esse equilibrio entre informação, emoção e a performance dos atletas ainda precisa ser encontrado.





O JULGAMENTO

Ondas rigorosamente iguais Pelo menos na teoria isso deixa o julgamento bem menos subjetivo, Estão todos surfando para os mesmos lados, em ondas com a mesma velocidade, com o mesmo tamanho e em plenas condições de igualdade. As ondas passar a ter peso nulo e a performance dos atletas fica mais nítida de ser julgada. 

Mas será que os juízes foram tão imparciais? Algumas notas surpreenderam, outras causaram desconfiança. O fato de não haver um "heat analyzer" nem videos disponiveis criou um clima não muito transparente, vamos dizer assim.

Claro que foi legal ver o Filipe Toledo ganhar uma Nota 10 surfando muito mais do que todo mundo. Mas dar um 10 logo no primeiro dia de uma onda artificial quando todos ainda tem muito o que evoluir nessas ondas teria sido uma boa decisão? O surf apresentado pelo brasileiro foi realmente fodástico, mas penso que não se pode dar uma nota 10 em uma piscina. Há muitos limites a serem ultrapassados ainda. Dar um 10 assim no primeiro dia da piscina me deixou na dúvida se é um cacoete ou se foi preguiça. 




KELLYLÂNDIA


O 11 vezes campeão mundial construiu um mega parque aquático, criou a melhor piscina de ondas do mundo, esculpiu uma esquerda e uma direita perfeitas (e ainda vai fazer mais duas piscinas ao lado dessa) em Lemoore e ainda pode fazer com que sua piscina vire Arena Olímpica e mude definitivamente a cara do nosso esporte. Nem o Walt Disney foi tão ambicioso. 




RESULTADOS




NOTAS

# O Kelly vem dizendo que não pode competir nos eventos da WSL por causa do pé quebrado, mas que vem surfando todo dia e acabou de mostrar que o problema está longe de ser o pé.

# Se o futuro do surf será nessas piscinas sugiro aos competidores aumentar o treino de pernas. Não faltou gente perdendo sessão ou aliviando nas manobras porque as pernas não respondiam mais.

# O Kelly treinou muito mais do que todo mundo, fez um evento na sua própria piscina, foi o capitão do time norte-americano, tocou com sua banda no intervalo e ainda quis que todos os surfistas surfassem com a sua prancha. Megalomania é pouco para o careca

#Faltou o Heat Analyzer, faltaram notas ao vivo, faltou informação no site, faltaram videos com as ondas inteiras a disposição. Nem sempre menos é mais Tio Kelly. Um evento muito rico foi pobre em informação.

# O site BeachGrit disse que esse evento matou os campeonatos em Beach Break. É exagerado, mas é essa a impressão. Com ondas perfeitas 24 horas a disposição só faz evento em onda ruim quem quer.