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16 de outubro de 2013

Enquanto isso, em Portugal

Julian Wilson mandou um fu%@#ing big air e conquistou uma nota 10 dos juízes. Foto ASP/Cestari

Por: Dadá Souza

Meu amor pelo surf é incondicional. Quem fala isso é a minha esposa. E faz sentido. Acordar as 4 da manhã, para ver campeonato de surf com ondas ruins, baterias mal julgadas e com o webcast falhando. Só sendo muito apaixonado mesmo. Ou bobo. As vezes fico na dúvida.

Depois de 8 dias de evento, a organização do Rip Curl Pro Portugal finalmente conseguiu completar o Round 2 do evento.  E na sequência executou também o Round 3. E hoje não faltou onda. A bancada de supertubos até quando está ruim, parece bem boa de surfar. Se por um lado as ondas irregulares atrapalharam um pouco o espetáculo, por outro também foi bem legal ver todos competindo em ondas ruins, iguais as que surfamos.

Destaco o aéreo do Miguel Pupo no Round 2, o mega aéreo do Julian Wilson no Round 3 (Nota 10) e o também belo aéreo do John John Florence no Round 3. Todo o resto do evento foi um tremendo feijão com arroz sem muito tempeiro. E verdade seja dita, muito disso foi por causa das condições do mar. 

Até esse segundo dia, o grande destaque do evento tinha sido a queda de Kelly Slater, o então número 2 do ranking, que sem nenhum demérito ao português Francisco Alves (que realmente venceu essa bateria), se deu muito mais pela atitude do direitor de prova de colocar o Round 2 para surfar ondas ruins do que qualquer outra coisa. O fato é que o Kikas surfou melhor, escolheu melhores ondas e mereceu a vitória. Mas imagino o e-mail que o Slater deve ter mandado para a ASP depois dessa. 

Ondas ruins, notas (e médias) baixas, julgamentos tendenciosos e um webcast que ora ficava mudo e ora travava. Assim correu o dia hoje em Portugal. Quem estava concorrendo ao título passou de bateria sem sequer ser ameaçado, mesmo quando deveria ter perdido. O julgamento continua sendo o Calcanhar de Aquiles da ASP.

Alejo Muniz venceu Gabriel Medina em uma bela bateria. Alejo pegou duas ondas no início da bateria enquanto Medina acabou boiando mais e não achou boas ondas. 

Miguel Pupo detonou contra o americano Brett Simpson e venceu por 16.26 a 14.27. Miguel mandou um aéreo rodando alto de backside e marcou 8.93. E numa esquerda boa, mandou uma rasgada rápida, encaixou num tubo e finalizou na junção da onda e marcou 7.33.

Logo no início do Round 3 Joel Parkinson venceu Alejo Muniz em uma bateria bastante polêmica.  

Julian Wilson mandou um aéreo muito alto rodando e ganhou Nota 10 dos juízes. Foi um aéreo monstro em Supertubos.

Adriano de Souza foi vítima de um julgamento também polêmico contra Matt Wilkinson. Em sua última onda Mineiro parecia que ia virar a bateria mas os juízes não deram a nota que ele precisava.

John John Florence e Felipe Toledo fizeram uma grande bateria mas quem se deu melhor foi o havaiano, que detonou as ondas com um aéreo monstruoso rodando e espancando uma esquerdinha a la Andy Irons. Não teve muita conversa. Filipinho mandou um aéreo rodando full rotation e finalizou sem muita força na junção: marcou 6.83. Faltou também uma segunda onda para o brasileiro que boiou a bateria toda sem achar boas ondas.

Mick Fanning venceu e agora está a poucas baterias do título mundial de 2013. Só depende dele.

Miguel Pupo fez grandes apresentações em Portugal e é o único brasileiro vivo na disputa.

A propósito, Quem define o futuro do esporte e o que será válido a partir de agora? Os velhos juízes, incapazes de fazer na água as modernas manobras da nova geração? Ou serão os atletas dessa novíssima geração, que vem trazendo frescor e impondo um novo ritmo de competição? As vezes parece que os juízes estão querendo dizer a todos que eles é que sabem, que julgam e que decidem, mesmo que dentro d´água outros vejam o contrário. 



A ASP aproveitou o evento em Portugal e anunciou novo logotipo e que sua estratégia de comunicação para 2014 será feita através de parcerias com a ESPN (USA), YouTube e Facebook, para a televisão, mídia digital e mídias sociais. A parceria com a ESPN nos USA é muito importante para o surf na américa, o Youtube além de ser um dos grandes mecanismos de busca da web, pode alavancar e muito a audiência dos eventos ao vivo. Apesar de básicas, essas ações já são muitos passos a frente do que estava sendo feito até então pela entidade. 

Quem comentou o novo logo foi o @NotDaneReynolds " has found the ASP logo aking guidelines. "


4 de outubro de 2013

Mick Fanning venceu. Mas será que convenceu?

Por: Dadá Souza

O Mick Fanning venceu a 8ª etapa do circuito mundial de 2013 e agora está mais líder do que nunca. E só faltam duas etapas: Portugal e Hawaii. Mas revendo as ondas dessa bateria final, fica difícil entender como um garoto que surfou mais moderno, mais audacioso, mais radical e mais veloz perdeu esse confronto.

O video abaixo saiu do HEAT REVIEW do Quiksilver Pro e mostra as duas melhores ondas de cada um e a última do Gabriel que acabou não valendo pois começou a ser surfada depois que tocou a buzina.

Não quero e nem posso dizer que o Mick Fanning não mereceu levar a etapa da França porque o australiano foi um competidor exemplar, focado e muito determinado durante todo o evento, sempre mostrando porque ele é o líder do tour. Mas que o resultado dessa final ficou esquisito, isso ficou.



1ª onda de Mick Fanning - Dropou uma espuma gorda, primeira manobra uma batidinha funcional, picou a prancha matando muita barata, uma rasgada média-fraca, um floater bem rápido e finalizou com uma explosiva batida na junção. Nota: 7.83 

1ª onda de Gabriel Medina - Começou a onda com uma rasgada rápida e jogando muita água, um slash, embalou e mandou um aéreo rodando, alto e preciso, e mandou mais outro na sequência, dessa vez um pouco mais baixo. Nota 6.50 

2ª onda de Gabriel Medina. Medina começou essa onda com uma rasgada fraca por baixo do lip, embalou e mandou um ótimo aéreo rodando, alto e com grande risco, voltou e finalizou a onda com uma batida. Nota: 8.50 

2ª onda de Mick Faning - A última onda de Mick Fanning começou com uma pequena batida/floater, seguida de outra batida e de uma pequena rabetada reverse na junção. Nota 8.83 

Pergunta aos juízes da ASP: Por que a última onda do Mick Fanning, que pareceu ser a pior onda da bateria, valeu mais do que todas as outras ondas de manobras mais radicias, mais inovadoras e com um grau de comprometimento e de radicalidade maior? Para valorizar manobras funcionais e de menor risco? 

Para que todos possam fazer a sua próprio análise ou julgamento,  seguem os critérios de julgamento atuais da entidade:






As imagens foram retiradas do próprio site do Quiksilver Pro: http://quiksilverlive.com/profrance/2013/heat_review.en.html

20 de setembro de 2013

Taj vence em Lower Trestles e a corrida pelo título ficou mais emocionante.



Finalizou em Trestles, California, a 7ª etapa do circuito mundial da ASP. Taj Burrow venceu a etapa, Mick Fanning tirou de Kelly Slater a liderança do tour e os surfistas da elite moeram as ondinhas de Lower Trestles. Não foi um evento bonito e nem muito empolgante, mas o nível de surf foi bom e a etapa colocou um pouco mais de tempeiro nessa reta final do campeonato mundial. 

Agora é França, Portugal e Hawaii e pelo jeito o título de 2013 será disputado até o final. 

Não foi aquele Trestles que todo mundo esperava. As ondas estavam pequenas e bem demoradas, quase no limite do pico. Mas as ondinhas eram perfeitas, longas e possibilitavam todo tipo de manobras. E a galera arrepiou. Foi até legal ver os atletas competindo em ondas ruins e mais parecidas com aquelas que nós, simples mortais, surfamos diariamente. Se bem que talvez tenha muita gente aqui que adoraria e preferiria aquela merrequinha de Trestles do campeonato do que seu pico de origem. 

Mas nem tudo foi bom no Hurley Pro, o evento ficou marcado pelas ondas minúsculas e pelo complicado julgamento. Muitas das baterias deixaram margem para muitas discussões. 

O que interessa é que Taj Burrow venceu com grande estilo na afinal 100% australiana e entrou na briga pelo título.

Na primeira semi, Taj Burrow enfrentou o sul-africano Jordy Smith e liquidou a fatura logo nos primeiros minutos de bateria. Em sua primeira onda, executou três rasgadas fortes e finalizou com uma batida na junção e ganhou 9.33. Logo em seguida, pegou outra direita, mandou pequenas rasgada e finalizou com um aéreo na junção: 6.50. Jordy Smith surfou ondas ruins e quase que desapareceu na bateria. Depois as ondas pararam de entrar.Apesar de não ter sido nem sombra do mesmo Jordy que surfou até a semi, foi um dos grandes nomes do Hurley Pro. Nas ondas pequenas, esse grandão de 1,90 m detonou e saiu de Trestles como o número 3 do mundo. Uma belíssima ascenção de Jordy.

Na segunda semi, Julian Wilson e Michel Bourez disputaram a segunda vaga da final. A bateria começou com poucas ondas e as duas melhores ondas dos atletas só vieram nos minutos finais da bateria. Julian Wilson surfou melhor e venceu com certa facilidade o confronto. Michel Bourez fez um grande evento e mostrou muito power nas merrecas. Impressionante como evoluiu sua técnica nas merrecas. No Rio de Janeiro também vi ele destruindo valinhas minúsculas no meio da Barra. Bourez saiu de Trestles com a 10ª colocação no ranking.

Na grande final, 100% australiana, Taj Burrow não deu chances ao jovem Julian Wilson e conquistou sua primeira vitória em 2013. Taj começou a bateria com um 8.67 em uma esquerda que rendeu três pancadas de backside e uma batidinha na junção no final. 8.67. Julian respondeu com um 8.27 em uma direita que rendeu uma rasgada, um pequeno aéreo rodando e uma batida na junção. Ganhou 8.27. Taj Burrow achou ainda uma boa dirita, rasgou forte, executou quatro manobras fortes, marcou 8.40 e aumentou a vantagem. Julian ainda tentou uma última onda, mandou um aéreo rodando e marcou 7.70. O surf forte e fluido de Taj Burrow superou os aéreos de Julian Wilson.

Taj nunca havia vencido em Trestles. Ficou feliz demais e se aproximou dos líderes do ranking e entrou na briga pelo título. Chances matemáticas ele tem.

O evento só não foi muito bom para os brasileiros. A maioria dos atletas do Brasil perderam suas baterias com julgamentos polêmicos.  

Análises de julgamento a parte, nosso brazilian storm, que tinha tudo para patrolar em 2013, ainda não conseguiu mostrar seu melhor surf. Todos são atletas completos, talentosos e muito acima da média, mas parecem n]ao estar conseguindo mostrar o seu máximo. O melhor surfista do Brasil continua sendo Adriano de Souza, que mantém uma regularidade e um foco fora do normal. Mineiro é o 8º do ranking mas é uma máquina de competir e sempre entra no jogo para ganhar. 

Faltando três etapas para o término do campeonato, Mick Fanning é o novo líder do ranking, 1200 pontos na frente de Kelly Slater. Jordy Smith vem na 3ª colocação e Taj Burrow na quarta. Joel Parkinson caiu para 5º. Adriano de Souza é o 8º, o único entre os Top 10. Filipe Toledo é o 17º, Gabriel Medina o 18º, Miguel Pupo o 26º, Alejo Muniz é o 29º, Raoni Monteiro o 31º, Willian Cardodo é o 33º e Heitor Alves ocupa a 38ª colocação no ranking.


A próxima etapa acontece na França, de 26 de setembro a 6 de outubro, no sudoeste da França.



HURLEY PRO AT TRESTLES FINAL RESULT:
1 -
 Taj Burrow (AUS) 17.07
2 - Julian Wilson (AUS) 15.97
HURLEY PRO AT TRESTLES SEMIFINALS RESULTS:
SF 1:
 Taj Burrow (AUS) 15.83 def. Jordy Smith (ZAF) 11.10
SF 2: Julian Wilson (AUS) 17.40 def. Michel Bourez (PYF) 12.43
HURLEY PRO AT TRESTLES QUARTERFINALS RESULTS:
QF 1:
 Jordy Smith (ZAF) 15.67 def. Kai Otton (AUS) 12.33
QF 2: Taj Burrow (AUS) 15.93 def. Patrick Gudauskas (USA) 13.70
QF 3: Michel Bourez (PYF) 17.90 def. Travis Logie (ZAF) 14.00
QF 4: Julian Wilson (AUS) 15.64 def. Josh Kerr (AUS) 13.04
HURLEY PRO AT TRESTLES ROUND 5 RESULTS:
Heat 1:
 Kai Otton (AUS) 11.50 def. C.J. Hobgood (USA) 8.83
Heat 2: Taj Burrow (AUS) 15.60 def. Adriano de Souza (BRA) 14.47
Heat 3: Travis Logie (ZAF) 13.23 def. Mick Fanning (AUS) 11.74
Heat 4: Josh Kerr (AUS) 14.10 def. Adam Melling (AUS) 12.93
CURRENT ASP WCT TOP 10:
1 -
 Mick Fanning (AUS) 41,900 points
2 - Kelly Slater (USA) 40,700 points
3 - Jordy Smith (ZAF) 35,700 points
4 - Taj Burrow (AUS) 35,400 points
5 - Joel Parkinson (AUS) 32,450 points
6 - Josh Kerr (AUS) 29,600 points
7 - Julian Wilson (AUS) 28,850 points
8 - Adriano de Souza (BRA) 27,500 points
9 - C.J. Hobgood (USA) 27,200 points
10 - Michel Bourez (PYF) 26,500 points
10 - Nat Young (USA) 26,500 points
17- Filipe Toledo (BRA)


18 de setembro de 2013

Baterias polêmicas



Por: Dadá Souza

Antes de falar sobre um evento de ondas minúsculas, ruins e com um julgamento que ninguém consegue entender, pois os critérios e as escalas mudam demais (principalmente dependendo de quem está na água), quero falar que mesmo acompanhando o surf profissional e os campeonatos há mais de uma década, eu não sou juiz e (pelo jeito) não entendo muito de julgamento. Acabei de rever muitas baterias pelo ON DEMAND e gostaria de perguntar aos juízes da ASP algumas coisas: Se é que existem critérios sérios no julgamento da ASP.

Foram muitas as baterias que chamaram a atenção por seus julgamentos imprecisos ou esquisitos. Vou publicar aqui para ver se alguém consegue explicar.

ROUND 2
FREDRERICK PATACCHIA (17.43) x  MIGUEL PUPO (13.74)
Freddy P abriu a bateria com uma boa direita, executou uma excelente primeira manobra, uma chinelada com força no lip, seguida de duas manobras fracas e finalizou com uma batida na junção. Patacchia marcou 8.50.
Miguel Pupo fez sua 1ª nota em uma esquerda bem pequena, deu um floater funcional, embalou e mandou um aéreo rodando muito alto, que por sinal é uma manobra que o Patacchia talvez nem saiba executar em tais condições, e ganhou 6.87.
A segunda onda do Freddy P, o havaiano executou quatro rasgadas de backside em uma direita da série, todas mais burocráticas do que talentosas e finalizou com uma batida na junção e ganhou 8.93.
Na última onda do Miguel Pupo, a brasileiro desferiu 7 manobras. Começou com um floater e sem perder velocidade, uma rasgada invertendo toda a prancha,  na sequencia um tail slide 360, 3 manobras insignificantes e finalizou com um segundo tailside 360 na areia, uma onda que deveria valer pelo menos 2 pontos a mais do que a segunda onda de Patacchia. Mas ganhou 6.87.
O que foi valorizado nessa bateria? O tamanho das ondas? Voltamos aos anos 80 onde rasgadas de backside ganham de manobras progressivas? Que critério os juízes usaram para julgar essa bateria? Acho que não entendi o  julgamento. Miguel Pupo foi mais criativo, mais ousado, mais progressivo e usou um repertório de manobras maior, mas perdeu a bateria e a vaga para o Round 3.

ROUND 3
CJ HOBGOOD (15.30) x GABRIEL MEDINA (14.87)
Medina abriu a bateria com uma direita bem pequena, mas que rendeu 7 batidas de backside e uma rasgada. Medina foi até a areia, finalizando a onda com uma batida na junção e ganhou uma nota 8.
CJ deu sua resposta na onda de trás, surfou mais lento, com um approach menos radical e mais burocrático e ganhou uma nota 7.50. Muita gente achou que essa onda deveria valer pelo menos um ponto e meio a menos, mas os juízes valorizaram.
Medina em sua segunda onda escolheu outra direita bem pequena, mandou 4 batidas de backside, a segunda delas não muito limpa e finalizou a onda com um tailslide de backside. Ganhou 6.87.
Nessa hora CJ Hobgood deu o seu tradicional showzinho (sempre contra o Medina). Reclamou, xingou, deu soquinho na água e pediu nota. 
Em sua última onda deu dois floaters de backside, 3 batidinhas, uma rasgada e uma batida na junção. Outra onda muito mais burocrática do que talentosa, e ganhou 7.80.
Ficou a impressão que o surf ultrapassado de CJ (nas merrecas, claro) foi mais valorizado, e que o Medina foi julgado não pelo que ele fez, mas pelo que ele poderia ter feito.  CJ escolheu ondas maiores e melhores, enquanto Medina fez uma escolha de ondas muito ruim. Mas analisando as manobras, fica difícil de dar a vitória ao CJ. O que foi valorizado nessa bateria? Floaters em trestles? A escolha de ondas? Ou talvez o Medina esteja sendo punido por causa de tanto choro e de tantas reclamações dele e de sua família?

ROUND 3
KELLY SLATER (14.80) X PATRICK GUDAUSKAS (14.80)
Patrick Gudauskas abriu a bateria com duas batidas de backside deslizando um pouco a rabeta, onde ficou até um pouco preso no lip, uma rasgada fraca e uma finalização também fraca (e não completa) e ganhou 8.50. Uma nota que a meu ver, parece ter saído mais pelos gritos da torcida do que pelas manobras.
Slater em sua primeira onda deu uma forte rasgada tailslide, um forte cutback e um air reverse na finalização, uma onda bem mais forte, mais radical e mais criativa que a onda de Pat Gudauskas, mas ganhou 7.70.
Slater em sua segunda onda pegou uma direita menor, mandou duas manobras fracas e finalizou com um pequeno aéreo na junção e marcou 7.10.
Gudauskas ainda pegou uma boa direita que começou com uma ótima primeira manobra, duas manobras funcionais e uma forte rasgada e marcou 7.07. Essa onda me pareceu melhor que a sua primeira onda, mas os juízes acharam que não.
O que foi valorizado nessa bateria? Os gritos da torcida local, que estava com Pat Gudauskas? Bem, talvez ter tirado Slater do evento tão cedo tenha mesmo colocado um pouco mais de tempero na corrida pelo título mundial de 2013. Mas o julgamento, eu não entendi.

ROUND 3
JULIAN WILSON (17.03) x FILIPE TOLEDO (16.07)
Filipe Toledo começou com uma onda pequena, mas de 7 manobras. Começou com um cutback, mandou uma batida, um forte rasgadão, um aéreo rodando, um tail slide, outra forte rasgada e finalizou a onda com um cutback. Marcou 8.17.
Julian em sua primeira nota mandou quatro rasgadas e finalizou com uma batida na junção. Uma onda bem pior que a 1ª onda do Filipinho, mas que valeu 7.93, uma nota muito próxima.
Filipe Toledo em sua 2ª onda pegou uma esquerda, mandou um bom aéreo rodando de backside já na primeira manobra e uma batida de backside e ganhou 7.90. Essa também foi uma onda melhor que a 1ª onda de Julian, mas ganhou somente 7.90.
Em sua última onda, Julian mandou um ótimo aéreo rodando de backside, duas rasgadas e duas batidas e levantou a galera na praia. Ganhou 9.10.
Julian talvez seja o cara que mais baterias ganhou de presente na história do surf moderno e casualmente, quase sempre contra surfistas brasileiros. É um ótimo surfista, um grande talento, mas tem recebido mais notas do que tem merecido. Sua última onda foi excelente, mas sua vitória foi mais um presente dos juízes.

Tiveram outras baterias de julgamento confuso, onde jornalistas e publico ficaram sem entender, mas vou ficar nessas.  

No Round 4 também fiquei na dúvida: Porque uma onda com 5 rasgadas pequenas de backside valem 7.83 (Kai Otton) e uma onda com uma forte batida, uma forte rasgada e um aéreo rodando no final valem só 6.90 (Mineiro)? Não discordo do resultado dessa bateria, mas essas ondas, por exemplo, tiveram um julgamento ridículo.

As vezes parece que nós, público, fãs e jornalistas, fazemos papel de bobo o perdendo tempo e noites inteiras para ver baterias e escrever sobre eventos onde o julgamento não parece ter muito critério nem muito sério. Juiz de surf não deveria ser um Cargo de Confiança, como é hoje. Deveria haver renovação. E o head judge não deveria ter tanto poder. Porque não acontece uma renovação no quadro de juízes da ASP? Porque os melhores juízes do WQS não sobem para op WCT e os piores do WT não caem? Panela é feio em qualquer esporte. 




21 de outubro de 2012

Mais seriedade e profissionalismo, por favor.


A voz do povo é a voz de Deus. E a quantidade de posts nas redes sociais, escancarando para todo mundo ver, os erros  de julgamento e as decisões tendenciosas da ASP, foi tão grande quanto o próprio evento. Brasileiros, havaianos, americanos e até mesmo australianos discordam da decisão de dar o título do Rip Curl Pro Portugal para o Julian Wilson. Algumas manifestações foram até bem criativas. Seria até engraçado se não fosse trágico. 

Um boicote aos eventos da ASP e principalmente ao mercado (leia-se Billabong, Rip Curl e Quiksilver) não seria nada mal. Hoje o Brasil possui um dos maiores mercados do mundo, nossa economia anda muito bem, obrigado, e o nosso surf anda empolgando mais do que toda essa geração de australianos e americanos mimados. E isso não acontece só com os brasileiros. Os europeus também são vistos como "invasores" do circuito, antes totalmente dominado por americanos/australianos/havaianos.

Se todos nós pararmos de comprar essas marcas, que investem menos do que nada no surf brasileiro. somente sugando o nosso dinheiro, com certeza o preconceito e a discriminação da ASP e do próprio mercado começaria a mudar de verdade. 

Podem acreditar, esse mercado hoje precisa muito mais de nós, do que nós deles. 

Valorize as marcas nacionais, valorize quem investe no surf nacional e apoia a formação dos nossos atletas. Esse é o recado.

Quemando o livro de regras. via Kaléu Wildner 

Crime against the real surf - via  Luan Harder

was a crime! - Via Guilherme Felberg


A expressão do Gabriel Medina diz tudo - via Site Waves

WTF! - Via Giovanni Mancuso


Foi roubo! - Via Rogê Gutierrez

More respect, please

Santo julgamento podre Batman - Via Foto Surf Brasil


Vergonha! - Via Imbituba Waves

Queremos uma entidade séria - Via Luan Harder

Perigo! Assaltos!  - Via Dadá Souza



19 de outubro de 2012

Tira-Teima - Final do Rip Curl Pro Portugal


Esqueça os nomes, esqueça as nacionalidades, esqueça os juízes. 
Assista o vídeo e dê a sua sincera opinião: Quem venceu essa bateria? 
O camisa amarela ou o camisa azul?


Julian Wilson vence o Rip Curl Pro?




O australiano Julian Wilson venceu o Rip Curl Pro Portugal, a 8ª etapa do circuito mundial de 2012. Não, esperem, apesar de verdade, não é totalmente correto. Na verdade o brasileiro Gabriel Medina foi quem venceu essa bateira. Entubou melhor, manobrou melhor, e surfou nitidamente melhor, mas quem acabou sendo coroadado como o campeão da etapa foi Julian Wilson. Assim fica mais justo.

A primeira vitória da carreira do australiano veio de presente. O jovem talento australiano não teve culpa, ele simplesmente foi lá e surfou suas baterias. Mas que o resultado foi ridículo, isso não se discute. Eu diria que foi até um desrespeito as milhares de pessoas que passam horas a fio conectadas acompanhando os eventos pela internet.

A FINAL

Julian Wilson abriu a bateria com uma direita da série, ficou uns instantes entocado em um tubo cheio de espuma e sai esmagado no meio da espuma. Uma onda de regular a fraca que lhe valeu 7.83. 

Gabriel Medina em sua primeira nota dropou para a esquerda, mandou um aéreo rodando já na primeira manobra, sem exitar manda um snap forte, uma rasgada invertendo a prancha e uma batidinha no final. Uma onda muito melhor que a primeira onda de Julian, valeu 7.90. Somente sete centésimos a mais. 

Gabriel ainda pegou outra esquerda, faz um tubo de quase 5 segundos, saiu limpo e mandou uma batidinha antes da onda fechar. Um tubo bem melhor que o primeiro tubo do Julian Wilson. Só que valeu menos: 7.47. 

Aqui ninguém mais entendia os critérios da ASP. 

Nos instantes finais, Julian Wilson, que vinha bem perdido e atrás a bateria toda, pega um pseudo-tubo de frontside, manda uma batida que qualquer surfista colegial é capaz de acertar, manda uma rasgadinha fraca e uma batidinha no final da onda. Tudo "inha" mesmo. Ainda na onda Julian Wilson começa uma sequência desesperada "claims" pedindo nota para os juízes. E, de presente, ganha 8.43 dos juízes.

Isso tudo está lá no site do evento, no HEAT ANALYSER (http://live.ripcurl.com/?aid=2114), onde todos podem analisar atestar a competência dos juízes e da entidade. 

Todos na praia e pela internet assistiram a vitória de Gabriel Medina. Mas contra tudo e contra todos, inclusive contra todos os critérios antes estabelecidos pela própria ASP, onde aéreos altos, tubos mais fundos e a radicalidade deveriam prevalecer.  

O que aconteceu hoje em Peniche foi o surf fraco e desajeitado de Julian Wilson (que até então vinha QUEBRANDO) vencer ao tubo mais fundo e as manobras mais radicais de Gabriel Medina. Um erro grotesco, que prejudicou o Gabriel Medina e a imagem do esporte como um todo. Mais um erro de julgamento em um circuito que tem falhas demais.

Portugal proporcionou um evento fantástico, com emoção de sobra do primeiro ao último momento do evento, e ondas e tubos realmente cascudos e fantásticos, que ninguém vai esquecer. Mas o evento também vai ficar marcado como uma das maiores palhaçadas que a ASP já aprontou. E os palhaços mais uma vez fomos nós.

E a ASP já mandou avisar que estão pretendendo cobrar pelas transmissões via web no ano que vem. Mas peraí, pagar por um esporte que nitidamente não é sério? Não parece uma boa idéia. Pelo contrário, só desanima ver o nosso esporte nas mãos não de uma entidade profissional e respeitada, mas de um bando. Um circuito preso e escravizado pelas mesmas marcas de sempre, os mesmos juízes de sempre, que obedecem os mesmos caras de sempre. Um esporte dominado pelos australianos há tempo demais, que se protegem atrás de uma entidade privada, que faz suas próprias regras e não tem nenhuma vergonha de mudá-las ainda durante o jogo. 

Não há mais o que dizer, o evento de Portugal mostrou um erro grotesco de julgamento.

Parabéns ao Gabriel Medina, o verdadeiro vencedor do Rip Curl Pro Portugal.
Parabéns também ao Adriano de Souza, que surfou muito o evento todo e que acabou com a 3ª colocação.

Resultado do Rip Curl Pro 2012
1 Julian Wilson (Aus)
2 Gabriel Medina (Bra)
3 Joel Parkinson (Aus)
3 Adriano de Souza (Bra)
5 Jeremy Flores (Fra)
5 Owen Wright (Aus)
5 John John Florence (Haw)
5 Josh Kerr (Aus)
9 Raoni Monteiro (Bra)
17 Alejo Muniz (Bra)
25 Miguel Pupo (Bra)
25 Jadson André (Bra)
25 Heitor Alves (Bra)

Foto: http://www.onfiresurfmag.com/competicao/julain-wilson-vence-rip-curl-pro-portugal/