25 de maio de 2018

SURF SESSION SÃO CONRADO

Surf Session São Conrado - Rio de Janeiro from Straya Filmes on Vimeo.

THE MORNING GROOVE

The Morning Groove from Wes Grant on Vimeo.

18 de maio de 2018

FILIPE TOLEDO VENCE EM SAQUAREMA E ASSUME A VICE-LIDERANÇA DO RANKING


Por: Dadá Souza


Filipe Toledo foi o vencedor do Oi Rio Pro, a 4ª etapa do circuito mundial da WSL. Com nítida superioridade, Filipinho venceu Wade Carmichael na final por 17.10 a 8.00 e agora é o vice-líder do ranking.

Saquarema fez bonito na elite. As ondas foram boas e consistentes, o público foi quente e o campeonato rolou com poucas interrupções. 

Quando a máquina de ondas de Saquarema liga o surf é intenso e desafiador.  A praia de Itaúna proporcionou ótimas direitas quando o evento rolou na Barrinha (que às vezes lembrou o Hawaii e às vezes lembrou Kirra) e ótimas esquerdas quando o evento rolou no Point de Itaúna. Ondas fortes, tubulares, desafiadoras, com boa formação, tudo bem pertinho da praia. A melhor etapa do ano? Com certeza. 

Comparações com a piscina do Kelly ou com o Postinho é pura perda de tempo. Saquarema mostrou ao mundo seu potencial e mostrou para a WSL Itaúna é o palco ideal para essa etapa. 





Filipe Toledo fez um evento perfeito em Saquarema. Venceu todas as suas baterias, surfou sempre com performances de altíssimo nível, fez a única Nota 10 da competição e no último dia atropelou todo mundo que passou pela sua frente. Sua vitória foi indiscutível. A 2ª vitória dele no Brasil e a 6ª na elite mundial. Julian Wilson continua na liderança do ranking e está a apenas 1.034 pontos na frente de Filipe Toledo. Keremas vai pegar fogo!




QUARTAS DE FINAL


Heat 1 - Filipe Toledo (BRA) x Kolohe Andino (USA) – O primeiro confronto do dia começou com ótimas ondas e com o Filipe Toledo ditando o ritmo da competição. Em sua primeira onda Filipe entubou, manobrou forte e marcou 7.67, mais que a somatória de Kolohe até o momento. A backup do Filipe foi uma onda mais curta que rendeu 6.77. As ondas pararam e foi essa segunda onda que deu a vitória ao Filipe Toledo (13.84 a 11.93). Semifinal para o brasileiro, 5º lugar para Kolohe Andino.



Heat 2 - Julian Wilson (AUS) x Michael Rodrigues (BRA) – Encarar o líder do ranking (e queridinho-mor da WSL) Julian Wilson nunca é uma tarefa fácil, especialmente em direitas tubulares. Michael Rodrigues abriu a bateria com ondas regulares (4.00 e 5.83) enquanto Julian começou errando tudo. Faltando 9 minutos para o término Julian entubou, finalizou com um aéreo e fez sua primeira nota na bateria (7.33). Com uma onda fraca (3.83) Julian passou na frente do brasileiro. Michel arriscou bastante nos aéreos, mas caiu demais. Julian venceu por 11.20 a 9.83 e o brasileiro se despediu do evento.



Heat 3 - Gabriel Medina (BRA) x Wade Carmichael (AUS) – Wade Carmichael parecia muito a vontade nas direitas da Barrinha. Estava bem calmo e bem sintonizado com os tubos. Medina passou a bateria apostando em aéreos que não saíram. Faltando 9 minutos para o término Wade Carmichael tinha duas notas na casa dos 5 pontos e Medina estava em combinação de ondas. Gabriel Medina, que insiste que não precisa de um técnico, foi eliminado do evento com a somatória de 3.63.




Heat 4 - Yago Dora (BRA) x Ezekiel Lau (HAW) – Uma bateria com poucas ondas boas e com quase todas as notas muito baixas. Zeke surfou melhor, colocou uma nota 6.83 e nos últimos segundos de bateria fez mais 6.03. Yago, o aniversariante do dia, acabou eliminado da competição somando 8.30.





SEMIFINAL



Heat 1 - Filipe Toledo (BRA) x Julian Wilson (AUS) – Uma bateria especialmente boa para os brasileiros. Primeiro porque Filipe Toledo vem surfando muitíssimo mais que o líder do ranking em 2018; e depois porque é muito legal quando o talento se sobressai a preferência dos juízes e vence de maneira incontestável. Filipe fez sua primeira nota com uma onda forte (6.67). Logo em sequida ampliou a diferença com uma ótima onda que começou com um tubo e finalizou com um aéreo rodando (8.67). Na metade do confronto Julian já estava precisando de uma combinação de ondas e assim foi até o final. Nos instantes finais da bateria Filipe ainda pegou um ótimo tubo, marcou 7.70 e aumentou o tamanho da Kombi de Julian.



Heat 2 - Wade Carmichael (AUS) x Ezekiel Lau (HAW) – Bateria com dois surfistas fortes, pesados e com ótimo faro para os tubos. Wade Carmichael saiu na frente com duas ondas regulares (7.17 e 6.00). Zeke começou com duas notas mais baixas (5.10 e 4.17). Wade, sem técnico, sem muita estrutura e com poucas pranchas no Brasil venceu o havaiano e foi para sua primeira final na elite mundial.



FINAL



Filipe Toledo (BRA) x Wade Carmichael (AUS) – Brasil x Australia. Surf progressivo x Surf de borda. Acima de tudo, um duelo de surfistas que não pareceram sentir qualquer pressão durante esse campeonato. Filipe Toledo saiu na frente com um tubão. Marcou 9.93 e levantou a galera na praia. Faltando 10 minutos para o termino da final Wade Carmichael precisava de uma combinação de ondas. A situação do australiano piorou quando Filipinho pegou um tubo longo em uma onda não muito grande e marcou mais 7.70. Foi a tampa no caixão do australiano. Filipe Toledo campeão indiscutível em Saquarema. 



RANKING ATUALIZADO 

(Ainda falta finalizar a 3ª etapa, cancelada por causa dos ataques de tubarão.)

1 Julian Wilson (AUS) 19.415
2 Filipe Toledo (BRA) 18.075
3 Italo Ferreira (BRA) 14.995
4 Gabriel Medina (BRA) 14.160
5 Wade Carmichael (AUS) 13.585
6 Ezekiel Lau (HAV) 11.670
7 Owen Wright (AUS) 11.575
7 Michel Bourez (PLF) 11.575
7 Michael Rodrigues (BRA) 11.575
10 Adrian Buchan (AUS) 11.550
11 Mick Fanning (AUS) 11.500
12 Griffin Colapinto (EUA) 9.835
13 Kolohe Andino (EUA) 9.740
14 Tomas Hermes (BRA) 8.590
15 Frederico Morais (POR) 8.495
16 Kanoa Igarashi (EUA) 8.240
17 Adriano de Souza (BRA) 7.450
17 Conner Coffin (EUA) 7.450
17 John John Florence (HAV) 7.450
17 Sebastian Zietz (HAV) 7.450
17 Jeremy Flores (FRA) 7.450
22 Patrick Gudauskas (EUA) 7.345
23 Yago Dora (BRA) 7.250
25 Willian Cardoso (BRA) 6.660
28 Ian Gouveia (BRA) 4.960
30 Jessé Mendes (BRA) 4.170
P.S. - O Maraca, de algum lugar, observava tudo com orgulho e com aquele sorriso largo.

7 de maio de 2018

WORLD TEAM VENCE O FOUNDERS´S CUP. BRASIL FICA EM 2º.





This train it is bound to glory
This train it don't carry no unholy
(Bob Marley)


Por: Jairo Dadá Souza


Nesse final de semana, 5 e 6 de maio de 2018, o mundo enfim pode assistir ao vivo a elite mundial competindo na famosa e ainda pouco conhecida piscina de ondas do Kelly Slater, que fica em Lemoore, Califórnia. Um campeonato de surf inédito, cheio de novidades, com novo formato e totalmente adaptado à televisão e aos jogos olímpicos em uma espécie de estadio de surf com uma onda que as vezes lembra Trestles e as vezes lembra Snapper. Nada mal para uma piscina com ondas artificiais.

Mesmo a milhares de quilometros de distancia a onda do Surf Ranch parece ser realmente incrível de se surfar. Tanto a esquerda quanto a direita têm personalidades bemdiferentes, ambas tem sessões de manobra e de tubo e, literalmente, não tem um pingo d ´água fora do lugar. Ondas rápidas, perfeitas, sempre pra frente e que testaram a sério as habilidades e o preparo físico dos melhores surfistas do mundo. 

O evento foi bom para os surfistas, bom para o público, bom para a mídia e especialmente bom para os negócios. Os figurões todos sorrindo, o surf sendo levado a um outro patamar, capitalistamente falando, e o nosso esporte dando um grande passo em direção ao futuro estando a quase 200 km do mar. Pura ironia. O potencial econômico desse projeto, o possível futuro olímpico, as oportunidades comerciais, a transformação de surfistas em ídolos mundiais do mainstream. Há tantos fogos de artifício sobre a piscina do Kelly que quase nos ofusca a vista. 


FOUNDERS

O Founders´Cup é um evento em homenagem aos fundadores do surf profissional: Wayne Rabbit Bartholomew, Ian Cairns, Fred Hemmings, Randy Rarick, Mark Richards, Shaun Tomson e Peter Townend. Grandes nomes do nosso esporte e pessoas que plantaram as boas sementes do surf profissional Leia mais sobre eles aqui.



NOVIDADES

O Founders´ Cup trouxe muitas novidades ao surf competitivo. Pela primeira vez na história ninguém teve que se preocupar com as ondas, com swell, nem com disputa de onda, nem com interferências, ou com tubarões, , nem com a correnteza, nem com day off, muito menos com o Kieren Perrow. Estava tudo cirurgicamente limpo, planejado e organizado e pudemos enxergar, nitidamente e na prática, o que uma Olimpiada é capaz de fazer com um esporte.

A maior novidade desse evento foi o Formato. 


Uma competição entre times, cada time representando um país ou uma região do planeta e composto por 5 surfistas: Três homens e Duas mulheres. 


Na primeira fase da competição acontecem 3 rodadas onde os times surfam juntos e ninguém surfa contra ninguém. Cada membro do grupo pega duas ondas, uma esquerda e uma direita, com pontuação até 10 pontos. 

No  final das 3 rodadas cada surfista soma sua melhor nota na esquerda e sua melhor nota na direita e os pontos contribuem para o total da equipe. 

Os 3 melhores times vão para a final, os dois piores acabam sendo eliminados. 

Na Final os três times entram na água e cada membro surfa duas ondas, uma esquerda e uma direita, mas conta somente a melhor nota entre as duas ondas (independente do lado que foi surfada). São 5 rodadas de qualificação. As baterias 1, 2 e 3 dão 2 pontos para o 1º lugar, 1 ponto para o 2º lugar e 0 pontos para o 3º lugar. As baterias 4 (só para mulheres) e 5 (só para homens) dão 4 pontos para o 1º lugar, 1 ponto para o 2 lugar e 0 pontos para o 3º lugar. A equipe com maior número de pontos vence. 

Uma das poucas coisas legais desse evento foi que o formato se aproximou mais das competições de skate. Cada surfista tinha direito a três “voltas”, surfando uma esquerda e surfando a direita na volta e já saia da água direto para a entrevista. Um evento totalmente adaptado para a televisão e já voltado para o formato olímpico. 

Apesar de serem minoria no time, as meninas fizeram toda a diferença nos times e no evento. Se alguém ainda tinha dúvidas de que as meninas poderiam competir e vencer os meninos em condições de igualdade, essa dúvida caiu por terra. Ou por piscina. As meninas simplesmente detonaram com um surfe de altíssima qualidade.


A ONDA

A onda é incrivelmente longa, parece bem forte e é absurdamente perfeita para uma piscina. A esquerda e a direita tem personalidade bem diferentes. Enquanto a esquerda lembra um pouco Trestles, a direita lembra um pouco Snapper Rocks. E ambas exigiram muita técnica e muito preparo físico dos surfistas. Ondas sempre rápidas, sempre pra frente. Vacilou caiu. Não se pode colocar a culpa nas ondas. Definitivamente não. No primeiro round elas estavam rápidas demais, mas depois de corrigido o nivel de surf cresceu muito. 


OS TIMES

O BRAZIL TEAM foi com Adriano de Souza, Filipe Toledo, Gabriel Medina, Silvana Lima e Tainá Hinckel. Um time com quatro grandes competidores e uma jovem promessa. Um time jovem, talentoso, agressivo e com dois campeões mundiais.

O WORLD TEAM foi com Bianca Buitendag (ZAF), Jordy Smith (ZAF), Kanoa Igarashi (JAP), Michel Bourez (PYF) e Paige Hareb (NZL). Um time forte, muito competitivo, bastante consistente e com potencial para surpreender.

O AUSTRALIA TEAM foi com uma verdadeira seleção australiana. Joel Parkinson, Matt Wilkinson, Mick Fanning, Stephanie Gilmore e Tyler Wright. Quatro campeões mundiais (e 12 títulos mundiais no curriculum). Um time muito forte e muito experiente.

O EUROPE TEAM foi com Frankie Harrer (GER), Frederico Morais (POR), Jeremy Flores (FRA), Johanne Defay (FRA) e Leonardo Fioravanti (ITA). Um time jovem e cheio de vontade.

O USA TEAM foi com Carissa Moore, John John Florence, Kolohe Andino,  Lakey Peterson e o dono da piscina, capitão do time, astro do show e criador da onda Kelly Slater. Um time muito forte, com três campeões mundiais, com 16 títulos mundiais no curriculum e com o dono dos segredos da onda como capitão do time. 


Foto: WSL / Cestari


O EVENTO


DIA 1

O Round 1 do evento foi chato, monótono e tedioso. Uma onda perfeita demais e rápida demais fez com que pouca gente conseguisse mostrar um surf de qualidade. Muita gente reclamou na internet e com razão. Esse campeonato começou tedioso e sem grandes emoções. O time americano surfou melhor nessa primeira rodada, o World Team ficou em 2º, a Australia ficou em 3º,  Brasil ficou 4º lugar e a Europa em 5º.



No Round 2 a onda foi nitidamente ajustada e ficou bem melhor tanto para quem surfou como para quem assistiu. Filipe Toledo e Gabriel Medina simplesmente destruíram a onda com performances de cair o queixo. Filipinho fez o primeiro 10 da competição. E se valeu 10 na piscina Medina também deveria ter feito o seu. Medina entubou muito fundo, por muito tempo e finalizou sua onda com um rodeo clown. John John também mereceu destaque (mas não uma nota 9.8). 

O primeiro dia foi finalizado com o time norte-americano liderando com 5 pontos de vantagem sobre a equipe australiana e com o Brasil na 4ª colocação. 


DIA 2

No Round 3 os surfistas já estavam bem mais entrosados com a onda. Principalmente o time brasileiro. Filipe Toledo fez um 9.40 na esquerda, Mineiro fez um 8,67 também na esquerda e Medina um 9.07 na direita. A Tainá surfou com mais segurança e a Silvana Lima se adaptou bem as ondas do Surf Ranch. 

Os times dos Estados Unidos e do Brasil finalizaram essa primeira fase em 1º e 2º respectivamente.

Os times World e Australia empataram na terceira colocação e foram para o desempate. O time Mundo escolheu Page Hareb e Jordy Smith e ambos surfaram muito bem. O time Australia escolheu Matt Wilkinson e Tyler Wright, mas Wilko caiu logo no começo da onda, marcou pouco mai de 4 pontos e ferrou com o sonho australiano. Tyler surfou muito bem mas nem um 10 a salvaria e a Australia acabou eliminada da competição junto com o time europeu.

USA TEAM, BRAZIL TEAM e WORLD TEAM foram para as finais do evento.


FINAL

Michel Bourez abriu a primeira bateria das finais surfando muito forte na esquerda, mas caiu no meio da onda e marcou 5.17. Na direita Michel surfou mal, fez duas manobras e caiu logo no inicio do peimeiro tubo e marcou 3.33.

Medina veio logo em seguida e fez literalmente uma volta olímpica. Destruiu a esquerda e fez 9.07 e depois destruiu a direita e fez mais 9,67. Uma onda muito muito muito forte e uma apresentação avassaladora. 

John John fez a terceira apresentação da final, caiu de cara na esquerda e fez 1.60. Na direita JJ começou bem mas caiu novamente no tubo e marcou 3,90. Mais um péssimo campeonato para o campeão mundial em 2018.

Bianca Buitandag surfou um pouco lenta mas surfou bem na esquerda e marcou 6.07. Na direita acabou errando e caiu no tubo. Uma apresentação bem fraca da sul-africana. 

Tainá Hinckel surfou com mais confiança hoje, fez a onda toda como se estivesse surfando em casa, na Guarda do Embaú, e marcou 5.27. Na direita Tainá manobrou bem forte, entubou duas vezes, manobrou e tentou entubar pela terceira vez, dessa vez bem na portinha e marcou só 5.67

Lakey Peterson surfou uma ótima esquerda, surfou com estilo e com agressividade, fez um tubo muito curtinho e marcou 8.00. Na direita Lakey mais uma vez surfou com excelência e fez 7.27.

Kanoa Igarashi caiu logo no início da esquerda e fez 2.00. Depois ele disse que foi para economizar as pernas para a direita. Na direita Kanoa surfou bem, entubou fundo, fez algumas manobras e finalizou muito bem sua onda. Marcou 8,93.

Adriano de Souza forçou bem suas manobras na esquerda, surfou sempre forte, mas burocrático, entubou fundo na esquerdinha e marcou 8.57. Definitivamente a melhor esquerda da final até então. Na direita Mineiro surfou muito forte. Entubou fundo, mas acabou caindo e só marcou 7.17.

Kolohe Andino fez tudo certinho na esquerda mas surfou com muito menos pressão que os outros surfistas e marcou 7.77. Na direita Kolohe arriscou um grande aéreo no meio da onda, caiu e marcou só 4.83.

Paige Hareb surfou meio burocrática na esquerda, caiu no tubo e fez 6.07. Na direita surfou um pouco pior e marcou 3.23.

Silvana Lima surfou bem na esquerda, fez uma linha bem agressiva mas não saiu do tubo no finalzinho da onda e marcou 6.13. Na direita Silvana Lima surfou muito forte, entubou fundo, manobrou bem e finalizou com um tubão. Uma onda espetacular da brasileira que marcou 9.17 (merecia mais).

Carissa Moore caiu na água logo na sequencia e surfou a esquerda com excelência. Marcou 8.73. Na direita Carissa entubou raso em todas as vezes, não manobrou tão forte, fez mais um tubo no final da onda, errou o aéreo de finalização e marcou 8.77.

Jordy Smith fez uma esquerda burocrática, arriscou um rodeo clown no final da onda e caiu e ganhou 7.50. Na direita Jordy desperdiçou sessão, não entubou tão fundo, e deu um alley oop no final da onda que não foi tão limpo e marcou um inacreditável 9.27.

Filipe não surfou muito bem na esquerda, que era o seu real objetivo e marcou 7.33. Na direita Filipe caiu logo no inicio da onda, marcou só 4.93 e definitivamente acabou com as chances do Brasil de vencer essa etapa. 

Kelly fechou a final quase que com chave-de-ouro. Surfou muito bem na esquerda e fez um 8 pontos e destruiu a direita com a perfeição que só o criador da onda poderia fazer e ganhou 9 pontos, uma nota um pouco baixa para a performance do norte-americano que precisava de pelo menos meio ponto a mais. 

Com o 9 do Kelly o time mundo, formado por Bianca Buitendag (ZAF), Jordy Smith (ZAF), Kanoa Igarashi (JAP), Michel Bourez (PYF), Paige Hareb (NZL) venceu a competição graças aos pontos de Jordy Smith. O WORLD TEAM, que em momento nenhum encantou, venceu a competição.  

O time brasileiro ficou com a 2ª colocação mas fez as duas maiores notas individuais da competição. Com a Nota 10 do evento, Filipe Toledo ficou com o prêmio Jeep Best Ride Award e leva pra casa um Jeep zerado e irado. 


Foto: WSL / Cestari


O Fopunders´Cup entregou o que cumpriu. Um evento organizado, com excelentes condições de surf, formatou o evento para a televisão e para as Olimpíadas e mostrou que o surf definitivamente pode ira para esse caminho no futuro e nas Olimpíadas. O campeonato rodou mais redondo do que muita etapa da WSL. Creio que o desafio agora é deixar o evento mais dinâmico e com mais emoção. Não foram poucas as pessoas que acharam esse evento chato. Encontrar esse equilibrio entre informação, emoção e a performance dos atletas ainda precisa ser encontrado.





O JULGAMENTO

Ondas rigorosamente iguais Pelo menos na teoria isso deixa o julgamento bem menos subjetivo, Estão todos surfando para os mesmos lados, em ondas com a mesma velocidade, com o mesmo tamanho e em plenas condições de igualdade. As ondas passar a ter peso nulo e a performance dos atletas fica mais nítida de ser julgada. 

Mas será que os juízes foram tão imparciais? Algumas notas surpreenderam, outras causaram desconfiança. O fato de não haver um "heat analyzer" nem videos disponiveis criou um clima não muito transparente, vamos dizer assim.

Claro que foi legal ver o Filipe Toledo ganhar uma Nota 10 surfando muito mais do que todo mundo. Mas dar um 10 logo no primeiro dia de uma onda artificial quando todos ainda tem muito o que evoluir nessas ondas teria sido uma boa decisão? O surf apresentado pelo brasileiro foi realmente fodástico, mas penso que não se pode dar uma nota 10 em uma piscina. Há muitos limites a serem ultrapassados ainda. Dar um 10 assim no primeiro dia da piscina me deixou na dúvida se é um cacoete ou se foi preguiça. 




KELLYLÂNDIA


O 11 vezes campeão mundial construiu um mega parque aquático, criou a melhor piscina de ondas do mundo, esculpiu uma esquerda e uma direita perfeitas (e ainda vai fazer mais duas piscinas ao lado dessa) em Lemoore e ainda pode fazer com que sua piscina vire Arena Olímpica e mude definitivamente a cara do nosso esporte. Nem o Walt Disney foi tão ambicioso. 




RESULTADOS




NOTAS

# O Kelly vem dizendo que não pode competir nos eventos da WSL por causa do pé quebrado, mas que vem surfando todo dia e acabou de mostrar que o problema está longe de ser o pé.

# Se o futuro do surf será nessas piscinas sugiro aos competidores aumentar o treino de pernas. Não faltou gente perdendo sessão ou aliviando nas manobras porque as pernas não respondiam mais.

# O Kelly treinou muito mais do que todo mundo, fez um evento na sua própria piscina, foi o capitão do time norte-americano, tocou com sua banda no intervalo e ainda quis que todos os surfistas surfassem com a sua prancha. Megalomania é pouco para o careca

#Faltou o Heat Analyzer, faltaram notas ao vivo, faltou informação no site, faltaram videos com as ondas inteiras a disposição. Nem sempre menos é mais Tio Kelly. Um evento muito rico foi pobre em informação.

# O site BeachGrit disse que esse evento matou os campeonatos em Beach Break. É exagerado, mas é essa a impressão. Com ondas perfeitas 24 horas a disposição só faz evento em onda ruim quem quer. 




5 de abril de 2018

HELLS BELLS! ITALO CAMPEÃO, LÍDER DO RANKING E FANNING FORA DO TOUR

WSL / KIRSTIN SCHOLTZ



O Rip Curl Pro Bells 2018 terminou em grande estilo nessa quinta-feira, 5 de abril, com a emocionante final entre Italo Ferreira (BRA) e Mick Fanning (AUS). Já seria uma grande final tanto pelo que os dois vinham apresentando durante todo o evento, como pela qualidade das ondas, mas esse duelo culminou na primeira vitória de Italo Ferreira no circuito mundial e na aposentadoria de Mick Fanning, um dos maiores nomes da história do surf mundial.




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HELLS BELLS

Bells Beach é uma das ondas mais famosas do mundo. Suas direitas longas e perfeitas encantam os homens há décadas. Bells é também o palco de um campeonato clássico, a etapa mais antiga e tradicional do circuito mundial que desde 1961, sempre na Páscoa, recebe esse evento. A partir de 73 o campeonato de Bells passou para o status de evento profissional e desde então a história do surf mundial tem passado pelas linhas de Bells Beach. O troféu dessa etapa, o famoso Sino, é um dos troféus mais desejados do ano porque nessa onda meus amigos, não é qualquer um que vence.  

Todos conhecem a fama, a perfeição e a importância das ondas de Bells e Winkipop, ondas que testam as curvas e as habilidades dos competidores e que constroem a reputação de um surfista.

Competir em Bells é especialmente difícil porque não dá muita margem para erros, porque raramente prestigia os goffies e porque não revela seus segredos para os iniciantes do tour. Umaonda linda se se ver, ótima de se surfar, mas  uma onda difícil de competir. Velocidade, leitura de onda, técnica apurada, equipamento correto, talento... todos os atributos serão exigidos e serão necessários.

Quando as ondas estão realmente boas, tanto Bells quanto Winkipop são ondas fenomenais, mas geralmente as ondas podem ser bem cheias e foi o que aconteceu durante quase todo esse evento. O que poderia ser um espetáculo de grandes ondas e de grandes manobras virou um monótono campeonato de rasgadas e cutbacks.  E quase poderíamos resumir o campeonato a isso se não fossem três nomes: Italo Ferreira, Filipe Toledo e Gabriel Medina. Não é ufanismo, é pura constatação. Esses três surfistas, mesmo que os resultados digam outra coisa, surfaram com outro nível de agressividade e velocidade. Mick Fanning esbanjou técnica, experiência e mostrou que vai se aposentar ainda tendo um dos mais altos níveis de surf do mundo.





FINAL DAY


No último dia de competições ondas grandes, pesadas, perfeitas e os surfistas finalmente tiveram pistas a altura de uma final em Bells.

Apesar do evento todo morno, o último dia de competições apresentou ondas bem melhores e as grandes manobras começaram a sair. 

QUARTAS

O dia abriu com as quartas de final masculina. Patrick Gudauskas (USA) fez uma belíssima apresentação, sua melhor no tour até o momento, e venceu Michel Bourez (PYF) de virada por 11.67 a 11.44; Mick Fanning (AUS) surfou muito bem na bateria contra Owen Wright (AUS) e venceu a disputa por 13.77 a 9.33. A galera delirava na praia a cada onda de Fanning; Italo Ferreira (BRA) foi monstruoso em sua bateria contra Ezekiel Lau (HAW) e ganhou a disputa por 17.86 a 11.50; Gabriel Medina (BRA) derrotou o português Frederico Moraes por 15.73 a 15.00. Uma bateria bastante disputada, mas com sutis, mas grandes diferenças na linha de surf de ambos os atletas. 

SEMI

Na primeiro a bateria da semi, Mick Fanning venceu o norte-americano Patrick Gudauskas por 16.50 a 9.67. Fanning dominou a bateria e surfou com muita superioridade. O melhor soldado australiano do primeiro ao último dia... Veja essa bateria aqui

Na segunda semi um duelo brasileiro Italo Ferreira x Gabriel Medina. Medina já tinha vencido duas. Italo, talvez por isso, com muito mais vontade. Gabriel surfou muito forte e somou 6.50 e 7.60. Italo surfou muito mais forte e somou 9.17 e 6.83. Vitória arrasadora (e na hora certa). Veja essa bateria aqui




OS FINALISTAS

Italo e Fanning chegaram nas finais com méritos incontestáveis. Ambos fizeram um campeonato arrasador em Bells. O australiano de frente e o brasileiro de costas para a onda. Um começando sua carreira no circuito mundial, outro encerrando seu ciclo como competidor. Tanto Italo e Fanning se destacaram em suas chaves e chegaram à grande final com favoritismo. Isso mesmo, ambos! Italo apesar de ser goofy footer e até então sem vitórias no tour, estava surfando muito mais que todo mundo. Mick Fanning também chegou à final surfando muito bem, mas era um mestre nesse tipo de onda e fecharia ali sua carreira como competidor full time do tour. Italo na dura batalha de fazer um goofy footer vencer em Bells (coisa rara) e Fanning se preparando para uma grande festa no evento de seu patrocinador, na onda que o lançou para o mundo e com uma torcida apaixonada na praia. Felizmente a final proporcionou boas ondas para ambos os surfistas que definitivamente mostraram porque estavam fazendo a final do evento. Fanning surfou com maestria. Italo surfou para vencer.  Uma final que muitos nunca esquecerão.

Italo Ferreira começou o ano com um 13º na Gold Coast, foi campeão em Bells e agora está empatado com Julian Wilson na liderança do ranking mundial (surfando muito mais do que o australiano, diga-se de passagem). Também vale dizer que o Italo, até o momento, mostrou uma superioridade incrível nas duas primeiras etapas e vem se mostrando uma “fábrica de high scores” em qualquer condição de mar. Vai para Margaret River com confiança e com a lycra amarela.





OS CAMINHOS QUE LEVARAM ATÉ A FINAL

Italo estreou no Round 1 perdendo para o Gabriel Medina, os dois surfando muito bem; No Round 2 Italo eliminou com facilidade seu antigo rival Michael Rodrigues (BRA); No Round 3 eliminou o brasileiro Filipe Toledo em uma bateria-espetáculo; No Round 4 passou em segundo, novamente atrás de Gabriel Medina; Nas quartas de final Italo derrotou Ezekiel Lau (HAW) que vinha fazendo um excelente evento; Na semifinal Italo virou o jogo contra Medina na hora certa e venceu Medina ; e na final Italo venceu o australiano Mick Fanning no dia da sua festa de aposentadoria. Uma campanha muito forte, sempre com excelentes apresentações, sempre surfando com força, velocidade, agressividade e radicalidade. Mais dentro do critério impossível.

Fanning estreou com vitória no Round 1; venceu Sebastian Zietz (HAW) no Round 3; venceu Gudauskas (USA) e Wilko (AUS) no Round 4; eliminou Owen Wright nas quartas; derrotou Patrick Gudauskas (USA) na semi fazendo uma grande bateria e só só foi vencido na final diante da explosão do surf de Italo Ferreira. Um grande evento, uma grande carreira, muitos grandes exemplos e o mundo do surf todo reverenciando esse que foi um dos maiores nomes do surf mundial.

Essa foi a primeira vitória de Italo Ferreira no tour, a segunda de um brasileiro em Bells Beach, e a 32ª vitórias brasileira no circuito mundial.



WSL / ED SLOANE


PALAVRAS DO ITALO:

Eu nem consigo acreditar ainda nisso tudo. É incrível, a minha primeira vitória, o Mick Fanning é meu ídolo, nossa, estou muito feliz”

“Eu tenho trabalhado duro nos últimos anos. Lembro da minha primeira final com o Filipe (Toledo) em Portugal (em 2016), estava tão perto da vitória, mas agora consegui. O ano passado foi difícil pra mim, por causa da minha lesão depois da Gold Coast, que me deixou de fora por dois meses. Foi terrível e trabalhei muito forte para me recuperar, então agora é o melhor sentimento, muita felicidade pela vitória neste lugar incrível e contra um cara iluminado na final, um herói”

“Eu só quero dizer obrigado Deus e dedicar essa vitória a minha família, minha namorada e todas as pessoas que tem me apoiado ao longo desses anos”

“Eu sou uma pessoa muito feliz por ser este o meu trabalho e eu só tentei fazer o meu melhor nas ondas que surfei em cada uma das baterias. Eu sabia que tinha que continuar assim na final e o Mick (Fanning) é um dos meus surfistas favoritos, o melhor concorrente e só tenho que agradecer a ele por tudo que já fez para o nosso esporte”


WSL / KELLY CESTARI



PALAVRAS DO FANNING

“Foi um momento muito especial poder estar na final com toda essa torcida e melhores amigos aqui, mas estou feliz em ver o quanto essa vitória significou para o Italo (Ferreira), foi uma das melhores coisas que eu já vi em Bells”
“Foi muito divertido surfar com todos que competi nesse evento, o Seabass (Sebastian Zietz), o Paddy Gudang (Patrick Gudauskas), o Wilko (Matt Wilkinson), o Owen (Wright). Foi realmente especial porque me sentia surfando com um amigo e foi incrível ver e sentir todo o apoio dos fãs. Obrigado a todos que tornaram isso tão memorável, foi uma carreira incrível e agradeço a todos”.



MENINAS

Entre as meninas o título ficou entre a brasileira/havaiana Tatiana Weston-Webb e a australiana Stephanie Gilmore (AUS). Também entre as meninas um duelo de gerações. Tatiana surfou bem, mas a vitória (apertada) ficou com Stephanie Gilmore. 

Abrasileira Silvana Lima fez um excelente evento em Bells, finalizou na 3ª colocação e é a atual Top 7 do ranking.






BAFORADAS

Que início de ano do Italo. Mostrou superioridade nas duas primeiras etapas, surfou bem, competiu bem e mostrou tanto na Gold Coast quanto em Bells sua principal característica: ele nunca entra no mar para perder

Que emocionante ver um grande ídolo do esporte como o Mick Fanning se aposentar do tour. Dentro e fora d´água um grande surfista, um grande competidor e um grande campeão. Teria sido o final de carreira mais perfeito da história (com vitória e com a liderança do ranking) não fosse um potiguar arretado.

A Surfer Magazine fez um tributo fotográfico para o Mick Fanning. Recomendo https://www.surfer.com/features/a-tribute-to-mick-fannings-historic-career/https://www.surfer.com/features/a-tribute-to-mick-fannings-historic-career/

Não fossem os juízes haveriam brasileiros nas duas primeiras finais do ano, afinal o Tomas Hermes venceu aquela semi contra o Ace


O ranking atualizado pode ser visto aqui

22 de março de 2018

JULIAN WILSON VENCE O QUIK PRO GOLD COAST



Depois de um verão de abstinência, os eventos da WSL voltaram e a primeira das 11 etapas de 2018 foi finalizada. O Quiksilver Pro Gold Coast, primeiro dos três eventos australianos, acabou com uma final australiana, com Julian Wilson campeão do evento e Adrian Buchan como vice.

Antes de começar a falar sobre esse campeonato, vale a pena dizer que 2018 começou com algumas novidades no tour. A WSL trocou de CEO, trocou de Head Judge, mudou a distribuição de pontos em cada fase, a repescagem do Round 5 foi eliminada, a piscina de ondas do Kelly entrou no tour, o Mick Fanning anunciou sua aposentadoria e o Brasil é hoje a nação com o maior número de participantes na elite mundial.

Como acontece há séculos (isso é uma brincadeira), o circuito começa na Gold Coast australiana. Quase sempre na famosa bancada de Snapper Rocks, às vezes também em Kirra. Ninguém questiona a qualidade dessas ondas, tanto Snapper quanto Kirra são ondas longas e de altíssima qualidade, a primeira favorece as manobras e a segunda os tubos. O problema dessa etapa é que nem sempre ela apresenta ondas tão boas durante os campeonatos da WSL. Dessa vez até rolou um daqueles clássicos em Snapper, mas o evento acabou mudando para Kirra. Algumas pessoas disseram que foi uma tremenda mancada da WSL, algumas pessoas disseram que a WSL fez o correto e algumas pessoas disseram que a mudança favoreceria justamente os surfistas que não vinham se destacando nas manobras. O fato é que o campeonato mudou pra Kirra e as finais rolaram com boas ondas. Não estava clássico, nenhum dos surfistas conseguiu colocar duas notas no padrão excelente, mas tinha boas ondas (Nada clássico como muitas mídias publicaram).  

O campeonato começou com ondas difíceis e muita correnteza e a maioria dos “tops” passou trabalho para mostrar uma linha de surf acima da média. Filipe Toledo, Gabriel Medina, Italo Ferreira e Mick Fanning foram os melhores nomes do primeiro dia e surfaram bem acima da média. O restou remou. Literalmente.


No segundo dia o round 2 rolou em ondas menores, mas melhores. A repescagem contou com 4 campeões mundiais e com 9 brasileiros lutando para continuar no evento. Medina, Mineiro, Michael Rodrigues, Willian Cardoso e Tomas Hermes venceram seus confrontos na raça e avançaram na competição.  Ian Gouveia, Caio Ibelli, Yago Dora e Jesse Mendes perderam suas baterias e deram adeus a competição com a 25ª colocação (assim como o campeão mundial John John Florence). Jessé deveria ter passado, mas os juízes, ah os juízes...

No Round 3 o time brasileiro perdeu Willian Cardoso, Italo Ferreira e Gabriel Medina. Mais da metade do nosso “time” perdeu nas fases iniciais do evento e muita gente já tem um primeiro descarte já na primeira etapa. Mas também teve quem se conectou bem com as ondas de \Snapper Rocks Tomas Hermes, Filipe Toledo, Adriano de Souza e Michael Rodrigues surfaram muito bem e avançaram na competição. Filipe sempre puxando o ritmo e os limites. Mineiro foi o único brasileiro eliminado no Round 4.

Até o Round 4 o campeonato rolou em Snapper Rocks. Filipe Toledo foi o melhor surfista de todo o evento até aqui, Tomas Hermes e Michael Rodrigues pareciam estar surfando em casa e Owen Wright estava com o surf muito encaixado, sempre fazendo boas notas. Se eu pudesse dizer que o surf tem alguma lógica, diria que o campeonato estaria entre esses quatro competidores.

Nas quartas de final o mar subiu bastante e a organização do decidiu transferiar o evento para Kirra. O evento deixou de lado as manobras para investir nos tubos. Muita gente disse que foi cagada da WSL porque Snapper quebrou clássico. Muita gente defende a ida para Kirra, apesar das poucas notas excelentes nesse dia. Adrian Buchan, sempre constante, eliminou Owen Wright e garantiu a primeira vaga na semi. Tomas Hermes eliminou Filipe Toledo, até então o melhor surfista da competição e foi para sua primeira semifinal na WSL já em seu evento de estreia. Julian Wilson eliminou Michel Rodrigues com a primeira nota bastante inflada e Griffin Colapinto eliminou Michel Bourez fazendo a única nota 10 da competição.

Tomas Hermes e Griffin Colapinto, dois novatos no tour, chegaram as semifinais do evento derrubando verdadeiros gigantes pelo caminho. Tomas, surfando com sua Xanadu Viper, eliminou Joan Duru (FRA, eliminou Kolohe Andino (USA), Eliminou Mick Fanning (AUS) e eliminou o brasileiro Filipe Toledo. Griffin Colapinto venceu de John John e Mikey Wright no Round 1, eliminou o local Joel Parkinson, o norte-americano Kanoa Igarashi e o tahitiano Michel Bourez. Fazer semifinal já no primeiro evento na elite foi um grande feito desses dois novatos que começaram o ano já concorrendo ao Rookie of the Year.


SEMI

Na primeira bateria da semi, o australiano Adrian Buchan venceu Tomas Hermes. Adoraria dizer isso com mais verdade, mas essa foi uma das tantas baterias de julgamento polêmico. Adrian Buchan venceu, mas muita gente acha que nem ele e nem o julgamento convenceram. O heat analyzer está lá para quem quiser ver.


A verdade é que surfistas estreantes muitas vezes são cruelmente julgados e coisas como essa acontecem. Também diria que é verdade que ondas maiores, independente se foram melhores surfadas, ganham pontuações proporcionalmente infladas, como se a linha de surf valesse mais do que o tamanho da onda.

Na segunda semi Julian Wilson venceu Griffin Colapinto surfando mais do que o novato e começou o ano com uma final




FINAL

A final começou com uma onda excelente de Julian Wilson que pegou um tubão, marcou 9.93 e garantiu a metade da bateria. Uma onda menor e um 7.50 garantiram a vitória já na metade da bateria.  Adrian Buchan bem que lutou, mas as ondas não estavam fáceis. Na metade do confronto conseguiu um 6.50 e no finalzinho da bateria um 8.60. Julian venceu o primeiro evento do ano, venceu pela primeira vez na Austrália, venceu vindo de lesão séria no ombro e venceu poucos dias depois do nascimento da sua filha. Nada mal para o australiano.



Adrian Buchan e Julian Wilson chegaram às finais do evento sem estarem entre os grandes nomes do campeonato. Ambos são excelentes surfistas, ótimos competidores e atletas muito constantes, mas verdade seja dita, muita gente surfou melhor do que eles nesse evento e isso, claro, mexeu com os ânimos da galera na web. Se a WSL mudou seu head judge para dar uma nova cara ao julgamento, não sei se conseguiu. Os critérios parece que estão sendo mais levados a sério e fazer high scores aparentemente ficou mais difícil, mas muita gente discordou de alguns julgamentos.

Mesmo com swell, mesmo com ondas longas, mesmo com muita gente boa e tantas caras novas, o evento todo foi morno. Foram raros os momentos de brilho em um evento que era para ser de alta performance nas ondas. E verdade seja dita, Fanning e Parko, mesmo tiozinhos, deram aula em casa. Não será fácil para a Austrália substituir esses dois e não será nada fácil para a nova geração surfar no mesmo nível desses dois. Mas se esses dois deram aula, ninguém surfou mais do que os brasileiros. Filipe Toledo e Gabriel Medina não competiram bem mas surfaram muito acima da média enquanto Michael Rodrigues e Tomas Hermes pareciam locais de Snapper Rocks. Nenhum deles chegou a final, mas tenho certeza de que o surf desses caras impressionou muito mais do que o surf dos finalistas. Coisas de campeonato.


Entre as meninas a final aconteceu entre a norte-americana Lakey Peterson e a australiana Keely Andrew. Ver as meninas competindo em Kirra foi legal demais e a norte-americana venceu a disputa por 15.67 a 5.67.





OS BRASILEIROS NA COMPETIÇÃO

ADRIANO DE SOUZA

Adriano de Souza é um competidor nato. Um soldado obstinado e dedicado, não à toa é um campeão mundial.

Mineiro estreou contra Adrian Buchan (AUS) e Willian Cardoso (BRA) em uma bateria com poucas ondas boas, passou a bateria toda esperando uma onda boa que só veio no final do confronto. No Round 2 Mineiro eliminou Ian Gouveia fazendo uma boa bateria. Saiu na frente, manteve um ritmo forte durante todo o confronto e mostrou repertório, vontade e uma ótima leitura de onda.  No Round 3 Mineiro enfrentou Wade Carmichael, passou a bateria toda lutando e na última onda fez uma virada espetacular em cima do australiano. No Round 4 Mineiro enfrentou Michael Rodrigues e Michel Bourez. Mineiro surfou bem, mas acabou ficando em 3º em uma bateria onde o julgamento foi bastante questionado.

Adriano começou o ano com uma 9ª colocação, é sempre um candidato real para vencer as etapas. Às vezes parece que ele tem vontade demais e isso o atrapalha. Em Bells é um dos favoritos.


CAIO IBELLI

Caio Ibelli é um surfista talentoso e muito dedicado. Esse ano caio recebeu uma proposta da Slater Designs, quebrou o contrato de exclusividade com o Xanadu e começou o ano competindo com pranchas novas.  

Na primeira bateria do evento contra Owen Wright (AUS) e Ezekiel Lau (HAW), passou a bateria toda literalmente boiando. As condições do mar estavam bastante difíceis e Caio finalizou a bateria na 2ª colocação mais por interferência do Zeke Lau do que pelo surf que ele conseguiu apresentar.  No Round 2 Caio Ibelli enfrentou Willian Cardoso, dessa vez surfou bem, mostrou um surfou bem forte e consistente, mas o Panda surfou muito. 

2018 começou com um descarte e um amargo 25º. Muito pouco para um garoto com um surf tão consistente. Agora é ir pra Bells mais focado e com mais sorte.

FILIPE TOLEDO

Filipe Toledo é uma estrela de raro talento. É fácil o surfista mais rápido do mundo hoje e voa como poucos. Filipe tem o equilíbrio quase perfeito entre vontade e frieza competitiva e é um dos sérios candidatos ao título esse ano.

No Round 1 Filipe estreou contra o brasileiro Tomas Hermes e o Frederico Moraes (PRT), fez a melhor onda do dia, a maior somatória do dia e simplesmente sobrou na bateria. No Round 3 Filipe Toledo venceu o brasileiro Italo Ferreira em uma bateria que poderia ter sido a final do evento. Surf de altíssimo nível. No Round 4 Filipe Toledo enfrentou os australianos Mikey Wright e ace buchan e simplesmente atropelou todo mundo. Nas quartas de final Filipe Toledo enfrentou Tomas Hermes nas ondas de Kirra e simplesmente não conseguiu se conectar com as ondas.

Filipinho começou o ano com uma 5ª colocação, não foi ruim, mas vale a pena repetir: ninguém surfou como ele em toda a competição. Em Bells? Grandes chances.




GABRIEL MEDINA

Gabriel Medina é o talento em pessoa. Quando ele resolve que quer não tem quem o pare. Surfe de campeão mundial. 

No Round 1 Medina estreou contra Italo Ferreira (BRA) e Leonardo Fioravanti (ITA) e sua primeira participação no ano foi com uma interferência em cima do italiano. Medina surfou muito bem sua primeira onda, mas acabou pagando caro pela falta de inteligência. No Round 2 Gabriel Medina pegou novamente Leonardo Fioravanti e dessa vez atropelou o italiano. No Round 3 Medina enfrentou o australiano Mikey Wright, passou a bateria toda levando uma escovada e não mostrou nem a metade do que esperávamos dele. Acabou eliminado no Round 3 e começou o ano com uma 13ª colocação. Muito pouco para quem vinha mostrando um surf tão forte.

Medina tem um talento monstruoso e pode facilmente empilhar alguns títulos mundiais, mas nem sempre é inteligente em suas baterias.  Vai pra Bells sabendo que já tem um primeiro descarte. P.S. - Não seria o caso de procurar um técnico de verdade?

IAN GOUVEIA

Ian Gouveia é o nosso mini-Occy. O pequeno caçula dos Gouveia cresce quando o mar sobe, tem manobras fortes e uma vibe incrivelmente boa.

No Round 1 Ian Gouveia estreou contra Julian Wilson (AUS) e Joan Duru (FRA), não encontrou boas ondas na bateria, não surfou bem e terminou o confronto na terceira colocação. No Round 2 Ian surfou contra Adriano de Souza pelo tudo ou nada,  surfou bem forte, lutou e quase virou a bateria no final do confronto, mas a leitura de onda do Mineiro fez a diferença.

Começar o ano com uma 25ª colocação certamente não era o seu objetivo. Agora é ajustar o foco e correr atrás do prejuízo em Bells


ITALO FERREIRA

Italo Ferreira é um surfista rápido, forte, confiante e sempre entra na água para vencer e não raro atropela seus adversários. Seu surf é agressivo, radical e muito veloz.

No Round 1 Italo estreou contra Gabriel Medina (BRA) e Leonardo Fioravanti (ITA), mostrou o melhor surfe do dia e garantiu a primeira vitória brasileira na competição. No round 3 Italo Ferreira e Filipe Toledo fizeram um grande confronto (bem melhor que o da final), Filipe levou a melhor e Italo se despediu cedo demais da competição.

Italo começou o ano com um 13º justamente em uma das ondas que mais favorecia o seu surf. Em Bells Italo é um forte candidato. Tem surfe de backside de sobra.



JESSE MENDES

Jesse Mendes chegou a elite mundial já pronto. Surfista afiado, competitivo e muito radical.

No Round 1 Jesse Mendes enfrentaria Kelly Slater (USA) e Mick Fanning (AUS), mas Slater não compareceu ao evento e Jesse estreou no tour fazendo a única bateria homem-a-homem do Round 1 contra o local hero e tricampeão mundial Mick Fanning. Jesse bem que tentou, mas o australiano escolheu as melhores ondas, surfou melhor e levou a bateria. No Round 2 Jesse enfrentou Wade Carmichael, começou surfando bem vertical e levou a melhor na primeira troca de onda. Ficou faltando uma segunda onda boa para o brasileiro que perdeu para um adversário que definitivamente surfou pior do que ele.

Estrear na elite mundial com uma 25ª colocação é aquela coisa, ou você foca, ou cai fora. E o primeiro descarte você já tem. Em Bells Jesse deveria surfar um pouco mais tranquilo e sem tantos erros. Surfe e experiência definitivamente não lhe faltam.



MICHAEL RODRIGUES

Michael Rodrigues é um novato no tour, mas como dizem, chegou chegando. Rápido, ousado, radical e bom competidor.

O cearense Michael Rodrigues estreou no tour surfando contra Matt Wilkinson (AUS) e Michel Bourez (PYF), não encontrou boas ondas na bateria e finalizou na 2ª colocação. No Round 2 o cearense pegou o havaiano Sebastian Zietz, surfou e competiu muito bem e fez a mala do havaiano. Mostrou velocidade, mostrou radicalismo e avançou para o round 3 com certa facilidade. No Round 4 eliminou Jordy Smith em uma bateria bastante disputada. No Round 4 Michael Rodrigues enfrentou Mineiro e Michel Bourez, foi um dos melhores surfistas da bateria, mas os juízes deram a vitória ao tahitiano. Nas quartas de final Michael Rodrigues pegou o australiano Julian Wilson, que surfou melhor e venceu a bateria. Os juízes foram bem generosos ao digitar as notas do australiano, mas ele realmente venceu a bateria.

Quartas de final em seu primeiro evento na elite é para poucos. Snapper Rocks é uma onda especialmente boa para o surfe de Michael Rodrigues e ele aproveitou a chance para conquistar importantes pontos. Se encaixar seu surf nas ondas de Bells tem grandes chances de sair da perna australiana com o ano pelo menos encaminhado.


TOMAS HERMES

Tomas Hermes é um estreante no tour. Inteligente, habilidoso e cheio de cartas na manga.

O novato Tomas Hermes estreou no tour contra Filipe Toledo (BRA) e Frederico Moraes (PRT). Ele  bem que tentou, mas acabou na terceira colocação. No Round 2 Tomas enfrentou o francês Joan Duru e surfou como se estivesse em casa. Leu muito bem as ondas, surfou com comprometimento e com inteligência, só não mostrou muito radicalismo. No Round 3 Tomas Hermes eliminou o norte americano Kolohe Andino surfando com muita facilidade. No Round 4, Tomas surfou contra Mick Fanning e Owen Wright, dois mestres nessa onda. Owen fez uma bateria inspiradíssimo e sinceramente não teve adversários. Tomas lutou muito, surfou forte, leu bem as ondas, competiu muito bem e eliminou o Mick Fanning da disputa. Uma belissima bateria para o brasileiro. Nas quartas de final Tomas Hermes enfrentou Filipe Toledo, o melhor surfista do evento até então, e venceu o confronto. Na semi Tomas enfrentou o aussie Adrian Buchan. As ondas estavam difíceis e Tomas surfou bem. Adrian Buchan venceu o confronto e foi para a final, mas não convenceu. O Heat Analyzer está lá para quem quiser ver.

Tomas começou o ano de maneira espetacular. Apostando no tabalho do shaper brasileiro Xanadu, fez semifinal no primeiro evento da elite é mais do que qualquer um poderia sonhar, inclusive o próprio Tomas. Snapper Rocks é uma onda que favorece o seu surf e ele aproveitou como ninguém. Rumo a Bells feliz da vida e sabendo que pode garantir ali um ano um pouco mais tranquilo.


WILLIAN CARDOSO

Willian Cardoso é um surfista forte, determinado e um bom competidor.
Willian estreou no CT contra Adrian Buchan (AUS) e Adriano de Souza (BRA). Enquanto o Mineiro e o Ace boiaram muito, o Panda aproveitou para surfar, manobrou bem forte, mas não encontrou as melhores ondas da bateria.  No Round 2 Willian enfrentou Caio Ibelli em uma bateria super disputada. O Panda surfou muito forte, escolheu as maiores ondas e conseguiu a virada no último minuto da bateria. No Round 3 Willian pegou o australiano Owen Wright, parecia um pouco de nervoso, não escolheu bem suas ondas nem encaixou suas manobras com tanta pressão e perdeu a bateria para um experiente Owen Wright.

Willian é um cara que pode surpreender em Bells. Surfe forte ele tem.





YAGO DORA

Yago Dora é um dos surfistas mais talentosos da nova geração brasileira. Rápido, radical e estiloso. Um surfista no meio de muitos atletas.

No Round 1 Yago Dora estreou na elite contra Jeremy Flores (FRA) e Joel Parkinson (AUS), surfou algumas boas ondas, mas acabou na terceira colocação. No Round 2 Yago enfrentou o norte-americano Conner Coffin em uma bateria com poucas ondas boas, não conseguiu mostrou seu melhor surf e o americano venceu o confronto surfando as melhores ondas da bateria.


Começar o ano com um 25º é começar o ano já com um descarte. Yago tem talento de sobra e pode surpreender em muitas etapas, mas precisa competir bem. 2018 será um ano de muito aprendizado.